CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein UMA CAIXINHA DE SURPRESAS

 

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    Ficou mesmo para o último dia a certeza sobre os negócios encaminhados ao longo da Expodireto-Cotrijal, em Não-Me-Toque. Até ontem, ninguém arriscava um palpite seguro sobre o volume de propostas recebidas. Se de um lado pesava a percepção de que a instabilidade econômica e política pudesse minar a confiança do produtor mesmo com a colheita farta, do outro cogitava-se a possibilidade de resultados iguais ou até um pouco acima dos R$ 2,18 bilhões de 2015.
    – O momento deste ano é diferente. Existe uma precaução – opina Ênio Schroeder, vice-presidente da Cotrijal.
    Nem mesmo o tempo foi padrão. Os dias de forte calor e sol típicos do período do evento foram alternados com chuva intensa e temperaturas mais amenas. E embora intimidem a presença dos visitantes, as precipitações podem fazer bem aos negócios, porque nesses dias o produtor não consegue entrar nas lavouras para aplicar produtos ou realizar a colheita.
    Eduardo Nicz, gerente comercial da New Holland para a Região Sul, comenta que poderá haver uma surpresa positiva nos resultados, alimentada pela projeção de safra recorde:
    – No agronegócio não tem crise, só que essa atmosfera econômica e política acaba gerando a dúvida. Mas a safra carregada é um ponto positivo.
    Dados apresentadas ontem por IBGE e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reforçam as projeções de novos recordes no país e no Rio Grande do Sul. A colheita brasileira de soja fica acima das 100 milhões de toneladas em ambos os levantamentos. Para o Estado, IBGE prevê recordes 16,1 milhões de toneladas, alinhado com o resultado previsto nesta semana pela Emater. Conab tem uma perspectiva mais contida, de 15, 24 milhões de toneladas (veja quadro).
    Quando os resultados saírem, hoje, será possível saber se o que predominou foi a confiança na colheita ou a retranca, que envolve ainda a questão do crédito. É importante lembrar que a grandeza da Expodireto vai além dos números. Neste ano, mais do que nunca, os debates e as inovações tecnológicas apresentadas serão a grande marca da feira.

  • SABOR DE CASA

    Para o público que vai à Expodireto-Cotrijal, a parada no pavilhão da agricultura familiar é obrigatória. O espaço, neste ano reforçado com mais 43 expositores, somando 220 no total, tem de suco a artigos de lã de ovelha. São 65 pontos de artesanato, 10 de flores e 145 agroindústrias.
    A estimativa é de que as vendas cresçam de 5% a 10% na comparação com 2015, quando somaram R$ 854 mil. No balanço parcial dos resultados – com dados dos três primeiros dias da feira –, a comercialização dos produtos chegava a R$ 453 mil, um pouco abaixo do registrado em igual período do ano passado. Para Dionatan Tavares, diretor de agricultura familiar e agroindústria da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), esse resultado reflete um pouco o efeito da chuva, que diminuiu o número de visitantes na quarta-feira.
    Ainda assim, ele estima que o faturamento final irá crescer, passando de R$ 900 mil. Para 2017 não está prevista, no entanto, nova ampliação do número de expositores.
    – Não tem como superar. Vamos inclusive avaliar como ficou o espaço para os estandes neste ano – explica Tavares.
    Na edição de 2016, a SDR – organizadora das atividades do pavilhão ao lado de Cotrijal, Emater, Fetag-RS e Fetraf-RS – aplicou R$ 200 mil para viabilizar a ida, sem custos, dos produtores, dentro das ações de apoio à comercialização dos produtos das agroindústrias do Estado.

  • EFEITOS DE UM GIGANTE

    Na velocidade do avanço do PIB per capita, que saltou de US$ 300 em 1980 para US$ 13,8 mil, a China ampliou a sua participação no mercado global no período. O apetite do país asiático abriu oportunidades e impulsionou os embarques do agronegócio brasileiro. O crescimento chinês e o impacto sobre o setor foram tema do Campo em Debate promovido ontem por Zero Hora na Expodireto.
    – O aumento da renda média promoveu uma mudança na dieta do chinês – explicou Ataides Jacobsen, professor da Universidade de Passo Fundo (UPF) e um dos debatedores.
    Coordenador da área internacional da feira, Evaldo Silva Junior lembra que a primeira participação dos chineses na Expodireto foi em 2007. Neste ano, a desvalorização do real deixou o agronegócio brasileiro mais competitivo.
    – Os estrangeiros, inclusive os chineses, passaram a buscar neste ano investimentos, como terras para plantio e empresas para comprar – explica Junior.

  • NO RADAR

    A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, defendeu a prorrogação do prazo para o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que termina em 5 de maio. Ela disse que “não dará tempo de cadastrar todo mundo” e apontou a possibilidade de uma medida provisória, caso nova lei não seja aprovada no Congresso.

  • TIME NO CAMPO

    Com R$ 250 milhões em crédito à disposição na feira, volume três vezes maior do que nos anos anteriores, o Santander mostrou que quer brigar pelo agronegócio. O banco reforça o time para ampliar a presença no segmento – mais de 20 agrônomos foram contratados recentemente.
    – Estamos na contramão do mercado, reforçando a equipe de atendimento – afirma Carlos Aguiar Neto, superintendente de agronegócios do Santander.
    Sobre a reclamação constante dos produtores, de que os bancos estão na retranca para a liberação de recursos, o executivo diz:
    – Somos seletivos na qualidade do produtor. Prefiro olhar a qualidade técnica do que a renda.

  • Fonte : Zero Hora

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