CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein LEITE EM BANHO-MARIA

 
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    Enquanto no terreno das investigações o Ministério Público do Estado se prepara para colocar em prática a 10ª etapa da operação Leite Compen$ado e a 2ª da Queijo Compen$ado, no campo legislativo, projeto de lei que regula o transporte do produto não avançou. Ao pedir vistas, ontem, o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Postal (PMDB), adiou em uma semana a votação na Comissão de Constituição e Justiça do parecer feito pelo deputado Jorge Pozzobom (PSDB).
    O argumento é de que o relatório “é quase um novo projeto” e precisa ser analisado. Pozzobom garante que fez apenas correções técnicas para evitar a inconstitucionalidade do texto.
    Nesse meio tempo, no entanto, a coisa toda pode mudar de figura. É que a Secretaria da Agricultura deve entregar hoje, na Casa Civil, projeto a ser apresentado pelo Executivo – possivelmente na próxima semana –, que contempla produção, comercialização e transporte de leite, retomando a ideia inicial de concentrar tudo em um documento só.
    – O texto foi montado a partir de grupo de trabalho coordenado pela secretaria e com a participação de entidades do setor. A ideia é que seja global – explica o secretário Ernani Polo.
    Originalmente, projetos apresentados em 2014 eram dois. Depois, foram unificados e não avançaram. Neste ano, a partir de sugestão do Instituto Gaúcho do Leite (IGL), optou-se por nova separação – a Assembleia apresentou o Translácteos, proposição dos deputados Luiz Fernando Mainardi (PT), Zilá Breitenbach (PSDB), Elton Weber (PSB) e Aloísio Classmann (PTB) –, e o Executivo ficaria com o Prolácteos.
    Com a reunificação, há sobreposição de ideias, com tendência de concentração dos programas em um documento. Diretor-executivo do IGL, Ardêmio Heineck lamenta que “passam sucessivas operações de repressão contra a fraude e a lei nunca é encaminhada”:
    – Não há porque misturar, são focos diferentes. No ano passado, se juntou e não deu certo.
    O promotor Mauro Rockenbach concorda que há necessidade de regulamentar a atividade de transporte do produto, com regras, obrigações e sanções:
    – O crime só existe quando não há presença do Estado. Não é diferente no leite.

  • NEGÓCIOS LADO A LADO

    Em meio ao mar de soja que se espalhou pela Campanha, Dom Pedrito mantém a tradição – e os números – na pecuária.
    É lá que ocorre, até o dia 25 deste mês, a 82ª Exposição Agropecuária do município, a Farm Show, que tem como um dos pontos altos os remates. No ano passado, os negócios somaram, no total, R$ 4,95 milhões. Para 2015, a expectativa é repetir os resultados.
    – Com o bom início da temporada, a expectativa agora é melhor do que um mês atrás. O mercado está reconhecendo quem tem genética para produzir animais de qualidade – avalia Patricia Wolf, da Wolf Genética, uma das cabanhas que organizam leilões durante da Farm Show.
    Presidente do Sindicato Rural de Dom Pedrito e proprietário da Santa Thereza, José Roberto Pires Weber vê perspectivas “muito boas”:
    – A pecuária continua forte, sendo um setor qualificado.
    Weber usa os dados locais para mostrar que a expansão da soja não comprometeu a pecuária. A área do grão cresceu de 20 mil hectares, há quatro anos, para cerca de 80 mil hectares, mas o rebanho bovino se manteve: 420 mil cabeças.
    – Temos de tirar frutos dessa conjugação de lavoura com pecuária. Nos força a desenvolver novas tecnologias – avalia Gedeão Pereira, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado.
    Na largada da Farm Show, o remate de Guatambu, Alvorada e Caty, faturou R$ 2,63 milhões. O calendário continua com os leilões da Quirí (22), Santa Thereza (23), Wolf e Pitangueira (23) e Barragem e Don Angélico (24). No dia 24 há ainda o Entre Amigos, de cavalos.

  • NO RADAR

    O MINISTÉRIO Público de Contas arquivou expediente aberto para apurar denúncia do CREA-RS sobre irregularidades na contratação emergencial feita pela Secretaria da Agricultura para elaboração do PPCI do parque Assis Brasil. O procurador-geral Geraldo da Camino entendeu que as falhas verificadas não geraram dano ao erário e que, por isso, não demandam medidas urgentes.

  • NOVAS CONFIRMAÇÕES

    Mais dois casos de mormo foram confirmados no Rio Grande do Sul, conforme nota técnica emitida pela Secretaria da Agricultura. Com isso, sobe para 15 o número de animais que tiveram diagnóstico positivo para a doença desde o primeiro registro, em junho. Os dois novos focos ocorreram em Pelotas e Camaquã, no sul do Estado. E o sacrifício dos animais aguarda agendamento. Outras 21 suspeitas analisadas foram descartadas.
    Conforme Marcelo Göcks, chefe da Defesa Sanitária da secretaria, há ainda 13 suspeitas aguardando diagnóstico conclusivo – três das quais para confirmação a ser feita com o exame de maleína.
    Em Uruguaiana e Alegrete, duas liminares mantêm em suspenso o abate de dois animais com registro positivo para a doença. O mormo atinge equinos, mas pode ser transmitido a humanos.

  • UMA COMISSÃO ESPECIAL DEVE SER CRIADA NO CONGRESSO PARA TRATAR DA QUESTÃO DO USO DE AGROTÓXICOS E PRODUÇÃO ORGÂNICA NO BRASIL. ESSA É A PROPOSTA SURGIDA A PARTIR DE AUDIÊNCIA PÚBLICA REALIZADA ONTEM NA CÂMARA.

  • QUATRO ADVERSÁRIOS

    Nas vezes em que disputou a presidência da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Carlos Sperotto enfrentou oposição em quatro ocasiões, e não apenas em três como citado ontem pela coluna. Foi em 1996, quando concorreu com Regis Lopes Salles, em 2006, com José Roberto Pires Weber como adversário, em 2009, contra chapa liderada por Armando Carlos Roos e, agora, em 2015, tendo João Batista Fernandes da Silveira como oponente.
    Em 1999, 2002 e 2012, a eleição para diretoria da entidade teve disputa de chapa única. Sperotto chega ao sétimo mandato à frente da instituição.

  • Fonte : Zero Hora

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