CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein UM DECRETO, UM PROJETO E MUITAS PREOCUPAÇÕES

 
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    Um dos poucos segmentos com bom desempenho em 2015 no Brasil, o agronegócio tem um termômetro muito sensível a mudanças. Qualquer elemento capaz de desequilibrar a estabilidade conquistada provoca, literalmente, uma reação em cadeia.
    É por isso que dois assuntos relativos a impostos têm trazido inquietação a indústrias do setor. Uma das fontes de preocupação é o decreto 52.392 do governo estadual. Publicado lá em junho, está surtindo efeito agora.
    Na prática, o documento prevê o fim da vigência da tributação diferenciada para insumos agropecuários após 31 de dezembro de 2015. Entram nessa lista itens como sementes, trigo, adubos, fertilizantes, entre outros. Representantes de indústrias e parlamentares se mobilizaram porque temiam prejuízo irreparável.
    – Deixa todo o setor preocupado – diz Airton Roos, CEO da Roos Sementes.
    Conforme a secretaria da Fazenda, os incentivos para insumos agrícolas eram permanentes. Em maio, no entanto, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) determinou que não poderia haver benefícios fiscais sem data-limite. Foi por isso que o decreto saiu, mas a validade deverá ser prorrogada para abril de 2017.
    O governo tem, segundo a pasta, a intenção de manter o benefício. Outro assunto, esse sim ainda em discussão, é o Projeto de Lei 214. Parte dos ajustes feitos com o objetivo de ampliar a arrecadação do Estado, o documento do Executivo propõe a redução de 30% da apropriação do crédito presumido – que atualmente é de 100%.
    O texto está na Comissão de Constituição e Justiça, à espera do parecer do deputado Elton Weber (PSB). O parlamentar se reuniu com representantes de diferentes indústrias e já sinalizou que deverá fazer emendas ao texto, embora ainda não tenha desistido da retirada do projeto.
    O efeito dessa lei é tido como devastador porque, diante da guerra fiscal entre os Estados, coloca produtos gaúchos como aves, suínos e leite em condições desiguais frente a competidores fortes – e diretos – como Paraná e Santa Catarina.

  • EXPORTAÇÕES ENCORPADAS

    Dois representantes da indústria de leite do Estado integram a missão brasileira que está na China até quinta-feira, buscando abrir de vez o caminho dos negócios.
    Os chineses deram, em setembro deste ano, o aval para a inédita importação de produtos lácteos brasileiros. Com esse cliente de peso, a projeção é de que as exportações brasileiras possam ganhar acréscimo de US$ 45 milhões ao ano. Na semana passada, o Ministério da Agricultura publicou circular com os requisitos para a exportação. A ministra Kátia Abreu está em um giro por diversos países e também faz escala na China.
    – A ideia é sedimentar esses canais de exportação e também contatos comerciais – afirma Guilherme Portella, diretor de assuntos regulatórios e relações institucionais da Lactalis e vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat-RS).
    A China tem interesse em leite em pó, whey protein, leite condensado e manteiga. Mais do que isso, tem um apetite e tanto: é o maior importador mundial de lácteos.
    – Eles têm preços razoáveis e compram volumes importantes – acrescenta Portella.
    Com essas credenciais, o país asiático também ajudaria a equilibrar a oferta do produto no mercado interno brasileiro. Segundo maior produtor nacional – foram 4,68 bilhões de litros em 2014, segundo o IBGE –, o Rio Grande do Sul tem muito interesse em chegar do outro do lado do planeta. Portella estima que os embarques possam começar, de fato, dentro de quatro a seis meses.

  • ENTRESSAFRA E AJUSTE DE CÂMBIO

    O reflexo do período de entressafra e da alta do câmbio apareceu tanto nos custos quanto nos preços recebidos pelo produtor no mês de outubro. É o que mostram os índices da inflação do agronegócio, dado medido pela assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
    Os custos tiveram uma desaceleração em relação ao mês anterior, crescendo apenas 0,11%. Por outro lado, os preços recebidos avançaram 6,68%, chegando ao quarto mês seguido de altas, puxado por aumentos expressivos de carnes e grãos.
    – Subiram de maneira consistente, por causa da entressafra. Mas vale lembrar que isso é apenas medição da variação de preço, não reflete rentabilidade do produtor – explica Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul.
    No acumulado do ano, no entanto, os custos acumulam 11,37% de alta, a maior registrada desde o início da série (veja tabela abaixo). A título de comparação, o IPCA teve aumento de 8,52% no mesmo período. Os preços recebidos acumulam no ano alta de 20,3%.

  • COM INÍCIO DOS TRABALHOS PREVISTOS PARA HOJE, A CPI DA FUNAI E DO INCRA, EM BRASÍLIA, TAMBÉM ESTARÁ EM DISCUSSÃO NA REUNIÃO-ALMOÇO DA FRENTE PARLAMENTAR DA AGROPECUÁRIA.

  • NO RADAR

    SEGUEM as contratações de trabalhadores para a retomada, a pleno vapor, dos abates da Marfrig no frigorífico de bovinos em Alegrete. Representantes da empresa serão recebidos na quinta-feira pelo governo do Estado para um reunião na qual serão tratadas questões ainda pendentes. A unidade vinha operando de maneira reduzida.

  • R$ 3,44BILHÕES

    foi o lucro líquido obtido pela JBS no terceiro trimestre de 2015, crescimento de 215% na comparação com o mesmo período de 2014, quando a companhia regsitrou com lucro de R$ 1,1 bilhão. O lucro líquido ajustado da JBS no período foi de R$ 4,2 bilhões, considerando o não desembolso de R$ 805,3 milhões referente à amortização do ágio no Brasil.

  • ANGÚSTIA DO ATRASO

    O tempo está no foco das preocupações dos produtores de soja do país nesta etapa do ciclo. Conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o excesso de umidade tem impedido os trabalhos de preparação do solo e semeadura. A área cultivada chegou a 20% na semana passada no Estado, 17 pontos percentuais abaixo do registrado em anos anteriores.
    – O plantio está deixando o produtor angustiado. A janela de novembro é a melhor. Há tanta umidade que atolamos trator até no alto das coxilhas – pondera Décio Teixeira, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja-RS).

  • Fonte : Zero Hora

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