CAMPO ABERTO – IMPASSE DO 2,4-D PRECISA SER RESOLVIDO ANTES DA SAFRA

Desde a confirmação do resíduo do herbicida 2,4-D em outras culturas que não a da soja, onde é aplicado, passaram-se quatro meses. E a julgar pelos desdobramentos, pouco se avançou na solução. As tentativas de conciliação resultaram infrutíferas e as divergências quanto ao que fazer têm se mostrado insuperáveis. Produtores de soja querem regulamentação e treinamento. Os das culturas afetadas não abrem mão da suspensão do uso.

No final de fevereiro, foi criado grupo de trabalho sob a supervisão da Secretaria da Agricultura, mas não há sequer data para o primeiro encontro. O simples documento de instalação foi alvo de críticas, porque deixou de nominar para composição entidades de produtores afetados pelo problema.

Agora, com a colheita se encaminhando para o final, relatórios feitos por associações de produtores de uva e de maçã mostram prejuízos colhidos no campo (leia mais na página 11), possivelmente relacionados à deriva do produto – o levantamento não foi coletado necessariamente de produtores com laudos positivos para presença do 2,4-D. O material servirá de argumento para o Ministério Público. Reunião com titular da Agricultura deve ocorrer na próxima terça.

E enquanto os dias avançam, o calendário para o plantio da próxima safra encurta.

É provável que produtores voltem a semear suas lavouras e plantações sem que se tenha uma definição. Ou, em outro cenário, igualmente preocupante, poderão fazer o plantio em meio a batalha judicial.

Em um assunto tão delicado, que colocou em lados opostos produtores de soja e de culturas diversificadas, a cautela é sempre muito bem-vinda, mas não pode fazer as vezes de morosidade.

Até porque, os laudos vieram no ano passado, mas as suspeitas de deriva são anteriores a isso. Ou seja, produtores impactados estão há muito aguardando ação por parte das autoridades.

Deixar para decidir em cima do laço é abrir espaço para tornar o problema ainda maior. O que vai acontecer, por exemplo, se a suspensão sair quando o produtor de soja já estiver com estoque do herbicida? O que vai fazer o vinicultor se tiver de encarar outro ciclo de investimentos comprometidos por produto aplicado em cultura alheia? São perguntas que precisam de respostas.

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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