CAMPO ABERTO – Inspeção chinesa no modo virtual

Com câmeras à mão, auditores fiscais federais agropecuários darão amanhã importante passo na relação com as autoridades sanitárias chinesas. Pela primeira vez, será realizada auditoria virtual, com a ajuda do aplicativo de troca de mensagens mais popular no país asiático, o WeChat. A ação faz parte do processo que busca habilitar mais frigoríficos para exportação à China.

Neste momento, quatro plantas passarão pela avaliação – três de aves e uma de suínos. Segundo o Ministério da Agricultura, dessas unidades, uma foi escolhida pelos chineses e, as demais, indicadas pela pasta e por entidades do setor. As imagens geradas nos frigoríficos brasileiros serão recebidas do outro lado do planeta em tempo real. A utilização desse recurso inédito, na avaliação da ministra Tereza Cristina, mostra boa vontade dos chineses em relação ao Brasil.

Conforme havia antecipado a coluna, as duas partes vinham trabalhando para tornar possível o uso do WeChat para driblar as dificuldades logísticas, já que a distância física entre os dois países é grande.

– Entendemos ser esse um importante passo para a dinâmica de futuras inspeções no país – afirma o chefe do Serviço de Inspeção Federal no RS, Leonardo Werlang Isolan.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra reforça que a experiência será acompanhada também na embaixada chinesa em Brasília. Outras quatro unidades de bovinos também deverão ser selecionadas para passar por verificação semelhante, mas isso ainda depende de confirmação.

O credenciamento de novas plantas para embarques à China é aguardado com expectativa pelo setor de proteína animal, uma vez que a demanda do país asiático pelo produto vem em uma crescente. Os chineses enfrentam surto de peste suína africana, que vem obrigando o abate do plantel local.

Em maio, a ministra esteve em missão na China. Um dos pontos discutidos era justamente o de ampliação da lista de empresas com aval para embarcar proteína animal.

NO RADAR

A Justiça dos Estados Unidos revisou o valor da indenização a ser paga em processo relacionado ao glifosato. A Bayer, dona da marca comercial Roundup, havia sido condenada a pagar US$ 80,27 milhões em caso movido por Edwin Hardeman, que associa o uso do produto a um câncer desenvolvido por ele. Agora, o valor foi reduzido para US$ 25,27 milhões.

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Em dois dias, a Secretaria da Agricultura recebeu quatro pedidos de cadastro de aplicadores do herbicida 2,4-D. A exigência, que é uma das medidas para tentar conter a deriva do produto, passou a valer na última terça-feira. Das solicitações, duas estão sob análise, uma foi indeferida e outra deferida.

gisele.loeblein@zerohora.com.br | 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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