CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein ESTADO SAI DA LANTERNA, MAS PILHA AINDA É FRACA

 
  •  

    Vencida a lacuna de regulamentação – ainda que esta tenha sido alvo de questionamento jurídico – para a área do Bioma Pampa, o ritmo do Cadastro Ambiental Rural (CAR) no Estado ainda não deslanchou. É verdade que o Rio Grande do Sul abandonou a posição de lanterna em área cadastrada no país, mas nem por isso a situação é animadora. Pelo contrário. Conforme a Secretaria Estadual do Ambiente, apenas 11% dos imóveis foram registrados – em área, chegava a 4,95%, segundo o Serviço Florestal Brasileiro, no mês de setembro.
    – Está lento. Estamos preocupados pelo produtor, porque é ruim para ele não se cadastrar – afirma Maria Patricia Möllmann, secretária-adjunta da pasta.
    Restam seis meses para o término do prazo final dado pelo governo federal para que agricultores e pecuaristas de todo país cumpram essa exigência do Código Florestal Brasileiro. A partir de 2017, o CAR será pré-requsito para a liberação de financiamento agrícola. Os dados também deverão se tornar uma ferramenta de planejamento.
    No momento, uma das reclamações dos produtores é a demora na emissão do recibo de envio do cadastro, feita pelo receptor nacional, em Brasília.
    – Houve casos em que se demorou quase uma semana para retirar o recibo – conta Guilherme Velten Junior, assessor de meio ambiente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS).
    A entidade irá encaminhar um ofício ao Ministério do Meio Ambiente e à secretaria estadual, solicitando que essa questão seja resolvida. A Federação da Agricultura do Estado (Farsul) também recebeu informações sobre a demora – que chegou a 48 horas em alguns casos. Assessor da entidade, Eduardo Condorelli diz que há “elevada procura pelos cursos de treinamento de técnicos e agricultores do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS)”.
    A baixa adesão dos produtores levou à prorrogação do prazo para preenchimento neste ano. Mas não há previsão nenhuma na legislação ou qualquer sinalização do governo para novo alongamento de prazo. Por isso, a orientação é para que os produtores apertem o passo.

  • TESOURA NA FITA E NA DEMORA

    Logo depois de cortar a fita na cerimônia de inauguração do Centro de Expertise em Agricultura Tropical da Bayer CropSciense para monitoramento de resistência a fungicidas, herbicidas e inseticidas, a ministra Kátia Abreu (foto) afirmou que o governo lançará no próximo dia 25 portaria para simplificação do Registro Experimental Temporário (RET). O objetivo é desburocratizar a análise de moléculas e acelerar o registro de novos defensivos agrícolas. A demora é uma reclamação antiga das indústrias do setor.
    – Hoje, qualquer molécula que chega para análise do ministério é tratada como se já um agroquímico fosse e, na verdade, pode resultar em outros produtos, que não especificamente um agroquímico – explicou Kátia.
    Outra medida para acelerar o processo será a duplicação do número de técnicos para análise de novos produtos – hoje, são cerca de cem profissionais no setor.
    Na presença do CEO global da Bayer, Liam Condon, a ministra também rebateu críticas sobre uso de agrotóxicos.
    A inauguração de novos laboratórios da Bayer para monitoramento de resistência a fungicidas, herbicidas e inseticidas, além de um centro de tecnologia de aplicação, faz parte de investimentos da empresa no Brasil, que só em 2015 somam R$ 22 milhões.

    _____
    Parte do calendário da temporada de remates da primavera, a Expolavras, feira realizada em Lavras do Sul, terminou com resultado expressivo. Os negócios somaram R$ 5,45 milhões, com destaque para o remate de ventres bovinos, que teve faturamento de R$ 2,26 milhões.

    _____
    A interdição do porto de Itajaí (SC) pela chuva e um rescaldo da greve dos fiscais federais agropecuários são as razões apontadas pela Associação Brasileira de Proteína Animal para queda de 11,2% nas exportações de carne de frango, que somaram
    329,5 mil
    toneladas em outubro. A receita caiu 31,2%. A boa notícia é que no ano os embarques seguem com alta de 3% em volume.

    _____
    No radar
    REBATE 1. Perguntada sobre o impacto negativo à indústria de máquinas do corte de recursos do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) agrícola, a ministra Kátia Abreu, afirma que a crítica não é verdadeira. A redução na oferta se deu, segundo ela, de acordo com a demanda.
    REBATE 2. Kátia Abreu também afirma que não há entraves na liberação de crédito agrícola aos produtores. E usa como argumento o aumento de 30% na tomada de financiamentos entre julho e setembro, na comparação com igual período de 2014. Reconhece, no entanto, que o problema do RS é um problema à parte, ao citar a situação dos arrozeiros.

    ______
    POSSIBILIDADE DE TERRA À VISTA?
    Com a saída das 400 famílias de propriedade em São Lourenço do Sul, as expectativas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se voltam agora para as negociações com o governo do Estado. É que existem áreas da CEEE e da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) que poderiam ser negociadas para reforma agrária.
    – Estamos em tratativas para ver a possibilidade do Incra adquirir essas terras – diz Iberê de Mesquita Orsi, secretário-adjunto do Desenvolvimento Rural e Cooperativismo.
    Uma das grandes dificuldades é a forma de pagamento para a aquisição de terras pelo Incra. Os Títulos da Dívida Agrária (TDA) são saldados em cinco anos, com carência de um, o que costuma tornar o negócio pouco atrativo para quem está vendendo. Reunião com o MST está marcada para segunda-feira.

  • Fonte : Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *