CAMPO ABERTO | Joana Colussi (interina)

 

  • SEM COMPRADOR, LEITE GAÚCHO É JOGADO FORA

    Já não bastasse a árdua espera pelo pagamento do leite entregue a empresas em dificuldades financeiras ou envolvidas em fraudes, produtores gaúchos são obrigados agora a colocar fora parte da produção por não ter a quem entregar. Nos municípios de Alegria e Independência, no noroeste do Rio Grande do Sul, cerca de 150 agricultores ficaram sem opção quando um pequeno laticínio de Esperança do Sul parou de recolher o leite em suas propriedades.
    – A grande maioria produz menos de cem litros por dia. Sem ter onde colocar a produção, estão despejando para os animais ou jogando fora – relata Nestor Bonfanti, primeiro tesoureiro da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag).
    Em Capão do Cipó, outros 50 produtores estão na mesma situação. Um deles chegou a desperdiçar 17 mil litros de leite nos últimos dias. Conforme Wlademir Pedro Dall’Bosco, presidente da Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios do Estado (Apil-RS), a situação tende a se agravar se não forem tomadas medidas de reestruturação do setor.
    – O recolhimento de pequenos volumes em determinados locais é economicamente inviável. Não podemos assumir uma responsabilidade que não é só nossa – argumenta Dall’Bosco.
    Dirigentes dos mais de 50 laticínios associados à Apil irão se reunir no dia 5 de fevereiro para tentar encontrar uma solução ao impasse, com a ajuda do governo e dos produtores.
    As mesmas famílias que não têm a quem entregar a produção esperam pagamento de indústrias. Na semana passada, a Laticínios Santa Rita, de Estrela, quitou 10% do valor devido, cerca de R$ 200 mil. Na sexta-feira, a Promilk apresentou à Justiça plano de recuperação judicial que propõe o pagamento de 50% das dívidas em 10 anos, com dois anos de carência. A proposta será submetida agora à análise de todos os credores, mais de 4 mil com aproximadamente R$ 37 milhões a receber.
    Estima-se que o saldo negativo deixado por pelo menos cinco indústrias de leite inadimplentes envolva 20 mil famílias no Estado, situação desanimadora para uma atividade tão importante e sacrificada.

  • SAFRINHA E SEMENTE ILEGAL

    Sem orientação técnica sobre as variedades adequadas ao plantio da safrinha de soja, que começa a germinar no Estado (foto) em cima de áreas colhidas com milho, produtores gaúchos fazem seus próprios testes nas lavouras. Na região de Horizontina, agricultores relatam que uma variedade de origem argentina, a monasca, teria se adaptado bem ao cultivo fora de época. Contrabandeada em anos anteriores, a semente salva em forma de grão, e multiplicada, é usada de forma ilegal.
    – Só é permitido produzir sementes de cultivares registradas pelo Ministério da Agricultura – destaca Alexandre Levien, coordenador da unidade de certificação da Fundação Pró-sementes.
    Na atual safra de soja, segundo a entidade, o uso de sementes certificadas não deverá passar de 40% – um dos menores percentuais entre todos os Estados brasileiros.
    – E isso está diretamente ligado à produtividade das lavouras. Os Estados que usam mais sementes certificadas têm rendimentos maiores de produção – afirma Levien, alertando que, ao comprar uma semente não-certificada, o produtor não tem garantia de boa germinação e origem do produto.
    Diferentemente da pirataria, cultivar semente salva é permitido, desde que devidamente comunicado ao Ministério da Agricultura.
    – O produtor tem direito de salvar sua própria semente para reduzir os custos da lavoura – afirma Décio Teixeira, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja-RS).

  • NO RADAR

    O 2º Seminário Serrano sobre Pecuária de Corte ocorre quarta-feira, em Lagoa Vermelha. O evento será realizado no CTG Alexandre Pato, na BR-285.

  • FÔLEGO PARA A COTRIMAIO

    Em processo de liquidação voluntária há dois anos, a Cotrimaio gerou em 2014 cerca de R$ 36 milhões em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas atividades de grãos, leite, combustíveis, supermercados e lojas agropecuárias.
    O número, ainda extraoficial, foi divulgado pela cooperativa para dimensionar a importância da entidade à economia da região.
    Com 450 funcionários, a Cotrimaio tem 12 mil famílias associadas. Em dezembro, na tentativa de manter o fôlego, entrou com pedido de recuperação judicial na comarca de Três de Maio. A estratégia busca dar continuidade ao saneamento da cooperativa, com dívida de R$ 200 milhões. Via de regra, o recurso é destinado, do ponto de vista legal, a empresas. A Justiça ainda não se manifestou.
    EMPRESAS DE MATO GROSSO ENFRENTAM DIFICULDADE PARA IMPOR A TABELA DE FRETES DA ASSOCIAÇÃO DOS TRANSPORTADORES DE CARGAS DO ESTADO (ATC). PARTE DA FROTA DEIXOU DE CIRCULAR NO INÍCIO DO MÊS PARA TENTAR FORÇAR TRADINGS A PAGAR OS NOVOS VALORES, MAS CAMINHONEIROS AUTÔNOMOS MANTIVERAM A OFERTA DE FRETE A PREÇOS ABAIXO DA TABELA.

  • FALTA DE SOL AO ARROZ

    Acostumada com sol na cabeça e água no pé, a produção de arroz no Estado poderá ser prejudicada com a baixa radiação solar registrada em janeiro. A escassez de luminosidade, associada à alta umidade, facilita o desenvolvimento de doenças nas plantas. Em algumas regiões, conforme a Emater, o alto volume de chuvas está dificultando o manejo da água de irrigação.
    As primeiras colheitadeiras foram colocadas nas lavouras na semana passada, como no município de Taquari (foto). O ciclo atrasou neste ano devido ao plantio retardado na primavera chuvosa. A abertura oficial da colheita ocorre de 5 a 7 de fevereiro, em Tapes.

    O setor agropecuário nacional perdeu 370 vagas formais no país em 2014, conforme relatório do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

  • Fonte: Zero Hora

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