CAMPO ABERTO – Indústria quer mais crédito para safra atual

Enquanto o governo discute como será o próximo Plano Safra, possivelmente com menos juro subsidiado para crédito agrícola, o olhar do agronegócio ainda está direcionado para o ciclo atual. Indústrias de máquinas e equipamentos já alertaram sobre a necessidade de suplementação de recursos ao Moderfrota – principal linha de financiamento de tratores e colheitadeiras do país, alimentada com dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na sexta-feira, o pedido de aporte de R$ 3 bilhões será reforçado à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR).

– A previsão é de que os recursos atuais acabem no final de março ou antes – prevê Pedro Estevão Bastos de Oliveira, executivo da Jacto e presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

A forte demanda por crédito rural foi observada principalmente no segundo semestre de 2018, quando a contratação de financiamento pelo Moderfrota aumentou 48% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

– O mercado de grãos teve um ano muito favorável, tanto pelo dólar quanto pela rentabilidade da atividade agrícola – completa o dirigente da Abimaq.

No total, foram disponibilizados R$ 8,9 bilhões ao Moderfrota, dentro do plano safra agrícola em vigor até o final de junho.

– Essa suplementação (de R$ 3 bilhões) é muito necessária. Embora já estejam discutindo o próximo plano, não podemos esquecer que temos uma safra ainda em andamento – afirmou Rafael Manfroi Miotto, vice-presidente da New Holland na América Latina, que fechou 2018 com aumento de 15% nas vendas no mercado brasileiro.

A percepção do mercado, confirmada na primeira grande feira do agronegócio do ano no país, no oeste do Paraná, é de que o produtor está mais disposto a investir pela perspectiva de uma boa safra de grãos e também pela incerteza em relação à nova política de juro agrícola – em formatação pelo governo. Ninguém quer pagar para ver o que virá.

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária, que mede o faturamento "dentro da porteira", deverá alcançar R$ 633,9 bi em 2019 no país, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Se confirmado, o valor será 5,6% maior do que o calculado para 2018.

No radar

Missão da União Europeia visitará indústrias brasileiras de carne de frango neste mês. O roteiro, comandado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), inclui o frigorífico da BRF em Marau. Os técnicos também visitarão unidades em Santa Catarina.

Conhecida mundialmente pela produção de agroquímicos, a Basf apresenta pela primeira vez portfólio de sementes em uma grande feira do agronegócio do país. No Show Rural, mostra as variedades de soja Credenz e SoyTech, tecnologias compradas da Bayer no ano passado, por exigência de órgãos reguladores.

50 anos depois

Em 1969, um jurado gaúcho de 36 anos despontava em evento da pecuária em Perth, na Escócia. Com o desafio de selecionar os melhores exemplares entre 700 bovinos da raça aberdeen angus na exposição Perth Show and Sale, o talento de Luiz Fernando Cirne Lima (nas fotos, à direita) se destacou, abrindo as portas para que se tornasse presença frequente em julgamentos no Exterior.

Cinquenta anos depois, a passagem do zootecnista e ex-ministro da Agricultura pela feira, agora realizada na cidade de Stirling, foi marcada por uma homenagem surpresa. No último domingo, Cirne Lima recebeu presentes e foi citado em discursos por sua contribuição à raça.

Aos 86 anos, e dessa vez como espectador, aproveitou a ocasião para comparar a evolução da raça desde sua primeira participação em julgamentos na Escócia.

– A raça era muito menor. Hoje, são animais grandes, de muita massa muscular e excepcionais produtores de carne. Acredito que podem oferecer genética para criação em qualquer país do mundo – afirma Cirne Lima.

Elizabeth Cirne Lima, filha do pecuarista e presidente a Associação Brasileira de Criadores de Devon, acompanhou a cerimônia de reconhecimento ao legado do pai:

– Existem várias ferramentas tecnológicas, mas aqui continuam acreditando na importância do julgamento do gado em pista. Fiquei muito feliz em ver que criadores importantes enxergam meu pai como referência em julgamento e alguém que ajudou na construção das raças.

Startup com parcerias de peso

Há cinco meses no mercado, a startup gaúcha Essent Agro fechou parceria com a Bayer, uma das maiores fabricantes de químicos e sementes do mundo. A empresa, com sede em Tucunduva, no Noroeste, desenvolveu um robô que importa notas eletrônicas do produtor e calcula a prévia mensal do Imposto de Renda Pessoa Física a ser pago no ano seguinte. Desde janeiro, o serviço passou a ser oferecido dentro da Rede AgroServices da Bayer – programa de fidelidade onde o produtor converte pontos acumulados em benefícios.

– O serviço toca em uma das dores do produtor, a questão tributária. Nossa plataforma permite planejamento e controle financeiro, optando por estratégias legais para reduzir o valor a ser pago – explica Giandrei Basso, presidente da Essent Agro.

A partir da inclusão do serviço no programa da Bayer, apresentada no 31º Show Rural Coopavel, a startup prevê triplicar o número de clientes até o final do ano – chegando a 800 propriedades. Outro impulso deverá vir da parceria fechada recentemente com a Agrofel, uma das maiores concessionárias New Holland no Brasil. O grupo irá "presentear" o serviço da startup a clientes tops.

Ruralistas e reformas

A primeira reunião do ano da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), ontem, em Brasília, contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e da ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Ambos pediram apoio dos parlamentares à reforma da Previdência.

A FPA conta com mais de 200 assinaturas para renovar seu registro junto à Câmara dos Deputados nesta legislatura.

Frentes são reativadas

Com o retorno dos trabalhos na Assembleia Legislativa, quatro frentes parlamentares foram reativadas: cooperativismo, fruticultura e vitivinicultura, silvicultura e erva-mate.

As assinaturas necessárias para que os grupos continuassem ativos nos próximos anos foram coletadas pelo deputado Elton Weber (PSB), que preside as quatro frentes. Para a reativação, era necessária a adesão de 19 dos 55 deputados estaduais.

joana.colussi@zerohora.com.br

JOANA COLUSSI*

Fonte : Zero Hora

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