CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein – PELA PREFERÊNCIA DENTRO DE CASA

 

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    Em meio à guerra fiscal travada entre os Estados, as indústrias de leite querem garantir que, pelo menos dentro de casa, os itens processados no Rio Grande do Sul tenham preferência à mesa do consumidor. O setor quer apresentar ao governo Sartori, até a primeira quinzena de fevereiro, proposta de tributação diferenciada para produtos de outras unidades da federação.
    – O Paraná protegeu sua produção. Estudamos projeto semelhante, que valorize a indústria gaúcha, dando maior competitividade – argumenta Guilherme Portella, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat-RS).
    Desde o dia 1º deste mês, os paranaenses colocaram o leite UHT no regime tributário diferenciado, dando preferência ao alimento local ao taxar a mais os que têm origem em outros Estados.
    Para entrar no Paraná, indústrias do Rio Grande Sul pagam entre R$ 0,16 e R$ 0,18 a mais, por litro, em imposto. São Paulo e Rio de Janeiro também têm ICMS diferenciado para a produção local.
    Creme de leite e leite condensado seriam incluídos na proposta gaúcha, com o pedido de equiparação à carga tributária com a de outros Estados.
    – A terceira empresa que mais vende leite UHT não tem produção no Rio Grande do Sul. Consideramos uma concorrência desleal – completa Portella.
    Segundo maior produtor do país, o Rio Grande do Sul tem 40% da produção destinada ao mercado interno. Os outros 60% são vendidos fora de casa.
    O desquilíbrio entre produção e consumo de leite tem efeitos muito prejudiciais ao setor, da propriedade à indústria. Foi o que se comprovou em recente crise, que fechou empresas e deixou produtores com pagamentos em haver. Resta saber se o governo comprará essa briga.

  • SOB EFEITO DO CALOR

    O rebanho leiteiro do Estado está pedindo sombra e água fresca. O calor intenso das últimas semanas trouxe efeitos para a produção. Fora da chamada zona de conforto térmico – que fica entre 13ºC e 18ºC –, as vacas ficam, literalmente, sem ânimo para comer.
    E isso se reflete no volume produzido. Conforme a Emater, os relatos feitos até agora apontam redução que varia entre 10% e 15%.
    – Passou faz tempo da zona de conforto térmico. Mas a diminuição na produção varia em cada animal e propriedade – pondera Jaime Ries, assistente técnico estadual da Emater na área do leite.
    Em Augusto Pestana, no Noroeste, onde a média diária de produção é de 100 mil litros, a estimativa é de perdas ainda maiores. Conforme Remí Luís Beck, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, a produção “caiu quase 30%”:
    – Não foi por falta de comida que isso aconteceu, mas pelo estresse causado pelo calor. E isso não se resolve com apenas um dia de chuva.
    O Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat-RS) também percebe redução no volume produzido, embora trabalhe com uma perspectiva bem mais conservadora: a diminuiçaõ estaria na casa dos 3%, resultado da dificuldade de alimentação.
    Algumas estratégias podem ajudar a diminuir os efeitos das altas temperaturas, ensina Ries. No caso dos animais criados a campo, muitos produtores optam por colocá-los no pasto à noite. Outra medida é fornecer água em abundância, além de colocar as vacas em áreas com sombra. Em alguns casos, também é feita a aspersão com água. Nas propriedades em que os animais estão em regime de confinamento, os produtores investem em ventiladores e climatizadores.

  • O CLIMA ERA DE EXPECTATIVA, ONTEM À NOITE, NA COSULATI. A COOPERATIVA AGUARDAVA RESPOSTA DE UMA EMPRESA INTERESSADA EM PARCERIA NA UNIDADE DE AVES, LOCALIZADA EM MORRO REDONDO, NA ZONA SUL. A INICIATIVA É APONTADA COMO ALTERNATIVA CAPAZ DE MANTER AS PORTAS DO FRIGORÍFICO ABERTAS.

  • Resolução publicada ontem no Diário Oficial da União confirma que o governo federal irá ofertar 500 mil toneladas de milho dos estoques públicos em leilões. O primeiro ocorre no dia 1º, com venda de 150 mil toneladas do grão.

  • NO RADAR

    SERÁ QUE adianta? O Ministério da Agricultura se reunirá nesta semana com as seguradoras para solicitar um relatório completo sobre a situação das apólices feitas pelos produtores de uva. O tema é de grande importância para o Estado, que tem redução na colheita estimada pelo setor em 50%. É que faltou dinheiro para cobrir a subvenção paga pelo governo, e as parcelas já começaram a vencer.

  • IRRIGAÇÃO EM QUAL BANDEIRA?

    Uma das vilãs na alta dos custos de produção das lavouras de arroz, a bandeira vermelha cobrada no consumo de energia mudou, pelo menos na teoria. Em dezembro do ano passado, a presidente Dilma Rousseff sancionou lei que dá desconto na cobrança da tarifa para os irrigantes. Na prática, no entanto, ainda há dúvidas.
    O principal questionamento é se há ou não necessidade de regulamentação para que a legislação tenha validade. A Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS) diz que o departamento jurídico está avaliando o texto e, junto com o conselho de consumidores, estuda a possibilidade de adotar uma medida legal. Segundo Henrique Dornelles, presidente da entidade, as empresas estão concedendo, por ora, apenas o desconto do horário reservado – para uso de energia entre 23h30min e 6h.
    – As concessionárias estão enviando as contas com a incidência da bandeira vermelha – afirma o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS).
    Em contato com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ele foi informado de que não há necessidade de regulamentação. Procurado pela coluna, o órgão confirmou, por meio de nota, que na sua avaliação, a lei “é autoaplicável”. Ou seja: está valendo.

  • POLÊMICA ESTAMPADA NA EMBALAGEM

    Nada de vaquinhas felizes ou bebendo leite. Uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está causando polêmica entre as indústrias de leite. Por meio de decreto publicado em novembro, o órgão estabelece novas regras para as embalagens dos produtos.
    Ilustrações “humanizadas” nos rótulos não serão mais permitidas. O argumento é o de que essas figuras estimulariam o consumo de leite por lactentes e crianças pequenas, em detrimento da amamentação materna.
    O prazo para a adaptação é de um ano. As empresas avaliam a possibilidade de entrar com ação direta de inconstitucionalidade, em uma grande mobilização nacional em torno do tema.

    Fonte : Zero Hora

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