CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein PRESSÃO PARA TER NOVAS REGRAS AINDA NESTE ANO

 
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    Dois meses depois da presidente Dilma Rousseff assinar o decreto com alterações há muito esperadas para o crédito fundiário, agricultores familiares ainda aguardam a regulamentação para que as mudanças tenham efeito prático. Foi durante a Marcha das Margaridas, em Brasília, que veio a boa notícia. Pedidos antigos e que, conforme entidades do setor, atravancavam o acesso à terra foram atendidos: ampliou-se o teto da renda anual (de R$ 15 mil bruto para R$ 30 mil líquido) e do patrimônio (R$ 60 mil e R$ 100 mil entre herdeiros).
    Agora, a cobrança vem pela demora na operacionalização dessas alterações. Presidente licenciado da Federação dos Trablhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), o deputado estadual Elton Weber (PSB) vai hoje a Brasília buscar com o secretário de Reordenamento Agrário do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Adhemar Lopes de Almeida, explicações para a demora – a previsão é de que as regras estivessem definidas em setembro.
    – Está andando devagar. Se até o final do ano não sair, vai ser quando em 2016?– questiona Weber.
    Acompanhando de perto o andamento do processo, Alberto Broch, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), diz que, se a regulamentação não sair neste ano, os financiamentos ficarão paralisados.
    No Rio Grande do Sul, levantamento da Fetag-RS mostra que entre 30% e 35% dos pequenos produtores e seus filhos não têm terra. Só no arroz, mais de 35% plantam em terras de terceiros. Por isso, há pressa em fazer com que o novo sistema ande o mais rápido possível.
    – Aguardamos definição para breve – diz Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS.
    Na semana passada, em reunião do Comitê Permanente do Fundo de Terras e do Reordenamento Agrário, foram sugeridas alterações no texto de regulamentação. E criou-se grupo de trabalho para detalhar as propostas feitas, para depois encaminhá-las à aprovação do Comitê Permanente do Fundo de Terras e Reordenamento Agrário.
    Se é verdade que toda alteração de regras requer o máximo cuidado possível, também é fato que a demora na aplicação adia ainda mais a solução de um problema real do Brasil, de acesso à terra.

  • MENOS VOLUMEE QUALIDADE

    A chuva intensa que desalojou milhares de pessoas no Estado também cobrará seu preço à produção. Presidente da Associação dos Produtores da Ceasa, Evandro Finkler relata que a qualidade das folhosas “caiu muito” porque há plantações e até estufas que estão debaixo d’água.
    – Hoje está ruim, não sei quando vai melhorar – avalia Finkler, lembrando que as previsões são de mais chuva para o Estado nos próximos dias.
    Além da qualidade, a quantidade também diminuiu, fazendo o preço subir, afirma.

  • VARIAÇÃO ENTRE PLANTIO E COLHEITA

    As variações cambiais entre o período de plantio e de colheita poderão fazer toda diferença no bolso do produtor gaúcho. Se agora o preço negociado é favorável por causa da valorização da moeda americana frente ao real, ninguém arrisca dizer com certeza como estará na venda em 2016.
    É por isso, e com base na inflação do agronegócio medida mensalmente, que a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) alerta para a elevação dos gastos. No mês de setembro, o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) subiu 3,69% na comparação com o mês anterior, efeito do impacto do dólar na compra de fertilizantes e agroquímicos.
    No acumulado do ano, a alta chega a 11,04% – no mesmo período, o IPCA subiu 7,64%.
    – Não é uma balança que está no meio. Com certeza, estamos plantando a safra mais cara da história – afirma Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul.
    É verdade que o Índice Inflação dos Preços Recebido (IIPR) cresceu 4,96% em setembro e chega a 12,77% no acumulado do ano. Mas é preciso levar em consideração a sazonalidade da atividade, pondera o economista:
    – Estão plantando uma safra com custos maiores, mas não há garantia nenhuma sobre a taxa de câmbio no próximo ano, na colheita.

  • Fonte : Zero Hora

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