CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein ESFORÇO PARA MANTER CONVÊNIOS DA FEPAGRO

 

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    Sancionada pelo governador, a extinção da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) está no período da transição em que devem ser feitas importantes definições. Uma delas diz respeito à manutenção dos convênios firmados com instituições para a captação de recursos destinados à atividade-fim. Desde ontem, Adoralvo Schio, diretor do agora Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária, e o diretor-geral da Agricultura, André Petry da Silva, fazem uma peregrinação em Brasília com esse objetivo.
    Segundo Silva, do CNPq, da Capes, da Embrapa, dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Social e Agrário já há a garantia da continuidade. Hoje, eles vão ao Rio de Janeiro, onde conversam com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Inmetro.
    A definição sobre a continuidade dos repasses é essencial porque, sem dinheiro, a pesquisa em andamento e as futuras ficam prejudicadas. À época do debate sobre a extinção, o saldo de recursos externos captados era de R$ 25,5 milhões.
    – Na pesquisa, as coisas têm de andar, não se pode esperar. No momento, ainda não se tem clareza sobre os convênios – observa Nelson Bertoldo, presidente da Associação dos Servidores da Pesquisa Agropecuária do Estado (Assep).
    Outra preocupação dos funcionários da antiga Fepagro é com relação a um eventual engessamento financeiro. O temor se dá porque a gestão dos recursos passa a ser feita de forma indireta. A avaliação do Bertoldo é de que, como fundação, havia maior autonomia.
    O futuro dos 19 centros de pesquisa existentes no Estado é outro ponto de interrogação. Mas essa decisão deve ficar, para um segundo momento, segundo Schio:
    – Estamos dando prioridade para a transição dos funcionários para o departamento e cuidando da garantia dos convênios. A discussão das unidades será feita mais adiante.
    O orçamento do departamento também foi acertado para cerca de R$ 20 milhões. Do montante total, R$ 16,4 milhões são gastos com a folha de pagamento dos 289 funcionários e apenas R$ 3,8 milhões com contas operacionais.
    A tão desejada economia do governo do Estado só deve aparecer mais adiante – se vier – e depende diretamente do destino dado aos centros de pesquisa.
    – Apesar de não fazermos parte do grupo do governo que está tratando disso, temos a promessa de que a associação será chamada para tratar a questão das unidades – afirma o presidente da Assep.

  • ABRIU O APETITE

    O mercado global começou 2017 com apetite pela carne bovina brasileira. Dados compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) a partir do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços mostram que os embarques do produto cresceram tanto em volume quanto em receita no primeiro mês do ano.
    Foram 107,38 mil toneladas, alta de 10%, e receita de US$ 418,1 milhões, o que representa crescimento de 14% na comparação com janeiro de 2016.
    Para o ano, a estimativa da Abrafrigo é de avanço de 10% nas exportações, batendo a casa de 1,5 milhão de toneladas e superando os R$ 5,5 bilhões negociados no ano passado. Grande parte da expectativa se concentra nas possíveis vendas para clientes que venham a reboque da entrada do produto brasileiro nos Estados Unidos, como Canadá, México, Taiwan, Coreia do Sul, Indonésia e Japão.

  • SEPARADOS PELO INVESTIMENTO

    Que a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, tem um olhar especial para o agronegócio, não há dúvidas. Na passagem pelo Rio Grande do Sul, deixou isso claro e fez questão de ir até uma propriedade rural. E no discurso, a dirigente vai mais além: quer mudar a governança dos recursos destinados ao Plano Safra. Em entrevista, afirmou que uma das propostas é para que o governo federal distribua em duas partes o dinheiro, com custeio ficando a cargo do Banco do Brasil e investimento, do BNDES.
    – A vocação do banco é muito voltada para investimento. Entendemos que faria mais sentido para o BNDES concentrar esses recursos – diz Maria Silvia.
    Para a presidente do banco, quando existem problemas de escassez de recurso ou de não previsibilidade, a safra agrícola é “afetada de maneira irreversível”.
    Resta agora saber se ela conseguirá fazer o governo comprar essa ideia. Por ora, o fato é que a instituição está se aproximando cada vez mais do agronegócio.
    – É uma questão de micro, pequenas e médias empresas, na qual o produtor rural também está inserido. O BNDES sempre será o banco de grandes projetos, não só da indústria.

  • FATOR JOVEM NAS COMPRAS

    A chegada dos jovens ao comando das propriedades rurais e a profissionalização do agricultor estão tendo impacto direto sobre as vendas de equipamentos de irrigação da Fockink. Acostumado ao uso da internet, esse público quer tecnologia também na hora do cultivo.
    – Aumentou muito a quantidade de equipamentos vendidos com telemetria e automação. Hoje, o produtor já quer fazer o controle à distância – afirma Siegfried Kwast, diretor-superintendente da Fockink.
    E essa percepção se traduz em números. Em cinco anos, as vendas desse tipo de equipamento passaram de fatia de 1% para 40% do total da empresa.

    Fonte : Zero Hora

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