CAMPO ABERTO – INGREDIENTE CLIMA SEGUEEMBALANDO PREÇO DA SOJA

As incertezas trazidas pelo clima para a safra sul-americana de soja seguem empurrando para cima os preços do grão. No mercado interno, a cotação do grão em Paranaguá (PR) chegou ao maior patamar desde janeiro do ano passado, aponta levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. A saca de 60 quilos chegou a R$ 76,74 na sexta-feira, dia 23.

– Estávamos vindo de uma safra 16/17 muito positiva e colheita muito boa nos Estados Unidos. O mercado estava relativamente pressionado – observa Lucilio Alves, professor da Esalq/USP e pesquisador do Cepea.

Pesaram para esse resultado "dentro de casa" a seca na Argentina – que deve encolher a safra do país vizinho – e o atraso na colheita no Brasil. Muitos produtores retardaram o cumprimento dos contratos. E os vendedores ficaram retraídos, à espera de melhores valores.

– Como o preço começou a aumentar, ele aguarda que suba ainda mais. Nos últimos anos, apesar de termos tido safras boas, a margem do produtor estava caindo. Por isso, ele está esperando uma reação – acrescenta o pesquisador do Cepea/Esalq.

Em valores nominais, os atuais patamares da soja já são os maiores desde o primeiro trimestre de 2017, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

A estiagem na metade sul do Estado também já começa a impactar o mercado. O consultor em agronegócio Carlos Cogo explica que o que tem puxado a valorização do grão é a alta registrada nos valores do farelo de soja, do qual a Argentina é o maior exportador mundial.

– O farelo subiu 20% em 50 dias em São Paulo – acrescenta Cogo.

A previsão de que os vizinhos sigam com pouca ou nenhuma chuva até o dia 7 de março mantém as perspectivas de alta na cotação do grão. A Bolsa de Comércio de Rosário revisou para baixo os números da colheita, encolhendo o volume em mais de 5 milhões de toneladas em relação ao início do ciclo.

O que também deu uma forcinha à valorização foi a primeira projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) para a safra americana de 2018. Apresentada no Agricultural Outlook Forum, apontou leve redução na área de soja e de milho.

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *