CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein FICOU MAIS LENTO,MAS NÃO PAROU

 

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    Dizer que o primeiro dia da greve dos caminhoneiros não teve nenhum efeito no transporte da produção gaúcha seria um erro. Mas mesmo entre os representantes das indústrias ligadas ao agronegócio, a percepção é de que o fluxo, apesar de retardado, não foi estancado. Nos pontos de bloqueio, cargas perecíveis ganharam passagem (leia mais sobre o assunto na página 10).
    – No primeiro dia, ainda deu para operacionalizar o transporte. Mas como o movimento não tem um líder, é preciso negociar a passagem em cada parada – afirma Alexandre Guerra, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat-RS).
    Em muitos locais, as empresas buscaram rotas alternativas para garantir o transporte de itens processados e também de matéria-prima. O grupo anticrise esteve reunido ontem e hoje, no início da tarde, volta a fazer uma avaliação dos efeitos da paralisação. Estão envolvidos nessa discussão representantes de entidades de RS, SC, SP e MG. Em outros Estados, a preocupação com os efeitos da parada é grande, sobretudo em Minas Gerais.
    – Como já existe todo um sistema de liminares, os movimentos estão sendo mais cuidadosos – pondera José Eduardo dos Santos, diretor-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura, sobre a liberação das cargas perecíveis.
    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que reúne as indústrias de suínos e aves, garante que as liberações judiciais obtidas em fevereiro contra os bloqueios seguem valendo. É o caso da liminar da 1ª Vara Federal de Joaçaba (SC), que concede às empresas associadas trânsito livre nas rodovias federais. O alerta é de que a passagem tem de ser concedida para caminhões carregados ou que estejam buscando carga. Em fevereiro, os prejuízos foram de mais de R$ 700 milhões.
    – Novembro será crucial para o setor recuperar perdas com a primeira greve dos caminhoneiros, além da paralisação dos trabalhos dos fiscais federais agropecuários, entre setembro e outubro. Neste mês, grandes importadores, como a Rússia, elevam suas importações visando a formação de estoques para enfrentar o inverno, quando a atividade de portos é suspensa devido ao frio e ao gelo – reforça Francisco Turra, presidente da ABPA.

  • PLANTIO ALONGADO

    Atendendo ao pedido dos produtores, o Ministério da Agricultura ampliou o período do plantio de arroz no Estado. O prazo extra vale para as cultivares do grupo quatro, com ciclo de mais de 135 dias e período de semeadura encerrado dia 30 de outubro. Agora, os arrozeiros terão até o dia 20 para concluir os trabalhos.
    – Nos materiais dos outros grupos, se houver necessidade de ampliação, o ministério está se mostrando bastante aberto a prorrogar – afirma Maurício Fischer, diretor técnico do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).
    Foi a entidade que elaborou a nota encaminhada à Brasília e que embasou a decisão. Entre 15% e 25% dos produtores usam cultivares que se encaixam no grupo quatro – que também inclui a varidade 424 RI.
    – É um alento (aumento de prazo). Mas em função da nova frente fria e da previsão de chuva, estamos na iminência de ter de pedir nova extensão – projeta Henrique Dornelles, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros (Federarroz).
    Até agora, conforme o Irga, 45% da área de arroz foi cultivada. Além do atraso no calendário, em razão do excesso de chuva, outros fatores preocupam e podem impactar os resultados. Como a demora no restabelecimento de energia após temporais, prejudicando as lavouras mais bem estabelecidas.
    – Em anos de El Niño, é normal ter redução. Neste ciclo, provavelmente teremos – concorda Fischer.

  • NO RADAR

    SERÁ PROTOCOLADO amanhã, na Assembleia Legislativa, o projeto de lei para regulamentação de venda e transporte de leite no Estado. O novo texto, com contribuições de entidades do setor, será entregue pelo Executivo em regime de urgência, o que faz com que tenha de ser avaliado dentro de um mês. Ou seja, com tempo hábil para ser votado ainda em 2015.

  • DE VOLTA À MESA DOS SAUDITAS

    Um dos últimos mercados em que o Brasil ainda tentava reabrir as portas para a carne bovina, a Arábia Saudita deu ontem o sinal verde para a retomada dos negócios. Foi em Riad (foto), durante a visita da ministra da Agricultura, Kátia Abreu.
    O decreto que levanta o embargo deve ser publicado hoje. Os sauditas barraram a carne brasileira em 2012, quando foi comunicado o registro de um caso atípico de encefalopatia espongiforme bovina – popularmente conhecida como mal da vaca louca. O Japão ainda mantém a restrição.
    A estimativa é de que o Brasil possa exportar 50 mil toneladas de carne bovina por ano para os sauditas, somando US$ 170 milhões. Só em 2014, a Arábia Saudita comprou US$ 355 milhões do produto. Mais do que isso, o fim do bloqueio abre a perspectiva de negócios também com os outros países do Golfo Pérsico.

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    O PLANTIO DE SOJA ALCANÇOU 42,3% DA ÁREA TOTAL A SER CULTIVADA COM O GRÃO NO PAÍS, SEGUNDO LEVANTAMENTO DA CONSULTORIA SAFRAS & MERCADO. NO RIO GRANDE DO SUL, O PERCENTUAL APONTADO É DE 6%, ABAIXO DOS 14% REGISTRADOS EM IGUAL PERÍODO DO ANO PASSADO E DA MÉDIA DAS ÚLTIMAS CINCO SAFRAS, 24%.

  • ABATIDA DA DÍVIDA

    O Incra levará ao governo federal a sugestão feita em reunião com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Com áreas de CEEE, Cesa e Irga no radar, a ideia é abater o valor das terras da dívida do Estado com a União.
    – Essas áreas estão sendo colocadas à disposição – explica Iberê de Mesquita Orsi, secretário-adjunto do Desenvolvimento Rural e Cooperativismo.

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    Com desempenho expressivo dos embarques de milho, café verde e soja em grão, as exportações brasileiras do agronegócio somaram
    US$ 7,78 bilhões
    em mês de outubro, conforme dados da Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura.

  • NOVA INVESTIDA DA MONSANTO?

    Depois da Monsanto ter desistido da compra da Syngenta – a empresa suíça rejeitou três ofertas seguidas –, cresceram os rumores de que a Bayer seria o novo alvo da multinacional americana. Questionado sobre a possiblidade de negócio, o CEO global da Bayer CropSciense, Liam Condon, deixou o assunto no ar:
    – Podemos ser tanto comprador quanto vendedor. Claro que preferimos comprar do que vender, estamos atentos às oportunidades – disse o executivo, durante passagem pelo Brasil para a inauguração do Centro de Expertise em Agricultura Tropical da Bayer, em Paulínia (SP).
    A Monsanto, conhecida mundialmente pelo desenvolvimento de sementes transgênicas, quer ampliar o seu portfólio de defensivos agrícolas. Por isso o interesse na divisão de agroquímicos da alemã Bayer.
    – Vamos continuar na nossa estratégia – resumiu Condon, sem dar detalhes sobre o avanço de uma possível oferta.
    Colaborou Joana Colussi

  • Fonte :Zero Hora

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