CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein REALIDADE DIFERENTE

 

  • Ao analisar os resultados das lavouras na palma da mão, produtores gaúchos de trigo confirmam o que entidades ligadas ao setor vêm alertando já há alguma tempo. O resultado da cultura de inverno promete ser tão ou mais desastroso do que o do ano passado. Efeito do tempo, que castigou as culturas do início ao fim do ciclo. É por isso que o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado ontem surpreende.
    Os números, conforme a superintendência regional, refletem avaliação feita nos últimos 10 dias de outubro.
    – No próximo levantamento, teremos dados coletados pelos técnicos a campo. Precisamos ver se essa produção efetivamente recua ou não – afirma Glauto Melo Lisboa Junior, superintendente da Conab no Estado.
    Para a colheita, a estimativa da entidade aponta 1,9 milhão de toneladas, ancorada em um rendimento médio de 2,1 mil quilos por hectare. Realidade muito diferente da vista no campo.
    – Acredito que vamos fechar abaixo de 1,5 milhão de toneladas (volume de 2014). Desse total, acho que não chegamos a 400 mil toneladas com qualidade para panificação – avalia Hamilton Jardim, presidente da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
    Para o também produtor, nem mesmo a região dos Campos de Cima da Serra, última a plantar e a colher no Estado, irá escapar das perdas devido às “chuvas pesadas” agora no final do ciclo.
    Diante desse cenário, a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro) reforça posição já antecipada pela coluna de que pretende debater a regionalização da produção, direcionando as lavouras de algumas áreas do Estado para a exportação. Isso ajudaria a diversificar o mercado e a evitar frustrações em anos como esse, quando a qualidade não permite que o cereal seja aproveitado pelos moinhos brasileiros.

  • INVOCANDO SÃO TOMÉ PARA OS FINANCIAMENTOS DE TERRA

    De tanto esperar para que as novas regras de crédito fundiário entrem em vigor, os produtores familiares estão como São Tomé: precisam ver para crer. A notícia mais recente, vinda do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), traz uma fagulha de esperança de que parte das modificações possa ser colocada em prática ainda em 2015.
    Adhemar Lopes de Almeida, secretário de Reordanemento Agrário do MDA, sinalizou ao deputado Elton Weber (PSB) que a regulamentação tem chance de sair até o final do mês. Essa perspectiva vale para a compra de terra entre herdeiros e a ampliação do teto para renda e patrimônio. Ainda há um impasse a ser resolvido quanto ao aumento do limite a ser financiado e à definição das novas taxas de juro a serem usadas.
    – O Ministério da Fazenda estaria colocando como empecilho a elevada inadimplência que, em alguns Estados podem chegar a 60%. No Rio Grande do Sul, é 20%. Por isso, propusemos novamente que se analise regionalmente essa questão – explica Weber.
    Almeida deve vir ao Estado no dia 3 de dezembro para tratar do assunto. O MDA afirma, por meio da assessoria, que as regras para operacionalização do decreto 8.500 (que trata do crédito fundiário) estão sob avaliação da consultoria jurídica da pasta e que de lá seguirão para aprovação no Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário e no Comitê do Fundo de Terras e do Reordenamento Agrário.
    Para a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), a espera tem sido frustrante – as mudanças são reivindicadas há anos e foram anunciadas pela presidente Dilma Rousseff na Marcha das Margaridas, há três meses.
    – O governo está enrolando com essa questão o ano todo. Agora, fala em colocar em prática até o fim do ano – critica Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS.
    Na prática, os pedidos de crédito para atender à demanda desse setor estão praticamente parados. Como as previsões de agora podem não se confirmar e o mês de dezembro é curto, a perspectiva de poder começar 2016 com as mudanças em vigor já seria, em si, um avanço em relação ao quadro atual.

  • NOVO CASO DE MORMO

    Durante treinamento promovido pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado (CRMV) em Alegrete, o coordenador do Programa de Sanidade de Equídeos da Secretaria da Agricultura, Gustavo Diehl, relatou novo caso de mormo. Assim sobe para 17 o número de animais com diagnóstico da doença.
    O equino teve resultado positivo para o exame de fixação de complemento e morreu antes da realização do segundo teste, com a maleína.
    – Como havia sintoma clínico mais teste positivo de fixação de complemento, o foco foi confirmado – afirmou Diehl, durante o evento.
    O RS tem 13 focos em 12 municípios. Há ainda outras 20 suspeitas que aguardam confirmação ou negativa.
    O Estado registrou o primeiro caso da doença, que afeta equinos mas pode ser transmitida a humanos, em junho deste ano.

  • NA CAPITAL E NO INTERIOR

    Em Porto Alegre, técnicos da Cooperativa de Trabalhos em Serviços Técnicos (Coptec) ocuparam na manhã de ontem a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Queriam reivindicar o pagamento de serviços de assistência técnica prestados e segundo o presidente da Coptec, Álvaro Delatorre, não são pagos desde julho. O valor da dívida é de R$ 1,7 milhão
    Em Candiota, 20 famílias invadiram a Fazenda Aroeira, uma área de 352 hectares.
    – As famílias ocupam a fazenda para que o Incra agilize o processo de aquisição e destine a área para reforma agrária – diz Eurico dos Santos, da coordenação do MST.

  • O mercado dos defensivos agrícolas biológicos deverá crescer entre 15% e 20% nos próximos anos no Brasil, conforme projeção divulgada pela Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico. Ritmo que segue o compasso do período de 2011 a 2014, quando o avanço mundial foi de 15,3%, segundo a CPL Business Consultantes.

  • POR ENQUANTO, os fiscais federais agropecuários não devem retomar a greve. Ficou acertado com o Ministério da Agricultura que um grupo de trabalho será formado para acompanhar o andamento das reivindicações feitas.

  • NO RADAR

    MURCHOU a greve dos caminhoneiros no Rio Grande do Sul. A avaliação do grupo anticrise, que reúne indústrias do agronegócio e tem encontros diários, é de que o movimento está mais fragilizado. Não há um travamento total de cargas, apenas um fluxo mais lento. Para não correr riscos, algumas empresas estão segurando a mercadoria.

  • O MINISTÉRIO DA AGRICULTURA DEVE BATER O MARTELO NA PRÓXIMA SEMANA SOBRE A POSSIBILIDADE DE LEILÃO DE 500 MIL TONELADAS DE MILHO E DE AMPLIAÇÃO DA OFERTA DA VENDA A BALCÃO. O ASSUNTO FOI DEBATIDO EM REUNIÃO COM A CONAB, ONTEM, QUE SE MOSTROU FAVORÁVEL, AFIRMA O DEPUTADO JERÔNIMO GOERGEN (PP).

  • Fonte : Zero Hora

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