CAMPO ABERTO | INCRA TEM 12 PROCESSOS DE COMPRA DE TERRA NO RS

Fosse levada adiante a determinação de paralisar a aquisição de terras com fins de reforma agrária, 12 processos atualmente em andamento na superintendência do Instituto Nacional para Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Rio Grande do Sul seriam afetados. Novo memorando emitido ontem, no entanto, coloca os trâmites de volta à normalidade. Pelo menos por enquanto.

Em nota, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) disse aproveitar o momento em que o assunto voltou ao debate para "reafirmar a importância da reforma agrária para o desenvolvimento rural sustentável e solidário, para a produção de alimentos e para a diminuição das desigualdades" no país.

– Nós acompanhamos muitos processos de desapropriação nos Estados e estávamos preocupados com a possibilidade de suspensão das ações. Essa revogação nos dá tranquilidade para seguirmos nosso trabalho e luta por reforma agrária justa, massiva e participativa – observou Elias Borges, secretário de Política Agrária da entidade.

No Estado, segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), cerca de 2 mil famílias estão acampadas, esperando por reforma agrária.

O tema é um dos muitos pontos sensíveis na pauta do governo federal. Na semana passada, a mudança da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Incra para a pasta da Agricultura havia causado polêmica.

Entre os críticos, a avaliação é de que há conflito de interesse em colocar temas como a demarcação de terras indígenas e a reforma agrária na mesma pasta que defende os interesses dos produtores rurais. A nomeação do ruralista Luiz Antonio Nabhan Garcia, presidente da UDR, para a Secretaria Especial de Assuntos Fundiários, foi considerada controversa.

Sem nenhum fato novo, o acesso e a distribuição de terra são, por si só, complexos. Palavras e ações precisam ser precisas e responsáveis para evitar inflar ainda mais assunto tão sensível.

Com escolha da nova presidência marcada para 25 de março, Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) dá andamento ao processo. Ontem, a comissão eleitoral, presidida por José Roberto Pires Weber, esteve reunida para análise de documentos das duas chapas inscritas. Serão solicitados alguns esclarecimentos aos representantes para a divulgação da nominata dos concorrentes.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora