CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • UMA INDIGESTA NOTÍCIA PARA O VINHO GAÚCHO

    Em meio ao feriado, o consumidor gaúcho teve de sorver notícia nada agradável: o Ministério da Agricultura detectou a presença de antibiótico em vinhos de mesa. Treze vinícolas estão na mira da investigação da superintendência estadual do órgão.
    Como os nomes das empresas não foram divulgados, a incerteza sobre a prática acaba pairando sobre todas as indústrias. Fica um estigma para um setor que batalha, ano a ano, pela preferência do brasileiro – ávido consumidor de marcas estrangeiras.
    A exemplo do leite, a produção do vinho está sujeita às fiscalizações federais e estaduais. Pois o equipamento que permitiu a identificação da natamicina, substância antifúngica, só foi obtido pela superintendência do ministério no ano passado.
    E o Laboratório de Referência Enológica (Laren), vinculado à Secretaria da Agricultura, ainda não tem o equipamento capaz de rastrear o uso de antibiótico. Ou melhor, o aparelho existente não tem potência necessária para detectar a natamicina, explica o secretário de Agricultura, Claudio Fioreze.
    Um projeto de US$ 4 milhões para a modernização da estrutura já foi encaminhado ao Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul (Focem). Recebeu o sinal verde da unidade técnica nacional e, em fevereiro, foi encaminhado ao Comitê Permanente de Representantes do Mercosul, em Montevidéu. O prazo formal para avaliação é de 60 dias. Para que os recursos cheguem ao Estado – que deve apresentar uma contrapartida de 10% –, é preciso, por fim, aval da cúpula do Mercosul.
    – Estimamos que até o final do ano a gente tenha o equipamento – afirma José Candido Motta, gerente de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura.
    Nessa situação, há ainda que se considerar: a natamicina, que ajuda a prolongar a conservação da bebida, tem uso proibido no vinho, mas é usada em alimentos como queijo. E a sua presença não seria exclusividade do produto gaúcho. Rótulos argentinos e sul-africanos que continham a substância já foram rejeitados pela Alemanha.

  • BONS NEGÓCIOS ARMAZENADOS

    Entre os destaques da Agrishow, feira que termina hoje em Ribeirão Preto (SP), estão os projetos de armazenagem. No ano em que o Brasil deve produzir safra de mais de 190 milhões de toneladas de grãos, os silos são protagonistas no pós-colheita.
    Indústrias do setor guardam suas expectativas de bom desempenho na manutenção do Programa para a Construção e Ampliação de Armazéns, lançado no último Plano Safra e que soma R$ 25 bilhões em cinco anos.
    – Todos os investimentos em armazenagem estão lincados com financiamentos – avalia José Luiz Viscardi, diretor de vendas e marketing de armazenagem da GSI Brasil.
    Até ontem, a empresa, que desde 2011 faz parte do portfólio da AGCO, registrou alta de 22% nas solicitações para projetos na Agrishow.
    O déficit de armazenagem é estimado em até 40 milhões de toneladas no país.
    – A maior carência está no Centro-Oeste e no Mapitoba – avalia Viscardi.
    Na primeira região, a escassez tem relação com volume, já que Mato Grosso é o maior produtor nacional de grãos. Na área onde estão Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, justifica-se pelo avanço de área plantada e produtividade.
    Com participação de 6% a 7% do mercado de sistemas de armazenagem, a GSI acaba de entregar projeto de peso: os silos do recém-inaugurado complexo portuário da Bunge em Barcarena (PA), com capacidade de 64 mil toneladas.

  • CONVÊNIO LONGE DA CONTROVÉRSIA

    Sem entrar na polêmica sobre a criação de uma segunda instituição dedicada ao setor, integrantes do Instituto Gaúcho do Leite (IGL) comemoram decisão aprovada em assembleia. A entidade irá organizar o 13º Congresso Internacional do Leite.
    O plano de trabalho também recebeu aval dos presentes – 31 das 35 associadas.
    O próximo passo é finalizar o convênio com a Secretaria da Agricultura, que permitirá utilizar recursos do Fundo Estadual do Leite. Conforme Ardêmio Heineck, consultor da Câmara Setorial do Leite, falta entregar um documento à secretaria, que encaminha o processo.

  • O ministro da Agricultura, Neri Geller, tem visita marcada para o Estado na próxima segunda-feira. Em Vacaria, deve anunciar o Rio Grande do Sul como zona livre da Cydia pomonella, praga que ataca as maçãs.

  • Com estimativa de bater novo recorde de produção neste ano, a colheita de soja gaúcha se aproxima do fim. Conforme a Emater, o percentual chega a
    90%
    do total da área cultivada no Estado – quase cinco milhões de hectares. A produção é estimada em 13,2 milhões de tonelada.

Fonte: Zero Hora

01 de maio de 20140

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *