CAMPO ABERTO | Joana Colussi APOIO AO PACOTE SEM RESTRIÇÕES, AO MENOS POR ORA

 

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    Ao manifestar pela primeira vez apoio sem restrições ao pacote de Sartori, entidades empresariais gaúchas não descartam a possibilidade de tentar alterar pontos sensíveis mais tarde como a redução dos incentivos fiscais , após a aprovação das medidas. Até então, defendiam a necessidade de mudanças estruturais, mas com ressalvas. Dispostos agora a mobilizar os deputados pela aprovação dos projetos, os empresários garantem que a defesa não foi negociada com o governo como moeda de troca para eventual manutenção da atual carga tributária.
    Um dos pontos mais sensíveis ao empresariado no pacote proposto pelo Piratini é a possível redução de até 30% da concessão de benefícios fiscais.
    – Se alguma medida tirar a competitividade de setores importantes, como leite e carnes por exemplo, vamos tentar negociar. Corremos o risco de não conseguir reverter, mas estamos cientes disso – disse Gedeão Pereira, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
    Na sede da entidade, os empresários apresentaram ontem pesquisa de percepção da população gaúcha sobre o pacote do governo. Com discurso afinado, federações da agricultura, da indústria, do comércio e de serviços abraçaram a integralidade do projeto como forma de diminuir o tamanho do Estado.
    – Sabemos que não resolve todos os problemas, mas é um caminho para começar a mudar o cenário – disse Luiz Carlos Bohn, presidente da Fecomércio-RS.
    O posicionamento das entidades empresariais foi reforçado pelos dados trazidos pela pesquisa que, entre outros pontos, indica que 72% dos entrevistados concordam com as medidas propostas pelo Piratini. O levantamento, porém, não se ateve a medidas específicas, apenas a questões macroeconômicas (leia na página 9).
    – O resultado vem ao encontro do pensamento empresarial. Queremos ter um megaestado em saúde, segurança e educação – disse o vice-presidente da Farsul.

  • NO RADAR

    FISCAIS ESTADUAIS agropecuários devem parar as atividades a partir de sexta-feira, até a votação final do pacote de Sartori. A decisão da categoria integra a mobilização de servidores ligados ao Sindicato dos Técnicos Científicos. O principal impacto da greve será nos abatedouros de inspeção estadual e na emissão de guias de trânsito animal (GTAs).

  • APETITE MENOR

    Com menos proteína animal na mesa dos brasileiros em 2016, por conta da crise financeira e do aumento do desemprego, as indústrias de carnes buscaram no mercado externo a compensação de perdas. No setor de frangos, o acréscimo nos embarques foi tímido, de apenas 2%. Já na carne suína, a alta das exportações chegou a 30%.
    – O bom desempenho no mercado externo nos ajudou a reduzir os efeitos do cenário interno, um dos mais difíceis da história recente – destaca Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
    Até mesmo o mercado de ovos, proteína animal mais barata que vinha crescendo em média 10% ao ano, sofreu recuo. Além da recessão econômica, as indústrias de aves e suínos aumentaram seus custos devido à alta do preço do milho. A soma desses fatores levou muitos frigoríficos a reduzirem a produção e, em casos mais extremos, a fecharem unidades.
    – A boa notícia é de que boa parte dos empregos foram mantidos. O percentual de demissões ficou em 2%, bem abaixo da média nacional – pondera Turra.
    Para 2017, a expectativa é de que a possível recuperação econômica eleve os níveis de consumo, ainda que de forma lenta. A maior aposta para voltar a crescer continuará depositada no mercado externo.
    – O nosso status sanitário será um grande trunfo, tendo em vista os focos de influenza aviária detectados em 26 países recentemente – completa o dirigente.


    A PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE QUEIJO ARTESANAL SERRANO PRODUZIDO EM 16 MUNICÍPIOS DOS CAMPOS DE CIMA DA SERRA FOI LEGALIZADA EM PROJETO APROVADO PELA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA. EM 2010, PORTARIA DA SECRETARIA DA AGRICULTURA, NA ÉPOCA SOB COMANDO DE GILMAR TIETBÖHL, HAVIA LIBERADO A VENDA DO PRODUTO DE 11 MUNICÍPIOS DA REGIÃO.

  • EMISSÃO DE NOTA FISCAL

    A Assembleia Legislativa aprovou ontem a equiparação do limite de enquadramento de micro produtor rural ao de microempreendedor. Pelo projeto de lei, do deputado Elton Weber (PSB), o teto de renda anual subirá de R$ 257 mil para R$ 432 mil. O agricultor que obtiver a nova classificação ficará isento da obrigatoriedade de emissão da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) até 2019. A justificativa é de que a maioria das propriedades não tem condições de cumprir a regra devido a precariedade ou ausência de sinal de telefonia e de internet. A matéria depende de sanção do governador.

  • EMENDAS PARA APOSENTADORIA RURAL

    A Frente Parlamentar da Agricultura Familiar tentará reunir assinaturas para apresentar emendas à proposta de emenda constitucional (PEC) da reforma da Previdência. A intenção é excluir os aposentados rurais do projeto, mantendo as atuais regras: aposentadoria aos 55 anos para mulheres e 60 anos para os homens e contribuição sobre a comercialização por 15 anos.
    Os deputados também tentarão assegurar a possibilidade de acúmulo da aposentadoria com pensão em caso de morte do cônjuge. Para emendas, são necessárias no mínimo 171 assinaturas.
    – Corremos contra o tempo. Queremos protocolar as emendas assim que a comissão especial for instalada, em fevereiro, se o governo não atropelar o processo antes – afirma Heitor Schuch (PSB-RS), presidente da frente.
    A admissibilidade da PEC na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara pode ser votada ainda hoje.

    Fonte : Zero Hora

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