CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein RECURSOS GARANTIDOS, NEM QUE SEJA NA JUSTIÇA

 
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    Diante da falta de dinheiro para a subvenção do seguro rural, produtores do Rio Grande do Sul não descartam a hipótese de entrar na Justiça contra o governo. A medida é considerada um último recurso, mas já é analisada por sindicatos do Estado.
    Antes, a aposta é de que a boa e velha pressão possa surtir efeito nos gabinetes de Brasília. Representantes de entidades vão hoje à capital federal, onde baterá à porta dos ministérios da Fazenda e da Agricultura, a exemplo do que fez na semana passada a Federação da Agricultura do Estado (Farsul). O grupo que tenta a sorte hoje vai estar liderado pelo presidente da Frente Parlamentar da Vitivinicultura e da Fruticultura na Assembleia Legislativa, deputado Elton Weber (PSB). As cifras destinadas ao subsídio em 2015 são coisa do passado, embora o ano não tenha terminado ainda. Ou seja, acabaram. E a menos que o governo decida realocar recursos, a conta vai parar direto no bolso do produtor.
    – Não podemos ficar mais uma vez no prejuízo. Neste momento, o agricultor está sem saber o que fazer – diz Inês Fagherazzi, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bento Gonçalves, Santa Tereza, Monte Belo do Sul e Pinto Bandeira.
    Segundo a dirigente, nem metade dos produtores desses municípios foram contemplados com recursos da subvenção. Grande parte de propriedades familiares e dedicados ao cultivo de uva, se veem com dificuldades para honrar as parcelas que deveriam ser bancadas pelo governo do seguro contratado – que giram em torno de R$ 2 mil, mas podem chegar a até R$ 6 mil.
    As perdas causadas à produção pelo clima – entre 50% e 60% na média, mas podendo chegar a 95% em algumas propriedades – deixam o produtor em um beco sem saída. Com custos em alta e produção em baixa, tem dificuldade em honrar um compromisso que, em tese, não é seu. Se não pagar, não recebe o prêmio.
    – O seguro é muito mais importante do que qualquer outra política pública voltada ao agronegócio – avalia Olir Schiavenin, vice-coordenador da Comissão Interestadual da Uva.

  • SOB O OLHAR JAPONÊS

    Missão de técnicos japoneses deve desembarcar no Brasil no período de 7 a 11 de dezembro, fazendo uma escala no Rio Grande do Sul. Conforme informações da superintendência do Ministério da Agricultura no Estado, o frigorífico Pampeano, da Marfrig, localizado em Hulha Negra, deverá passar pelo crivo do grupo no dia 8. A unidade a ser vistoriada trabalha com processados de carne bovina.
    – Essa missão é parte da avaliação de solicitação do levante do embargo da carne bovina termoprocessada – explica Leonardo Werlang Isolan, chefe do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal da superintendência do RS.
    O Japão ainda mantém restrição imposta em 2012, quando o Brasil comunicou oficialmente um caso atípico de encefalopatia espongiforme bovina – doença popularmente conhecida como mal de vaca louca.
    De lá para cá, o governo e entidades como a Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) negociam a retomada das vendas da carne enlatada. A planta de Hulha Negra estava habilitada em 2012. Há cerca de 15 dias uma equipe americana esteve no mesmo frogrífico.
    Fiscais do Serviço de Inspeção Federal (SIF) acompanharão a visita dos japoneses – normalmente um técnico vindo do Ministério da Agricultura, em Brasília, e o que faz a fiscalização permanente na unidade. Ao final da missão, um relatório é elaborado. Entre os itens que serão avaliados estão rastreabilidade e fluxo de insumos.

  • NO RADAR

    MAIS duas operações de fiscalização em frigoríficos deverão ser feitas até o final deste ano pelo Ministério Público do Trabalho no Estado. Ontem, as etapas foram no frigorífico Pampeano, em Hulha Negra, e no Sulpork, em Júlio de Castilhos. Desde o início da força-tarefa, 26 plantas de aves, suínos e bovinos foram vistoriadas, além de uma fábrica de ração.

  • MAIS SALGADA

    Dentro da margem prevista por indústria nacional e supermercados – como apontou a coluna na semana passada –, as aves natalinas deverão ter reajustes de até 13%, segundo levantamento da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).
    O preço médio dos itens produzidos no Estado ficará entre R$ 8,5 e R$ 9,5 o quilo. Na carne de peru, entre R$ 12 e R$ 14 o quilo, valores que representam alta de, no máximo, 13% na comparação com 2014.
    – Temos larga escala de produção, mas o que nos afeta é o aumento de custos que, de alguma forma, deve ser repassado ao preço final dos produtos avícolas – afirma Nestor Freiberger, presidente da Asgav.
    A produção do RS no período deve se manter igual a 2014: 70 mil toneladas de aves especiais e cerca de 22 mil toneladas de carne de peru.

    O preço do leite tipo padrão para o mês de novembro foi projetado em
    R$ 0,8454
    o litro, segundo o Conseleite. O valor é 1,03% maior do que o consolidado do para o mês de outubro, R$ 0,8367. A leve alta, segundo o Sindilat, reflete aumento nos custos, repassada ao produto final, e impacto dos prejuízos causados pelas condições climáticas.

  • O MINISTÉRIO DA AGRICULTURA APRESENTOU ONTEM O PROGRAMA DE VIGILÂNCIA EM DEFESA AGROPECUÁRIA NA FAIXA DE FRONTEIRA. EM CINCO ANOS, DEVERÃO SER INVESTIDOS R$ 125 MILHÕES, PARA FORTALECER AÇÕES NOS 15,7 MIL QUILÔMETROS DE FRONTEIRA DO PAÍS.

  • PROTEGIDO PELA DA TECNOLOGIA

    Debaixo do mau tempo, o produtor começa a recorrer a ferramentas para diminuir prejuízos. A geotecnologia, por exemplo, tem potencial de crescimento no agronegócio, segundo a Imagem, que tem no seu portofólio clientes como a SLC Agrícola e a Cocamar. Há projetos para todos os bolsos, de R$ 10 mil a milhões, garante o geógrafo Abimael Cereda Junior, gestor da área de educação da empresa:
    – Satélite, GPS, softwares, todo esse conjunto de tecnologia ajuda na tomada de decisão. Quanto mais tempo de dados coletados, melhor vou conseguir prever esses eventos.
    O grande desafio é vencer o mito de que tecnologias “são caras e difíceis”, diz o gestor.

  • MODELO PRÓPRIO

    Sem subvenção do governo, mas com seguro próprio da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), os produtores de tabaco sofreram grande impacto financeiro por conta do temporal de granizo e do excesso de chuva.
    Conforme a entidade, considerando apenas as lavouras associadas – 112 mil propriedades – 32,3 mil foram afetadas nos três Estados do sul, sendo 18,2 mil só no Rio Grande do Sul. Os prejuízos ecônomicos chegam à casa dos R$ 90 milhões.
    – Nosso seguro vem de contribuição feita para um fundo. A associação tem uma equipe própria de técnicos, que vão a campo fazer os laudos – explica Benício Werner, presidente da Afubra.

  • Fonte : Zero Hora

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