CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein QUE ESPAÇO TERÁ O MILHO NA PRÓXIMA SAFRA

 

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    Do ponto de vista técnico, o produtor rural sabe que o plantio do milho em rotação com a soja é fundamental. Mas o bolso pesa na hora de tomar a decisão final. Ainda que nesta safra a rentabilidade do cereal seja maior pela elevada produtividade , a soja costuma fisgar o produtor pela combinação de liquidez e maior estabilidade de preços.
    O Rio Grande do Sul irá colher, mais uma vez, safra recorde de soja. Se o clima seguir cooperando na colheita – que chega a 5% da área total no momento –, serão mais de 16 milhões de toneladas. A supremacia das lavouras do grão nos campos é evidente. Basta circular pelo Interior para encontrar um verdadeiro mar de soja. Na região de Não-Me-Toque, no norte do Estado, onde ocorre a Expodireto-Cotrijal, as plantações vão, literalmente, até a porta das casas.
    – O estímulo para o plantio do milho é o valor pago pelo produto – reconhece o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra.
    A indústria de aves e de suínos é impactada diretamente pela oferta restrita do milho – o Rio Grande do Sul produz menos do que consome. Na tentativa de reverter a queda de área plantada verificada nos últimos quatro anos, o governo estadual deve montar um programa de incentivo ao plantio da cultura. O formato ainda não está definido, mas começa a ser debatido em reunião, amanhã, na Expodireto, pelas secretarias de Agricultura e de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo (SDR).
    – Não temos receita ainda. O produtor observa custo e expectativa de preço. Isso influencia muito na área – avalia Tarcisio Minetto, titular da SDR.
    O bom rendimento deste verão promete ter impacto positivo na próxima safra. Especialistas do setor projetam manutenção e, quem sabe, até leve aumento da área plantada de milho. A consolidação do cultivo passa, necessariamente, pelo fim do efeito sanfona no preço do grão.

  • REDUÇÃO NA DOSE

    Projeto desenvolvido pela Emater, o Lavoura de Resultado mostra que é possível reduzir o uso de agrotóxicos na lavoura e que quantidade não é sinônimo de qualidade. O programa, que monitora 52 unidades de referência tecnológica, mostrou que na região de Ijuí (onde estão quatro unidades), houve diminuição de 52% na quantidade de inseticidas e de 23% de fungicidas aplicados.
    Os resultados completos do trabalho serão apresentados amanhã na Expodireto. O objetivo do programa não é eliminar o uso dos agroquímicos e, sim, garantir a quantidade adequade dos insumos, mantendo a produtividade.
    – É qualidade, especificidade e acompanhamento da aplicação que fazem a diferença – explica Alencar Rugeri, assistente técnico da Emater.
    O monitoramento é feito em parceria com a Embrapa e Massey Ferguson. A fabricante de máquinas irá investir cerca de R$ 200 mil no programa. O próximo passo será o treinamento de 495 técnicos em diferentes municípios do Estado.

  • CAUSOU REPERCUSSÃO A DECLARAÇÃO FEITA PELA MINISTRA DA AGRICULTURA, KÁTIA ABREU, NO TWITTER DE QUE DEVERIA SER PROIBIDO FABRICAR CIGARRO, ACRESCENTANDO QUE DEVE PROTOCOLAR PROJETO DE LEI QUANDO VOLTAR AO SENADO. A ASSOCIAÇÃO DOS MUNICÍPIOS PRODUTORES DE TABACO (AMPROTABACO) EMITIU NOTA DE REPÚDIO.

  • NO RADAR

    O Brasil baterá à porta do México na próxima semana na tentativa de abrir o mercado à carne suína brasileira, com missão liderada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O potencial é grande: anualmente, os mexicanos importam 250 mil toneladas do produto.

  • O Fórum Estadual de Conservação de Solo e Água ganhará um espaço permanente dentro da Expodireto. Ontem, bancos, Sociedade de Agronomia e Secretaria da Agricultura e de Desenvolvimento Rural assinaram termo de cooperação no evento.

  • CONCORRÊNCIA DE GRÃO CHEIO

    A Expodireto-Cotrijal foi escolhida a dedo pela alemã Bayer para o lançamento comercial da soja transgênica Liberty Link. O produto promete mexer com o mercado brasileiro que, durante mais de 10 anos, foi dominado pela Monsanto, detentora da única tecnologia disponível.
    Diretor de negócios de soja da Bayer, Hugo Borsari explica por que a empresa fez a opção de apresentar a tecnologia em solo gaúcho:
    – É pela expressão nacional que a feira tem no país. O segundo motivo é porque o Rio Grande do Sul tem um desafio muito grande no manejo de plantas daninhas de difícil controle e resistentes ao glifosato.
    O modelo de cobrança foi definido: será “direto e exclusivo sobre cada variedade”, afirma o diretor, sem cobrança na moega.
    Para chegar ao produto agora lançado, foram mais de oito anos de pesquisa e milhões de dólares. Borsari desconversa sobre a quantia exata e a meta a ser alcançada.
    – Estima-se que de 30% a 40% das lavouras de soja no país apresentem resistência ao glifosato ou tenham problema de controle de ervas daninhas – diz o executivo.
    A Liberty Link é tolerante ao glufosinato de amônio, princípio ativo do Liberty, produto igualmente desenvolvido pela Bayer – que apresentou também em noite de campo, ontem, a Creedence, marca de soja da multinacional.
    Para o produtor, a entrada de novos players – a Cultivance, variedade desenvolvida pela Basf e Embrapa entrou nesta safra no circuito comercial – traz a oportunidade da escolha.

  • Fonte : Zero Hora

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