CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein TESOURA PASSOU MAIS AFIADA NO SEGURO

 
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    O efeito do El Niño sobre a produção brasileira no atual ciclo reforçou a urgência em se criar um novo modelo para o seguro rural no país, capaz de garantir a renda e não apenas a cobertura de intempéries. Para complicar ainda mais a equação, o modelo vigente ficou comprometido diante dos sucessivos cortes de verbas no orçamento da União.
    No Rio Grande do Sul, o cobertor curto dos recursos para a subvenção fez com que produtores duramente atingidos pelo mau tempo, como os vitivinicultores, ficassem na mão justamente no momento em que mais precisavam. Sem contar com a contrapartida do governo federal, estão tendo de arcar com os custos das parcelas, apesar das perdas que, em alguns casos, chegam a 65%. A opção é pagar ou pagar. Se ficarem inadimplentes, não poderão acionar o benefício do seguro rural.
    É verdade que, como pontuou Vítor Ozaki, diretor do departamento de crédito, recursos e riscos do Ministério da Agricultura, seguro é diferente de subvenção. O segundo faz parte, mas não é a totalidade do primeiro.
    – O governo deve dar uma colher de remédio, mas não o pote todo – afirmou, em audiência pública da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado sobre o tema, realizada na Expodireto-Cotrijal.
    O problema é que a falta de dinheiro para o subsídio impacta diretamente o ânimo do agricultor em seguir investindo no mecanismo. E para reduzir as taxas, é preciso massificar o seguro. A concentração de risco em uma determinada região aumenta as tarifas.
    – Precisamos realmente de mais verba, não dá para faltar recurso – afirmou Laura Emília Dias Neves, diretora-executiva da AgroBrasil, operadora de seguro agrícola.
    O valor considerado ideal pelo Ministério da Agricultura para segurar 100% do custeio seria de R$ 1,1 bilhão. Neste ano, a quantia prevista para a subvenção era de R$ 741 milhões. Ficou em R$ 400 milhões depois da tesourada no orçamento da pasta.
    – O corte total do ministério foi de 27%. No seguro, foi maior, 46% – observou Elmar Konrad, presidente da comissão de crédito da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
    A comissão do Senado, presidida pela senadora Ana Amélia Lemos (PP), irá analisar a possibilidade de um projeto de lei para tratar da questão.

  • INVESTIMENTO EM SINCRONIA COM OSLO

    Com um investimento de R$ 1 bilhão previsto para o Estado (que inclui expansão da unidade no porto de Rio Grande, na foto abaixo), o presidente da Yara Brasil, Lair Hanzen, desembarca na próxima quinta-feira em Oslo, na Noruega, onde fica a sede da multinacional. O executivo, que agora acumula também o cargo de vice-presidente sênior global da marca, voltará a conversar sobre o projeto.
    A empresa fará nova avaliação e pode estipular um prazo para que se tenha uma definição sobre a iniciativa.
    Sem a segurança entendida como necessária para a execução, a multinacional poderia deixar o investimento para o próximo ano.
    A Yara busca garantias da manutenção dos atuais parâmetros de impostos nas vendas interestaduais – decreto estabelece redução de 75% da base de tributação. Para isso, vem negociando com o governo do Estado. No ano passado, quando o CEO da Yara, Svein Holsther, esteve no Estado, a meta era ter uma definição sobre o projeto ainda no primeiro semestre de 2016.

  • NO RADAR

    POR ENQUANTO, não há indicativo de que a proposta das indústrias de máquinas e implementosdo RS para feiras do setor bianuais irá vingar. Nem o recuo nas propostas no Show Rural, no Paraná, e na Expodireto, em Não-Me-Toque,faz com que os organizadores e a Abimaq cogitema ideia.

  • MODELO DE PREVENÇÃO EM OUTROS CONTINENTES

    Não foi só no segmento do agronegócio que a vinda de delegações estrangeiras, na Expodireto-Cotrijal, resultou em parcerias. Um acordo de cooperação entre cinco países (Panamá, Nigéria, Sudão, Zâmbia e Malawi) e o Corpo de Bombeiros prevê ações de treinamento.
    O próximo passo, explica o major Romeu Rodrigues da Cruz Neto, comandante da escola de bombeiros, será os países definirem se enviam missões ao Estado, para o treinamento aqui, ou se os bombeiros irão até esses locais.

  • Desvalorização do real, contrabando e dificuldade de obtenção de crédito são as razões apontadas pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) para o recuo de 21,56% nas vendas dos produtos no país em 2015, somando um total de US$ 9,6 bilhões.
    O resultado brasileiro teve impacto também no cenário global, onde o recuo fechou em 9,8%, com a comercialização alcançando US$ 54,6 bilhões.

  • COMPENSAÇÃO OLÍMPICA

    Vem de dois projetos desenvolvidos no campo parte da compensação para a emissão extra de carbono durante o período da Olimpíada. Uma das patrocinadoras do evento, a empresa de químicos Dow mantém desde os jogos de inverno de Sochi uma parceria com o Comitê Olímpico Internacional para a mitigação de gases causadores do efeito estufa.
    Na competição, são 500 mil toneladas a mais, efeito de construções, movimentação dos atletas e veículos. Para se ter uma ideia, esse volume equivale a dois meses inteiro de uma cidade do tamanho do Rio de Janeiro.
    Mais de 50% da compensação a ser feita pela empresa virá dos projetos-pilotos já em andamento no Mato Grosso, explica Roberto Risolia, líder de sustentabilidade da Dow AgroSciences. Um é na área de agricultura de precisão, para uso mais eficiente de insumos na produção de grãos (foto acima). O outro, tem foco em pecuária. É um trabalho que inclui, entre outras ações, a recuperação de pastagens degradadas.
    – O legado que fica vai além da questão de carbono – afirma Risolia.
    As duas iniciativas passarão pelo crivo de uma auditoria internacional, que verifica a compensação e tem prazo até 2020 para a entrega dos relatórios. Antes da Olimpíada Rio 2016 começar, a empresa já deve ter um balanço prévio das ações.

  • Fonte : Zero Hora

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