CAMPO ABERTO | Joana Colussi

 
  • UM DEBATE QUE PODE AJUDAR A PECUÁRIA GAÚCHA

    A queixa dos frigoríficos sobre falta de gado segue gerando controvérsia, com posições distintas sobre o rebanho bovino gaúcho. O pesquisador Eduardo Dias, do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e da Cadeia Produtiva (Nespro), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirma que o Estado é autossuficiente e que, de setembro a novembro, chega a vender o produto para outras regiões do país. A compra de carne de fora, diz Dias, seria apenas devido ao preço mais barato.
    A escassez apontada pela indústria é questionada também pela Federação da Agricultura no Estado (Farsul). Conforme a entidade, o problema não seria falta de oferta e sim o preço oferecido pelos frigoríficos gaúchos aos pecuaristas. Sobre a ameaça da Marfrig de encerrar as atividades na unidade de Alegrete, o presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Farsul, Francisco Schardong, é enfático:
    – Temos de identificar qual o real papel do produtor dentro das deficiências apontadas pela empresa.
    Independentemente de quem está com a razão, sobre a carência ou suficiência do rebanho, não há dúvida de que a maior produtividade é a saída para suprir o descompasso entre o aumento do consumo e exportações e do rebanho. E o lado positivo da discussão é a mobilização dos produtores e indústria para buscar avanços efetivos à pecuária gaúcha.
    O tema da rastreabilidade é um exemplo. Emperrado por falta de entendimento, voltou a ser considerado após a ameaça de fechamento da Marfrig. Na Fronteira Oeste, pecuaristas propuseram a criação de comissão com governo, indústria e sindicatos para evoluir em pontos que vão de inspeção sanitária a linhas de financiamento. Se controvérsias forem deixadas de lado, avanços importantes poderão ser concretizados.

  • AMARELO COR DE PALHA

    O tradicional dourado das lavouras de trigo no Noroeste, maior região tritícola do Estado com 280 mil hectares cultivados, deu lugar a um amarelo palha, diferente do tom da safra passada (foto ao lado). O aspecto das plantas é resultado da ação de fungos como brusone e giberela – surgidos com a combinação de chuva frequente e altas temperaturas. As doenças ameaçam o volume e a qualidade do grão, que começou a ser colhido na região de Santa Rosa.
    – A produtividade será bem menor do que a projeção inicial, de 2,7 mil quilos por hectare – aponta Claudio Dóro, agrônomo da Emater de Passo Fundo, região onde 50% das lavouras foram atingidas por fungos e o restante está na dependência do clima das próximas semanas.
    Sem seguro agrícola, que não cobre prejuízos por doenças, os produtores terão pela frente um mercado com preços abaixo dos do ano passado. Se o grão não alcançar a qualidade tipo 1, classe pão, a perda será maior.
    – Dependendo da qualidade do grão, nem o governo poderá comprar – alerta o coordenador da Câmara Setorial do Trigo do Estado, Aureo Mesquita, que estará reunido amanhã com produtores em Santa Rosa.

  • OTIMISMO NA FARM SHOW 2014

    Embalada pelos resultados da temporada de primavera até agora, valorizada pelo bom momento da pecuária, a 81ª Exposição Agropecuária de Dom Pedrito – Farm Show 2014 colocará em pista na próxima semana 200 touros e 50 fêmeas das raças angus, hereford e braford. A expectativa dos organizadores é alcançar negócios na ordem de R$ 3 milhões, sem contar o remate das cabanhas Guatambu, Alvorada e Caty – que dobrou o faturamento do ano passado ao alcançar R$ 2,9 milhões.
    – A qualidade genética sempre foi um dos diferenciais dos remates em Dom Pedrito – avalia o presidente do sindicato rural, José Roberto Pires Weber.
    Uma das novidades da Farm Show 2014 é o retorno da venda de cavalos crioulos, com a oferta de 35 animais de criadores da cidade.

  • NO RADAR

    A Case IH e a JMT, holding controladora da Planalto Transportes, firmaram parceria para criar a RGS Máquinas Agrícolas. A rede terá inicialmente seis revendas no Estado, em pontos que eram da Cooplantio.

  • DEPOIS DE COMITIVA GAÚCHA, IMPRENSA É BARRADA NA COP6

    Depois da comitiva brasileira ser barrada na 6ª Conferência das Partes (COP 6) da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco, em Moscou, jornalistas credenciados também foram impedidos de assistir às plenárias. Na segunda-feira, representantes do setor foram convidados a se retirar da conferência. Ontem, foi a vez dos profissionais da imprensa ficarem de fora.
    – Consideramos uma afronta à democracia. E o que mais nos preocupa é a falta de posição da equipe do governo brasileiro em proteger o tabaco como importante atividade econômica – disse o deputado Adolfo Brito (PP), que integra a comitiva brasileira com outros políticos e representantes da indústria e dos produtores.
    A COP6 será realizada até sábado na Rússia, quando deverão ser aprovadas novas recomendações para redução do consumo mundial de tabaco, conforme estabelecido em tratado internacional assinado e ratificado pelo Brasil.
    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) recuperou na Justiça o direito de realizar eleições para a nova diretoria da entidade. Com a liminar, o pleito ocorre hoje, em Brasília. A chapa única é liderada pela presidente licenciada da CNA, Kátia Abreu.
    Colaborou Caio Cigana

Fonte: Zero Hora

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