Campo Aberto – Gisele Loeblein: custo e preço em direções opostas no agronegócio

 

Enquanto as despesas aumentam, a renda recua, aponta índice da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul

Variáveis fundamentais na equação do agronegócio, custo e preço estão andando, neste momento, em direções contrárias, prejudicando a rentabilidade do setor cujo desempenho tem ajudado a garantir resultados menos negativos à economia brasileira.

A inflação do agronegócio, medida pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul) por meio de dois indicadores (custos de produção e preços recebidos) e divulgada mensalmente, confirma essa situação que, na prática, o produtor sabe de cor e salteado. Enquanto as despesas com a produção engatam subida morro acima, a renda recua.

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O único alento vem do câmbio. A valorização da moeda americana, neste caso, funciona como um colchão, amortecendo a queda das commodities no mercado internacional.

O índice de custos de produção acumula, em 12 meses, elevação de 10,9%, acima dos 8,89% do IPCA registrado no período.

– Devemos fechar 2015 com valor consolidado de dois dígitos – estima Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul.

Resultado que é alimentado pelo aumento no preço de insumos. Fertilizantes, por exemplo, subiram entre 25% e 32%. Daqui para a frente, a chance de um refresco diminui. É que, tradicionalmente, as compras se concentram no segundo semestre e, diante da demanda, o produto encarece.

No caso do trigo, a alta dos fertilizantes chegou a 32% em 12 meses. Nesse mesmo período, o valor pago ao produtor caiu 11%. O índice de preços recebidos, segundo o levantamento, teve recuo de 4,31% no acumulado dos últimos 12 meses.

– Custos inflacionados e receita em baixa tiram ainda mais a competitividade do agricultor – avalia Luz.

Fonte : Zero Hora – Campo Aberto

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