CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein NOMES SEMEADOS PARA A AGRICULTURA

 
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    Enquanto o processo de impeachment caminha para a avaliação do Senado, as especulações sobre nomes para assumir o Ministério da Agricultura, em caso de afastamento da presidente Dima Rousseff, ganham terreno. Por enquanto, nenhuma indicação veio com força. E na hora de fazer a composição de governo, é bom lembrar que a política nem sempre obedece à lógica e os desejos do setor por vezes acabam ficando em segundo plano.
    Em uma área tão vital à economia brasileira e com a necessidade de conhecimentos específicos, é natural que o primeiro anseio entre as entidades representativas seja por uma indicação técnica. Em entrevista à Agência Estado, o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil, Almir Dalpasquale, afirmou que o setor precisa “de uma pessoa técnica”, mas com “peso político e que já tenha passado por esse processo”.
    Invariavelmente, um nome que surge é o do engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues. Respeitado no meio rural, é coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas e foi titular da pasta entre janeiro de 2003 e julho de 2006, no primeiro governo do presidente Lula. Sua indicação chegou a ser mencionada no início do segundo mandato da própria presidente Dilma.
    Nos bastidores das negociações de um eventual governo do PMDB, a percepção, no entanto, é de que há tendência à indicação de um deputado, porque o quadro atual é político. E aí, um dos nomes que surge é o de Marcos Montes (PSD), presidente da Frente Parlamentar Agropecuária. Médico de formação, seu trabalho no comando da frente tem agradado o setor.
    Uma fonte ouvida pela coluna observa que ele “tem bancada para fazer um ministério”.
    Kátia Abreu, atual ministra, reunia, à época da nomeação, força política e conhecimento, além de trânsito entre a esfera pública e a privada, acumulados no comando de uma das mais representativas entidades do agronegócio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da qual é presidente licenciada.
    Ao manter-se aliada à Dilma, Kátia entrou em rota de colisão com o setor e abriu espaço para as sugestões de mudança, qualquer que seja o desfecho do processo de impeachment.

  • CRÉDITO AOS NEGÓCIOS

    Com 685 animais em pista, a Feira de Terneiro, Terneira e Vaquilhona de Santo Antônio da Patrulha terminou com pista limpa, ou seja, toda a oferta colocada foi negociada. O calor intenso do sábado, com sensação térmica de mais de 40ºC, fez com que o início do leilão fosse adiado em uma hora, para garantir o bem-estar dos animais.
    O lote mais valorizado foi o de 25 terneiros braford da Fazenda Florisbela, comercializados a R$ 7,49 o quilo vivo. No geral, a média dos terneiros ficou em R$ 6,35 o quilo – abaixo dos R$ 6,65 do ano passado, mas acima do que tem sido registrado na atual temporada.
    – A economia mudou, o mercado mudou. Está mais enxuto, com menor oferta de financiamentos e juro maior – pondera o leiloeiro João Valter Medeiros, da Morungava Remates, responsável pelo remate.
    E o crédito bancário teve um papel fundamental para a batida do martelo: 45% das negociações foram feitas via financiamentos.

  • FILÉ SUÍNO

    Tem tempero de carne suína no cardápio dos resultados positivos das exportações gaúchas do agronegócio no primeiro trimestre deste ano. A quantidade embarcada do produto foi quase 60% maior do que em igual período do ano passado (veja acima), com receita 6,7% superior, conforme dados do relatório da Federação da Agricultura do Estado (Farsul). Em recente balanço da Associação Brasileira de Proteína Animal, o presidente da entidade, Francisco Turra, atribuiu ao apetite chinês o desempenho do setor no período – mais de 50% dos itens enviados ao país asiático tiveram origem no Rio Grande do Sul.
    Além do efeito positivo na economia, o avanço das exportações ajuda em outra equação, observa Antônio da Luz, economista do Sistema Farsul:
    – Quanto mais se exporta, maior a neutralização entre produto embarcado e insumo comprado.
    Ou seja: a venda ao mercado externo ajuda a amenizar a alta nos custos de produção, impulsionada pela valorização do milho.
    Soja e arroz são outros destaques dos embarques no período.

  • DOIS NOMES, UMA SÓ CADEIRA

    Na pressa para a publicação da edição extra do Diário Oficial em que foi nomeado o novo superintendente do Ministério da Agricultura, Flavio Zacher, faltou um detalhe: exonerar o então titular do cargo. Tanto que, ontem, o órgão acumulava dois titulares.
    – Não pode, é contra a lei – disse Consuelo Paixão Côrtes, delegada no RS do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários.
    Luciano Maronezi, indicado pelo PTB entende, no entanto, que a exoneração é só questão de formalidade. Ontem, ele esteve na superintendência, “apenas para repassar questões que estão em andamento ou pendentes”.

  • Fonte : Zero Hora

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