CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein PARA DAR ESPAÇO AOMILHO ARGENTINO

 

 

Deve sair nos próximos dias uma definição do governo estadual sobre o pedido da indústria de aves e suínos para diferimento do ICMS na importação de milho da Argentina. Há algumas semanas, um pool de empresas vem se organizando para buscar o produto no país vizinho, tentando diminuir o custo com o insumo utilizado na ração animal.
A solicitação é para que a cobrança do imposto – com alíquota de 12% – seja transferida para o momento da venda do produto industrializado.
– É a suspensão do pagamento na entrada do milho vindo da Argentina, para 500 mil toneladas, ficando a obrigação para a fase seguinte – explica Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul.
A Secretaria da Fazenda está fazendo a análise. A tendência é de que o pedido seja concedido, mas por período e não sobre volume.
Com base nos números do ano passado e na projeção da atual colheita de milho do Rio Grande do Sul – 4,7 milhões de toneladas, conforme a Emater –, a estimativa é de que os gaúchos tenham de trazer de fora (outros Estados ou países) quantidade semelhante à de 2015, quando foi comprada 1,75 milhão de toneladas do grão.
A opção pelo milho hermano tem relação com o preço. No mercado interno, como ficou mais raro, o grão se valorizou. Conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal, nos últimos seis meses, o custo de produção das indústrias de aves e suínos cresceu 23%, parte impulsionado pelo milho – que representa 9% desse avanço.
Outra demanda das indústrias, na esfera federal, refere-se à suspensão do pagamento de PIS/Cofins na importação.

  • NO RADAR

    A VALORIZAÇÃO do real teve impacto sobre a inflação do agronegócio. Calculados pela Federação da Agricultura (Farsul), os índices de custo de produção e de preços recebidos tiveram queda, de 0,67% e 3,93%, respectivamente, na comparação de março com fevereiro.

  • GOSTO DE PRATO PRINCIPAL

    Com um apetite reforçado, a China ajudou a forrar o prato das exportações brasileiras de frango e de suínos no primeiro trimestre deste ano (abaixo). O país asiático ampliou em 52% as compras de frango de janeiro a março deste ano, na comparação com igual período de 2015. No produto suíno, o crescimento foi de 13.991%.
    – A China veio com tudo. Eles querem ampliar a lista de plantas habilitadas para exportar para lá – afirma Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

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    CONFORME O ECONOMISTA DO SISTEMA FARSUL ANTÔNIO DA LUZ, ESSE É O TERCEIRO CICLO SEGUIDO DE INVERSÃO DO PREÇO RECEBIDO PELO PRODUTOR E O PAGO PELO CONSUMIDOR. OU SEJA, ENQUANTO UM DESCE, O OUTRO SOBE. O ÍNDICE DE PREÇOS RECEBIDOS TEM DEFLAÇÃO DE 3% EM 2016. O IPCA ALIMENTOS, ALTA DE 4,65%.

  • R$ 1 BI, ENFIM ATRACADO

    As obras de duplicação da unidade da multinacional Yara em Rio Grande começarão imediatamente, em um projeto a ser executado em três fases, até o ano de 2020. Serão criadas mil vagas diretas e outras 3 mil a 4 mil indiretas no ápice do projeto, em 2017/2018.
    Depois de uma longa negociação, a empresa de fertilizantes decidiu manter o investimento no Estado, estimado em R$ 1 bilhão. A proposta estava pendente de uma garantia, por parte do governo do Rio Grande do Sul, da manutenção das condições tributárias atuais – há crédito presumido de 75% nas vendas interestaduais. Protocolo de intenções firmado ontem estende por oito anos essa medida.
    – Queríamos segurança de que o produto pudesse cruzar as divisas com outros Estados em condições de igualdade – afirmou Lair Hanzen, presidente da Yara no Brasil, em cerimônia realizada no Palácio Piratini.
    Na primeira fase do projeto, a ser executada neste ano, serão aplicados R$ 100 milhões. No período de 2017/2018, serão entre R$ 350 milhões e R$ 400 milhões cada um. E o restante, nos últimos dois anos do cronograma. Os recursos virão de financiamentos do BNDES e da multinacional.
    A ampliação (no detalhe acima, o projeto) permitirá duplicar a capacidade de produção de fertilizantes, hoje de 800 mil toneladas por ano, e de mistura, de quase 1,5 mil toneladas.
    Com sede na Noruega, a Yara tem no Brasil um importante mercado. A duplicação deverá ampliar a fatia de participação, que hoje é de 25% no país e de 40% no Rio Grande do Sul.

  • “É um salto qualitativo”

    LAIR HANZEN – Presidente da Yara Brasil
    Qual o peso desse investimento?
    Neste momento do Estado, é significativo e, para nós, motivo de grande orgulho. Viemos investindo forte em Rio Grande. Nos últimos três anos, foram R$ 80 milhões anuais na fábrica de Rio Grande. Agora, é um salto qualitativo e quantitativo, vamos duplicar a produção e modernizar muito mais o parque.
    Qual o ganho com a duplicação?
    O Rio Grande do Sul é a nossa base, onde a empresa foi criada, nossa matriz continua sendo aqui, é onde temos a maior produção. Poderemos atender outros Estados, como Santa Catarina, oeste do Paraná, Mato Grosso do Sul e até o Paraguai. Já são atendidos, mas poderemos ampliar muito mais.

  • Fonte ; Zero Hora

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