CAMPO ABERTO | Joana Colussi ALTERNATIVA A FECHAMENTO DE FRIGORÍFICO

 

  • Com poucas esperanças de reverter a decisão de fechamento do frigorífico da Marfrig em Alegrete, por conta da retração do mercado interno, mobilização de lideranças do setor e de funcionários é para que a planta possa ser ocupada por outra indústria. Arrendada pelo Frigorífico do Mercosul até 2031, a unidade já teria interessados. A liberação da planta, porém, terá de passar por negociação com a Marfrig que poderá manter a unidade locada para evitar concorrência na Fronteira Oeste.
    – Não podemos aceitar que o frigorífico seja fechado dessa forma, 748 empregos sejam perdidos e que ainda a planta industrial não seja liberada ao mercado – afirma Marcos Rosse, presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação de Alegrete.
    A questão será discutida em reunião de conciliação prevista entre a empresa e o sindicato para a próxima quinta-feira no Ministério Público do Trabalho, em Porto Alegre. A intenção de liberar a unidade para outra indústria é justificada também pela disponibilidade de matéria-prima na região – ao contrário do alegado pelo Marfrig ao anunciar o encerramento das operações a partir de 3 de janeiro. Segundo o Sindicato Rural de Alegrete, o Rio Grande do Sul foi um dos únicos Estados a aumentar o número de abates em 2016.
    – Estamos prevendo incremento de 2% nos abates de bovinos neste ano, especialmente nos frigoríficos de inspeção federal, que é o caso do Marfrig. Oferta de gado existe na região – garante Pedro Píffero, presidente da entidade.
    O dirigente chama a atenção para a relevância da planta a ser fechada, habilitada para vender aos principais mercados importadores de carne.
    – Fazer reserva de mercado num frigorífico como esse não faz sentido – defende Píffero.
    Apenas comunicado sobre o fechamento da unidade, o governo do Estado alega que não houve espaço para negociação.
    – Há dois anos (no primeiro anúncio de fechamento), quando fizemos o apelo para que continuassem com a operação, o mercado estava em outra situação. A empresa não chegou a pedir agora, mas também não teríamos espaço para conceder incentivos fiscais nesse momento – disse Ernani Polo, secretário da Agricultura.
    Polo pretende reunir-se com diretores da empresa ainda nesta semana, para tentar negociar a liberação da planta para possíveis interessados.

  • NO RADAR

    A IMPORTAÇÃO de produtos vegetais destinados à pesquisa científica e à experimentação agrícola ficará mais rígida. O Ministério da Agricultura publicou instrução normativa fixando exigências fitossanitárias, como a de o importador estar vinculado à instituição ou empresa com atuação comprovada nessas atividades.

  • MOSAIC COMPRA VALE FERTILIZANTES

    Ao comprar parte dos ativos de fertilizantes da Vale S. A., a americana Mosaic pretende tornar-se uma das líderes em produção e distribuição no Brasil. O negócio, anunciado ontem, envolve US$ 2,5 bilhões – dos quais US$ 1,25 bilhão em dinheiro e outros US$ 1,25 bilhão em 11% das ações em circulação da Mosaic.
    A aquisição envolve cinco minas brasileiras de fosfato, quatro fábricas de produção de químicos e fertilizantes e uma unidade de potássio no Brasil. Hoje com 1,5 mil funcionários no país, a empresa irá incorporar mais 8 mil empregados da Vale.
    – Para crescer no agronegócio mundial, é preciso ter uma presença forte aqui no Brasil – afirma Elias Alves Lima, diretor de Operações da Mosaic no Brasil.
    No começo de dezembro, a multinacional também iniciou a instalação de misturadora própria de fertilizantes em Rio Grande. Até então, a atuação no Estado se dava por meio de empresas parceiras.
    – O Rio Grande do Sul é um mercado estratégico, o que justifica o investimento – explica o executivo.
    Com a contratação de 70 funcionários, a unidade deve entrar em operação no começo de janeiro.

  • CAMINHO LIVRE

    A Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) encerrou ontem um longo e custoso processo trabalhista movido contra a administração da autarquia. O acordo fechado na Justiça do Trabalho, em ação movida por 300 servidores em 2005 e que somava R$ 280 milhões, era o que faltava para a empresa colocar à venda estruturas desativadas e deficitárias.
    O acordo, que ainda precisa ser homologado, foi fechado em 40% do valor para pagamento em 72 vezes – além de incorporação de 30% nos salários a partir de janeiro. A ação refere-se à cobrança de dívidas pelo não pagamento do piso da categoria entre os anos de 1997 a 2000.
    – O governo passou esse tempo todo sem dar reajuste. O valor se refere a uma diferença salarial de 46% – explica Juliano Rodrigues, advogado do Sindicato dos Auxiliares de Administração de Armazéns Gerais do Estado (Sagers).
    O presidente da Cesa, Carlos Kercher, destacou que a empresa vinha fazendo os ajustes necessários para compor o acordo, concretizado após meses de negociação.
    Com o caminho livre, a Cesa pretende colocar à venda as unidades desativadas em Passo Fundo, Nova Prata, Estação e Santa Bárbara do Sul. A intenção é fazer o mesmo com as estruturas abertas, porém deficitárias, em São Gabriel, Bagé, Cachoeira do Sul, Palmeira das Missões, Santa Rosa e Cruz Alta.

    NOS ÚLTIMOS TRÊS ANOS, A MALTARIA DA AMBEV EM PORTO ALEGRE REDUZIU EM 15% O CONSUMO DE ÁGUA. EM 2016, A ECONOMIA DO RECURSO FOI DE MAIS DE 6%. SEGUNDO A EMPRESA, A MALTARIA QUASE NÃO GERA RESÍDUOS, POIS 99% DOS SUBPRODUTOS DO PROCESSO SÃO REAPROVEITADOS. A RADÍCULA, O PÓ E A CASCA DE MALTE, POR EXEMPLO, SÃO DESTINADOS PARA RAÇÃO ANIMAL.

  • BOBS E PIZZA HUT COM OVOS SEM GAIOLA

    Depois de redes como McDonald’s e Burger King anunciarem a compra de ovos produzidos por galinhas livres de gaiolas, a empresa que opera Bob’s e Pizza Hut também adotou a transição gradual até 2025. A Brazil Fast Food Corporation (BFFC) opera cerca de 1,2 mil restaurantes no Brasil, incluindo também Yoggi, Doggis e KFC.
    A nova política segue determinações feitas por organizações de proteção animal. Nos últimos anos, multinacionais do setor alimentício anunciaram a medida como forma de valorizar o bem-estar animal. Embora não sejam imediatas, as medidas acendem alerta para granjas brasileiras – que criam mais de 95% das galinhas poedeiras presas.

    Fonte : Zero Hora

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