CAMPO ABERTO | Joana Colussi – DESTINO DE KÁTIA ABREU COMEÇA A SER DEFINIDO

 
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    Dos sete integrantes do PMDB nomeados pela presidente Dilma Rousseff para a Esplanada, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, é a que estaria menos disposta a deixar o cargo para seguir a decisão do partido que deve confirmar hoje o desembarque do governo, em reunião do diretório nacional, em Brasília. Com trajetória recente na sigla, pouco mais de dois anos, e um histórico de três filiações em cinco anos, a senadora não teria grandes problemas em fazer nova troca agora.
    Os rumores são de que o PSD estaria negociando o retorno da ministra ao partido, ao qual foi filiada de 2011 a 2013 – após deixar o DEM. A opção pelo PSD é reforçada pela atuação política dos filhos de Kátia no partido: Irajá Abreu, deputado federal por Tocantins, e Iratã Abreu, vereador em Palmas (TO). O retorno de Kátia ao PSD seria também uma estratégia para um dos filhos alçar voos maiores no Estado de origem.
    Ontem, a ministra da Agricultura não participou da reunião de Dilma com ministros do PMDB, na véspera da decisão do diretório nacional.
    Conforme o secretário nacional do Produtor Rural e Cooperativismo, o gaúcho Caio Rocha, a ausência deveu-se ao sepultamento de uma grande amiga da família da ministra, em Goiânia (GO).
    – A decisão de Kátia, de ficar ou sair do ministério, terá caráter pessoal – disse Rocha, que deixará o cargo no governo assim que o PMDB nacional assim decidir.
    Se optar por permanecer na Esplanada, a ministra da Agricultura terá de encarar também a oposição de representantes do setor agropecuário que nunca engoliram sua aproximação com o PT. Até agora, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) não pediu que a ex-presidente da entidade deixe o governo.
    – O setor está deixando Kátia muito à vontade para decidir – garante Carlos Sperotto, um dos vice-presidentes da CNA e presidente da Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul).
    Sperotto nega pressões, mas tem afirmado que a posição ocupada pela ministra é resultado da representação do setor agropecuário.

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    POOL GAÚCHO PARA IMPORTAR MILHO
    Depois de gigantes como BRF e JBS terem anunciado a importação de milho argentino, para fazer frente à alta do preço do cereal no mercado interno, indústrias gaúchas de aves e suínos querem se juntar para viabilizar a compra do cereal do país vizinho. Na próxima sexta-feira, pelo menos seis empresas de aves irão se reunir na região da Serra para tentar viabilizar a proposta – juntamente com os setores de suínos e de bovinos de leite.
    – A ideia é fazer um pool com várias empresas para viabilizar a importação – adianta Nestor Freiberger, presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).
    Conforme o dirigente, são necessárias no mínimo 100 mil toneladas para compensar a importação do produto, que teve alta superior a 50% no mercado brasileiro nos últimos seis meses. Há pouco menos de duas semanas, BRF e JBS anunciaram a compra de 100 mil toneladas de milho argentino, além de tratativas para importar mais 1 milhão de toneladas em abril. Ontem, o Grupo GTFoods, conglomerado avícola com sede em Maringá, no Paraná, informou que vai importar 90 mil toneladas do cereal.
    – O setor não pode esperar a safrinha do Centro-Oeste entrar para o preço começar a baixar. Os animais comem todos os dias – completa Freiberger, acrescentando que o consumo anual de milho no Rio Grande do Sul chega a 5,8 milhões de toneladas.

  • ABUSO NA COBRANÇA PARA PREENCHER O CAR

    Produtores rurais da região Central do Estado denunciaram à Assembleia Legislativa abuso de alguns profissionais para realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
    Durante audiência pública da subcomissão criada para tratar das dificuldades na implantação do CAR, ontem em Santa Maria, agricultores relataram que o valor cobrado chegaria a R$ 800 por hectare. Parlamentares prometeram acionar órgãos estaduais para verificar se o exagero está mesmo ocorrendo.
    O prazo de adesão ao CAR, previsto no Código Florestal, termina en 5 de maio. Com o menor percentual de adesão entre os Estados brasileiros, os produtores gaúchos pedem a prorrogação do prazo – alegando falta de assistência técnica e jurídica, além da ação que questiona o decreto estadual do bioma Pampa.

  • NO RADAR

    As oportunidades de ganhos no cultivo da canola serão discutidas amanhã na Embrapa Trigo, em Passo Fundo. A alta cotação da soja poderá servir de estimulo à cultura, já que o preço da canola é equivalente ao da oleaginosa na venda às indústrias de processamento.

  • ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS NA REGIÃO DO MATOPIBA

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) irá instalar neste ano nove estações automáticas no Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O investimento nos equipamentos, importados da Finlândia, será de R$ 1,1 milhão. A ampliação do número de estações meteorológicas será importante para previsão de fenômenos climáticos e tomada de decisão dos produtores rurais, com informações em tempo real.
    A região já contava com 23 estações convencionais, que exigem a presença de um observador, e 33 estações automáticas – que coletam e disseminam, de hora em hora, dados sobre chuva, temperatura, umidade do ar, radiação solar, pressão atmosférica, direção e velocidade dos ventos.

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    A produção de genética angus pelas centrais brasileiras cresceu
    20,26%
    em 2015, em relação ao ano anterior, conforme a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia). O desempenho é justificado especialmente pelo cruzamentos industriais do Brasil Central.

    Fonte : Zero Hora

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