CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein RITMO FRENÉTICO ATRELADO AO CÂMBIO

 

  •  

    Com volume 19,96% superior exportado nos primeiros nove meses do ano, o agronegócio gaúcho teve na valorização do dólar frente o real o colchão para amortecer a queda da receita, que foi de 8,39% no mesmo período quando somou US$ 9,07 bilhões. E é o câmbio que seguirá determinando o comportamento dos embarques para os últimos meses do ano.
    Principal produto da pauta do Rio Grande do Sul, a soja teve quantidade 20,64% superior negociada com o mercado externo nesse período, considerando todo o complexo e não apenas o grão. Apesar disso, o faturamento caiu 9,79%, como mostram dados compilados pela Federação da Agricultura do Estado. Reflexo da desvalorização de 25,72% do grão no mercado internacional, no acumulado do ano.
    O impacto desse recuo só não está sendo sentido com força porque, em reais, os preços continuam sendo atrativos por causa da valorização da moeda americana. E para efeitos de PIB, também é o valor na moeda brasileira que interessa.
    – O câmbio esteve bastante apreciado, mas já cedeu. Se descer ainda mais, haverá dificuldade em manter o ritmo das exportações, que é frenético. No que a taxa cair, a gente perde competitividade – entende o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz.
    No caso do arroz, não está apenas no câmbio a explicação para o desempenho fora da curva no mês de setembro – alta de 67,76% em receita e de 178% em volume na comparação com igual mês de 2014. Houve uma mudança de cenário que favoreceu as vendas para o mercado externo. O preço internacional do cereal vem subindo – e no acumulado do ano, teve recuo de 7,46%, bem inferior ao da soja. A combinação dessa alta com maior volume embarcado e valorização do dólar explica o salto dado pelo arroz.
    A recente sinalização dada pela Nigéria, importante mercado para o produto gaúcho, de que derrubará as sobretaxas que inviabilizavam a entrada do arroz no país africano, também deverá servir como estímulo.
    O desempenho do agronegócio deve ajudar a amortecer a queda na economia do Estado e do país. Só não conseguirá evitar o tombo.

  • COM BANDEIRA DEFINIDA

    A lentidão na reforma agrária fez com que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) optasse pela retomada de antiga estratégia. De domingo para cá, três áreas foram tomadas no Rio Grande do Sul: uma em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, em Pelotas e em São Lourenço do Sul, ambas na Região Sul. No total, 1,3 mil pessoas estão nesses locais.
    – É uma retomada mais ativa das ocupações, tem um grande número de famílias acampadas. A reforma agrária no Brasil sempre foi lenta, hoje não está diferente – avalia João Onofre Sziminski, da diretoria do MST.
    Atualmente, existem 2,3 mil famílias acampadas no Estado, segundo cadastro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), à espera de terra. Ontem, representantes do MST estiveram reunidos com o superintendente regional do órgão no RS, Roberto Ramos.
    – Não temos restrições de recursos. O gargalo são os instrumentos para a obtenção de terra – afirma Ramos, sobre os entraves para o avanço do processo de reforma agrária.
    A terra pode ser destinada a essa finalidade via desapropriação de imóveis improdutivos, caso cada vez mais raro, ou por compra. Nessas situações, afirma o superintendente, o primeiro passo é que o proprietário faça a oferta. E nem sempre há interesse, já que os pagamentos são feitos via títulos da dívida agrária, em cinco anos, com carência de um.
    Um novo cronograma nacional para assentamentos está pendente de resposta do governo federal à proposta que altera a forma de pagamento de compra e venda.

  • OS LOCAIS OCUPADOS

    -Livramento: área de 700 hectares, onde estão 400 pessoas. Proprietário é desconhecido dos registros do Incra.
    -Pelotas: área de 7 mil hectares próxima à colônia de pescadores, dos quais 200 são foco do pedido de reforma. Duzentas pessoas estão no local. Incra chegou a apresentar proposta para compra aos proprietários em 2014.
    -São Lourenço do Sul: área de 608 hectares, registrada em nome de empresa, onde estão 700 pessoas.

  • NO RADAR

    A LIBERAÇÃO de crédito para casas no meio rural mobilizou agricultores que ontem ocuparam o Ministério das Cidades em Brasília. Em reunião com o ministro Gilberto Kassab, o governo sinalizou, entre outras coisas, com R$ 20 milhões para pagamentos de passivos de obras já em andamento.

  • O SEGUNDO LEILÃO DE ARROZ EM CASCA NA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS ESTÁ MARCADO PARA AMANHÃ. PARTE DO PROGRAMA ARROZ NA BOLSA, PARCERIA COM FEDERARROZ, IRGA, EMATER E BANRISUL, TERÁ OFERTA DE 75,4 MIL SACAS DO PRODUTO.

  • MERCADO COMPRADOR

    Segue a rodada de bons resultados nas pistas da temporada de primavera do Estado. No remate Touros da Fronteira, em Santana do Livramento, a pista limpa à oferta de 175 animais da raça angus rendeu R$ 1,18 milhão. Nos touros PO, a média ficou em R$ 11,55 mil. O lote mais valorizado foi o melhor touro rústico PO da Expointer, Cantagalo Network, que saiu por R$ 20 mil. O leilão reuniu AML Agropecuária, Cantagalo, Santa Inês, São Miguel Sarandy, Santa Rita/Diamante e Sigma
    – O mercado está comprador – avalia o proprietário da Cantagalo, Carlos Renato Ferreira.

  • Fonte : Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *