CAMPO ABERTO | Joana Colussi CAR AVANÇA NO PAÍS E TRAVA NO ESTADO

 

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    Sem trabalhar com a hipótese de prorrogação do prazo do Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) espera receber uma grande leva de registros no último mês antes do vencimento do prazo assim como ocorreu em abril de 2015, quando o sistema chegou a contabilizar 10 mil acessos por minuto. Até o dia 10 de março, último levantamento divulgado pelo órgão, o percentual chegava a 67,58% da área total passível de cadastro no Brasil, abrangendo 268,8 milhões de hectares.
    No Estado, apenas 2,6 milhões de hectares foram cadastrados, representando 13,07% de toda a área. Diretor-geral do SFB, Raimundo Deusdará Filho, lamenta que o Rio Grande do Sul não tenha avançado nem mesmo após a prorrogação de um ano do prazo inicial.
    – Se todas as capacitações que demos se revertessem em cadastros, o Rio Grande do Sul certamente não estaria na lanterna – disse o diretor-geral, em Brasília, durante o fórum Código Florestal e o Alcance do Desmatamento Ilegal Zero.
    Sobre a reclamação de produtores familiares gaúchos de que não teria sido prestada assistência técnica e jurídica para o preenchimento, prevista na legislação, Deusdará também contestou:
    – Disponibilizamos pessoal para isso. As cartilhas da Farsul e da Contag foram as mais bem elaboradas do país – afirmou o gestor, citando Caxias do Sul como um exemplo positivo, com mais de 80% dos cadastros realizados.
    Deusdará reforçou a orientação para que os produtores gaúchos efetuem o cadastro antes do dia 5 de maio, mesmo que sejam necessárias retificações depois por conta de eventuais mudanças na legislação – referentes ao bioma Pampa, por exemplo.
    – Pior é não fazer e correr o risco de perder benefícios importantes, como o acesso ao crédito a partir do próximo ano – alertou.
    Integrante do Observatório do Código Florestal, Valmir Ortega acredita que a pressão de entidades do agronegócio e de movimentos sociais poderá resultar em uma nova prorrogação, reforçando a cultura brasileira muito forte no meio rural de “empurrar com a barriga”.
    – O poder público vem acostumando mal os produtores nos últimos 30, 40 anos. Bate no prazo, estica e dá mais tempo, fortalecendo a ideia de que o Estado é incapaz de cumprir a legislação – concluiu Ortega.
    Faltando pouco mais de 30 dias para o fim do prazo do CAR, não há nenhuma garantia de prorrogação e, muito menos, do desfecho da ação do Ministério Público que questiona o decreto estadual do bioma Pampa. Um impasse que já poderia ter sido resolvido para livrar o produtor de mais uma incerteza.
    Esperança para o trigo
    A colheita frustrada por fatores climáticos nas duas últimas safras leva à expectativa de mais uma redução na área de trigo no Rio Grande do Sul neste ano, mas o cenário ainda pode ser revertido. A projeção, até agora, é de que a principal cultura de inverno do Estado ocupe cerca de 800 mil hectares, 12% abaixo de 2015, estima o presidente da Comissão do Trigo da Farsul, Hamilton Jardim. Mas há chance de o vilão se transformar em aliado em 2016. A possibilidade de neutralidade no clima até meados do ano, depois tendendo para o La Niña, pode ser um fator a fazer os produtores repensarem o corte de área. Soma-se a isso o bom rendimento da safra de verão.
    – O produtor deve se capitalizar com a colheita de soja e, sempre que isso ocorre, ele investe no plantio da safra seguinte. Com a perspectiva de um clima favorável, podemos ter uma reversão dessa tendência de redução de área – pondera Jardim, lembrando ainda que, se o tempo ajudar, sem excesso de chuva ou geada no final do ciclo, a tendência é de o grão ter melhor qualidade e remunerar mais os agricultores.
    A decepção com a safra 2015, com reflexos na qualidade do grão, também afeta os moinhos gaúchos. Dois anos atrás, o Estado moeu 1,75 milhão de toneladas. Em 2016, será difícil de chegar a 1,5 milhão, avalia Andreas Elter, presidente do Sindicato da Indústria do Trigo do Rio Grande do Sul (Sinditrigo-RS).
    – Enviamos 40% da farinha que produzimos para fora do Estado. Mas o trigo gaúcho ficou muito fora do padrão e perdemos competitividade para o Paraná – lamenta Elter.
    Com a oferta reduzida, a saída é buscar trigo no Paraná ou Mercosul. Mas do Paraguai, por exemplo, chega aos moinhos entre 5% e 15% mais caro em relação ao grão gaúcho, compara Elter.
    Largada no freio de ouro
    A capital argentina recebe a primeira classificatória ao Freio de Ouro 2016, de hoje até sexta-feira. Na seletiva, 44 animais irão disputar oito vagas na grande final, em agosto, durante a Expointer. O número de competidores é recorde na etapa realizada em Buenos Aires.
    Segundo o vice-presidente técnico da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), Francisco Fleck, a participação argentina vem crescendo ano a ano, com pequenos e grandes criadores da raça crioula.
    – A qualidade dos animais também vem crescendo, embora ainda não chegue ao mesmo nível do Brasil por fatores como a genética.
    A classificatória integra a programação da feira Nuestros Caballos, evento que representa a final do programa anual de competições.
    No radar
    Produtores de orgânicos podem se credenciar para exportar à Europa. Chamada pública vai selecionar cooperativas, associações e redes de agricultores familiares. Interessados devem se cadastrar até o dia 25 de abril no site do Ministério do Desenvolvimento Agrário (www.mda.gov.br).
    Kátia Abreu fica no governo
    Contrariando a decisão do PMDB, que desembarcou oficialmente do governo Dilma ontem, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, vai permanecer no cargo. As alternativas são ficar sem partido ou filiar-se ao PSD, opção que ganhou força nos últimos dias.
    A decisão de Kátia não surpreende, já que a ministra vinha se manifestando publicamente em defesa de Dilma Rousseff nas últimas semanas e nunca escondeu a relação pessoal com a presidente.
    Enquanto isso, o gaúcho Caio Rocha, secretário do Produtor Rural e Cooperativismo do ministério, confirmou ontem que deixa o cargo.
    — Tenho de ser leal ao Michel e ao Padilha — disse Rocha, referindo-se ao vice-presidente Michel Temer e ao ex-ministro Eliseu Padilha.
    Rocha estava no governo federal desde 2012. No período, passou por quatro diferentes ministros na pasta.

  • Mesmo criticada, a iniciativa de criar o dia do Frango e do Ovo no Estado não morreu na casca na Assembleia. Será na segunda sexta-feira de agosto. Foi aprovada ontem por 42 votos e apenas um contra. A sugestão é do deputado Sérgio Turra (PP). A intenção é incentivar o consumo. O setor apoiou.

  • Fonte : Zero Hora

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