CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein FÉRIAS COLETIVAS ABREM CAMINHO DE NEGOCIAÇÃO

 
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    Se for para manter as portas abertas do frigorífico de aves da Cosulati, em Morro Redondo, na zona sul do Estado, o sindicato dos trabalhadores na indústria da alimentação tem interesse na proposta de férias coletivas. A medida foi sugerida em reunião, ontem, com a cooperativa.
    – Momentaneamente, saímos com a perspectiva de que é possível manter a unidade funcionando. Há essa possibilidade de entrarem em férias coletivas, o que daria tempo para um rearranjo que vem sendo buscado – conta Darci Rocha, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação de Pelotas.
    No segmento de aves trabalham 180 pessoas. A decisão sobre a adesão ou não ao mecanismo precisa sair ainda nesta semana. A cooperativa argumenta que o estoque de animais disponíveis termina amanhã, dia 20.
    – A condição para a negociação de férias coletivas é a manutenção das vagas – reforça Rocha.
    Com capacidade para abater 25 mil aves por dia, o frigorífico reduziu o volume para menos de 15 mil por dia.
    Foi um reflexo das dificuldades financeiras que surgiram da alta nos custos e da exigência do grande capital de giro para a atividade.
    A cooperativa vem buscando parceria com empresas para manter a unidade funcionando. Se o acordo com os trabalhadores sair, dá um fôlego de pelo menos 30 dias para que uma associação com a iniciativa privada saia. Entre ontem e hoje, integrantes da direção estão se reunindo com três indústrias interessadas na proposta.
    Foi encaminhada também adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi). Além disso, a ideia é retomar o Serviço de Inspeção Federal (SIF), que habilitaria a planta para a exportação.
    – Há a intenção de uma empresa em exportar nosso frango – afirma Raul Amaral, secretário-executivo da Cosulati.
    Outra frente de negociação é o reforço na fábrica de processamento de leite, em Capão do Leão, de onde vem 83% do faturamento da cooperativa. A sobrevida, de um jeito ou de outro, seria uma boa notícia em tempos de crise.

  • QUASE UMA ARGENTINA A MENOS

    Ingrediente do prato principal e da cesta básica do brasileiro, o arroz vai entrar na lista dos produtos que ficarão mais caros neste ano. Os prejuízos trazidos pelo clima à produção, que terá volume reduzido na atual safra, e a elevação dos custos do agricultor formam uma indesejável combinação que impulsionará os preços.
    – Estamos nos vendo na obrigação de majorar os preços – afirma Henrique Dornelles, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS).
    O percentual de reajuste ao consumidor dependerá da indústria e do varejo. Na última sexta-feira, a saca de 50 quilos de arroz em casca estava em R$ 41,43. Embora considerado em um bom patamar, o valor deixa o produtor no zero a zero com os gastos, devido à alta nos custos, sem espaço para a rentabilidade. Vale lembrar que a cultura do arroz no Estado é 100% irrigada, fazendo com que a conta de luz, que ficou mais cara, tenha impacto significativo.
    – Ao mesmo tempo que a colheita está menor, o custo está maior – reforça Guinter Frantz, presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), sobre o atual panorama da safra.
    Um valor razoável, na avaliação da Federarroz, seria em torno de R$ 45 – com o “número dos sonhos” girando entre R$ 48 e R$ 50. Se chegasse a R$ 45, produtores com produtividade elevada, acima dos 7,7 mil quilos por hectare, teriam de 10% a 15% de rentabilidade.
    O Estado, maior produtor nacional do grão – com 68,5% do volume total –, tem, até o momento, 34 mil hectares da cultura perdidos pelo excesso de chuva. No total, 136 mil ficaram alagados. Por ora, o Irga trabalha com perspectiva de colheita 15% menor – entre 7,4 milhões de toneladas e 7,5 milhões de toneladas.
    – Essa 1,1 milhão a 1,2 milhão de toneladas que será perdida é quase uma Argentina inteira – diz Dornelles, ao referir-se ao volume do cereal produzido pelos hermanos.
    A 26ª Abertura Oficial da Colheita do Estado foi lançada ontem e ocorre de 18 a 20 de fevereiro, em Alegrete.

  • TIRA-DÚVIDAS

    A liminar concedida pela Justiça em ação movida pelo Ministério Público Estadual contra o decreto de regulamentação do Bioma Pampa trouxe dúvidas ao agricultor quanto ao preenchimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR). A coluna conversou com a secretária-adjunta do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Maria Patricia Möllmann, para saber qual a recomendação do órgão, responsável pela ferramenta no Estado. O prazo para a inscrição no cadastro termina no dia 5 de maio. Hoje, o Rio Grande do Sul tem apenas 17,66% dos imóveis e 6,78% da área cadastrada.
    Qual a orientação da secretaria para os produtores neste momento?
    -Eles devem seguir preenchendo o CAR. A liminar é com relação à aprovação a ser feita pela secretaria, pede que a pasta se abstenha de aprovar cadastros sem a reserva legal no Bioma Pampa. Mas a aprovação é posterior. O módulo de análises, a ser disponibilizado aos Estados pelo governo federal, está em fase de testes. Hoje, o que está valendo é a decisão da liminar. Quando a gente for aprovar, vamos observar a decisão judicial vigente. O produtor vai ser mais prejudicado se não fizer o CAR.
    O que acontece se a liminar for derrubada?
    -Pode ser derrubada total ou parcialmente. Hoje, a liminar determina que se tenha 20% de reserva legal em todos os imóveis do Bioma Pampa.
    A secretaria pode solicitar prorrogação do prazo do CAR? Considera essa hipótese?
    -Se alguém questionar o prazo, devem ser as federações, entidades do setor. O Estado não solicitou. Se a liminar fosse para o cadastramento, talvez fosse diferente. Como a lei não permite nova prorrogação, o prazo máximo previsto é até maio.
    Em caso de dúvidas, a quem o produtor deve recorrer?
    -Há um e-mail para responder dúvidas, o atendimento-car@sema.rs.gov.br. A pessoa fica com a resposta formal, por escrito, e o retorno da equipe tem sido rápido.

  • NO RADAR

    BALANÇO da segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa no Estado mostra que o índice de imunização do rebanho chegou a 98,33%, acima da meta de 90%, segundo a Secretaria da Agricultura. Realizada em novembro do ano passado, a etapa tinha como público-alvo os mais de 5 milhões de bovinos e bubalinos com menos de 24 meses de idade.

  • NA TENTATIVA DE DRIBLAR O PREJUÍZO CAUSADO PELO TEMPO, TEM PRODUTOR DE ARROZ FAZENDO REPLANTIO DE ÁREA AGORA, NA REGIÃO CENTRAL. A AÇÃO TEM RISCO ELEVADO, PORQUE A SEMEADURA OCORRE FORA DO PRAZO OFICIAL, DETERMINADO PELO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. DESSA FORMA, O ARROZEIRO FICA POR CONTA E RISCO SEM COBERTURA DE SEGURO EM CASO DE NOVAS PERDAS.

  • O valor bruto da produção agropecuária fechou 2015 com valor recorde desde o início da série histórica, em 1989, somando R$498,5 bilhões, dos quais R$ 321 bilhões das lavouras e R$ 177,5 bilhões da pecuária. Para este ano, a projeção é de avanço de 1%, alcançando R$ 503,57 bilhões.

  • Fonte : Zero Hora

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