CAMPO ABERTO | Indústria de máquinas espera acelerar em 2020

Depois de derrapar em 2019, a indústria de máquinas agrícolas espera retomar o crescimento ao longo de 2020. A estimativa da Associação de Veículos Automotores (Anfavea) é de crescimento de 2,9% ao longo do ano (veja gráfico abaixo). Segundo Alfredo Miguel, vice-presidente de máquinas autopropulsadas da entidade, mantém-se projeção que era para o ano passado, de olho na finalização do Plano Safra em vigor e do que será anunciado para o período de 2020-2021.

Em 2019, o setor fechou com recuo de 8,4% no número de unidades comercializadas. A expectativa de resultado positivo acabou sendo frustrada por fatores como o esgotamento de recursos da principal linha de crédito para a aquisição dos equipamentos, Moderfrota, que ocorreu antes do término do Plano Safra então vigente, criando cenário de paralisação nos negócios.

– Foram 60 dias sem recursos. Todos os anos, quando terminava, conseguíamos suplementação. Acabou o setor ficando praticamente dois meses sem vender nada – pontua Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers).

Em dezembro, o problema voltou a ocorrer, em faixa de linha de investimentos do BNDES do Pronaf Mais Alimentos, pouco mais de cinco meses do início do novo Plano Safra, em julho.

O Rio Grande do Sul é responsável por 60% da produção nacional de máquinas e implementos. A estagnação nas vendas acabou levando algumas empresas a realizar cortes de funcionários. Bier ressalta, no entanto, que não foi movimento em massa.

Para 2020, a ideia é poder retomar o crescimento. A Anfavea projeta ampliação de 2,9% no número de unidades negociadas, chegando a 45 mil. Há no horizonte a concretização de investimentos que vêm sendo feitos.

– Acho que dá, sim, para crescer neste ano – pondera o presidente do Simers.

No caso do RS, o atual quadro de estiagem, com perdas estimadas sobre a produção de grãos de verão, preocupa. Mas está longe de ser, neste momento, terra arrasada. O Estado é destino de 11% da produção. Bier acrescenta que uma das solicitações da indústria para este ano é a revisão do juro das linhas voltadas ao segmento:

– Historicamente, era metade da Selic, a taxa básica. Hoje, chega a ser mais do que o dobro em algumas linhas.

gisele.loeblein@zerohora.com.br 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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