CAMPO ABERTO | Joana Colussi AGRO TRAZ ALENTO À ECONOMIA GAÚCHA

 

  •  

    Enquanto as projeções para a economia gaúcha indicam recuperação ainda tímida em 2017, a agropecuária estima crescer 3,4% no próximo ano puxada por área recorde cultivada com grãos. Se o tempo colaborar, o Rio Grande do Sul poderá alcançar colheita inédita, superior a 33 milhões de toneladas.
    – Semeamos a maior safra da história, mais de 8,6 milhões de hectares, temos de ser otimistas – destaca o vice-presidente da Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, que na coletiva de fim de ano da entidade substituiu o presidente Carlos Sperotto, afastado por problema de saúde.
    O desempenho positivo do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário em 2017 virá após um ano de retração do setor primário, prejudicado por adversidades climáticas causadas pelo fenômeno El Niño e por custos maiores de produção. Com perdas nas lavouras de arroz, e em menor escala nas de soja, o PIB agrícola gaúcho deverá fechar com queda de 3,1% em 2016.
    – Esse percentual poderá sofrer algum ajuste, devido à excelente produtividade do trigo – pondera Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul.
    Se o percentual de queda for reduzido, consequentemente a projeção para 2017 será alterada, com a estimativa de PIB um pouco inferior – por conta da base maior de comparação. Independentemente de ajustes, a projeção de desempenho positivo da agropecuária, combinada com safra cheia, é o principal alento à economia gaúcha, que patina com os resultados ruins da indústria e também dos serviços.
    Mais uma vez, o agronegócio será a principal aposta para o Estado voltar a crescer.

  • DEFESA CLARA AO PACOTE DE SARTORI

    O vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, é enfático ao defender a aprovação do pacote do governo Sartori – incluindo a redução dos créditos presumidos concedidos a indústrias ligadas ao agronegócio, como leite e carnes.
    – É preciso diminuir o tamanho do Estado – diz o dirigente.
    Sobre uma eventual perda de competividade dos setores que recebem benefícios fiscais para equilibrar a carga tributária com outros Estados, Pereira defende que essa questão seja rediscutida – mas somente após a aprovação das medidas propostas.
    – É hora de olhar para o todo. Depois, podemos discutir algumas distorções. Se começar a mexer aqui ou ali, o pacote será desvirtuado – resume Pereira.

  • MERCADO INCERTO

    A comercialização da safra de trigo segue incerta no Rio Grande do Sul, mesmo após os primeiros leilões para escoar a produção – realizados na semana passada. Com baixa negociação nas operações de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), apenas 34% da oferta, a intervenção ainda não mexeu com o mercado – que segue com o valor do cereal abaixo do preço mínimo estabelecido para a cultura.
    – Tudo permance parado. A pressão de oferta é muito grande – avalia Hamilton Jardim, presidente da Comissão do Trigo da Farsul.
    Entre os motivos para a baixa procura pelo PEP, destinado a indústrias moageiras de fora do Estado, estão as regras previstas no edital do leilão. Como o produto comprado só pode ser vendido para o Norte e o Nordeste, explica Jardim, a procura acaba ficando restrita. Além disso, a competição com o trigo argentino também está dificultando.
    – A Argentina vem baixando o preço do trigo para competir com a safra brasileira – comenta Jardim.
    Amanhã, ocorrem novos leilões de PEP e também de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro), desta vez com 120 mil toneladas ao Estado. Há operações previstas ainda para o dia 16.

  • ANGUS ALCANÇA MARCA RECORDE

    Com o pecuarista gaúcho José Roberto Pires Weber reeleito para o segundo mandato, em assembleia hoje, a Associação Brasileira de Angus deve fechar o ano com o número recorde de 500 mil cabeças abatidas.
    – O mercado angus cresce em média 20% ao ano – comemora Weber, natural de Dom Pedrito.
    Para 2020, a meta da entidade é chegar à marca histórica de 1 milhão de cabeças abatidas, porém com o cuidado de não transformar a carne em commodity no mercado.
    – Precisamos manter o diferencial para não massificar um produto de alta qualidade – completa Weber.
    Hoje, o Rio Grande do Sul é líder na produção de carne angus, com mais de 40% de participação. Em 2015, mais de 50% dos sêmens de bovinos de corte vendidos no país foram da raça – líder no cruzamento industrial com nelore.

  • Fonte : Zero Hora

Compartilhe!