CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein CRÉDITO FUNDIÁRIO DE VOLTA

 

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    Importante ferramenta para os agricultores familiares terem acesso à terra, o Programa Nacional de Crédito Fundiário está praticamente parado desde maio do ano passado no Rio Grande do Sul. A demora para análise era tanta que os parceiros na execução do programa, como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), pararam de enviar propostas.
    – Não estávamos mais mandando porque demorava mais de dois anos para a liberação. Não tinha nem gente para trabalhar. Fazia quase três anos que o programa estava devagar, quase parando – afirma Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS.
    Prova disso é que existem apenas 46 propostas pendentes do Estado na Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) – as demandas eram anteriormente enviadas ao extinto Ministério do Desenvolvimento Agrário. E somente 24 contratações de crédito foram feitas ao longo de todo o ano de 2016.
    A transição política e a carência de pessoas – os contratos com a consultoria que fazia a análise foram encerrados em abril do ano passado – são as razões apontadas para a lentidão, quase paralisação do programa de crédito fundiário.
    O delegado federal de Desenvolvimento Agrário da Sead, Márcio de Andrade Madalena, afirma que essa realidade irá mudar:
    – Nossa ideia é retomar, dar celeridade ao processo. Vamos começar a rodar o programa no mês de março.
    Para isso, explica que está sendo reestruturada a unidade técnica estadual. Seis pessoas farão o trabalho e estão recebendo treinamento para isso.
    A meta é fazer com que a liberação do recurso ocorra em até 90 dias. Madalena também quer reduzir a inadimplência dos contratos efetivados no Rio Grande do Sul – o Estado é o 12º no ranking nacional.
    Apenas na Fetag-RS – Fetraf e Emater também são parceiros no programa –, a demanda inicial é de 300 propostas para acesso ao crédito.
    – Para o programa decolar, precisamos mexer no fluxo. São muitos pareceres. Não é facilitar, é tirar o excesso de burocracia – avalia o presidente da Fetag-RS.
    Outro grande entrave que precisa ser superado, segundo a Fetag, é o valor do teto, hoje de R$ 80 mil, considerado insuficiente para a aquisição de terra.

  • ÁGUA NA COLHEITA

    A chuva que cai sobre o Estado traz pingos de preocupação para os produtores de arroz. Por enquanto, prejuízos são considerados pontuais. Nada capaz de mexer com as projeções para a colheita, estimada em 8,4 milhões de toneladas, e cuja abertura oficial começa a partir de hoje, com extensa programação na estação experimental do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), em Cachoeirinha.
    – As precipitações estão um pouco acima do esperado, mas toleráveis ainda. No geral, não se tem prejuízos. Pontualmente, sim. Por enquanto, ainda é chuva normal – explica Maurício Fischer, diretor técnico do Irga.
    Há dois problemas decorrentes do excesso de chuva. Nas lavouras em floração, a água lava o pólen e a flor não reverte em grão, explica Henrique Dornelles, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz). Para as plantações em fase de enchimento de grão, há o risco do acamamento – quando a planta “deita” – devido à força do vento.
    – O que preocupa é que eventos de chuva torrencial e vento têm sido registrados – completa Dornelles.
    O trabalho de colheita também fica prejudicado com a chuva. Mas o ciclo está um pouco atrasado neste ano – resultado de precipitações em excesso no plantio –, com poucas máquinas já sendo colocadas a campo. Conforme Fischer, 5% da safra deverá estar colhida até 5 de março. Em 15 de março, esse percentual subirá para quase 50%.
    Para a cerimônia de abertura da colheita, no sábado, havia expectativa pela vinda do ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Mas ele não deverá estar presente no ato.

  • NO RADAR

    A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado faz peregrinação em Brasília em busca de apoio contra a reforma previdenciária. Uma mobilização está marcada para o dia 21 em Santa Cruz do Sul, e outra para o dia 23, em Santa Rosa.

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    Chegou a mais de
    US$ 13
    milhões
    a receita dos negócios realizados na Prodexpo, na Rússia, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne. A feira contou com a participação de seis frigoríficos brasileiros.

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    A EMBRAPA CLIMA TEMPERADO LANÇA DUAS NOVAS CULTIVARES DE ARROZ DURANTE A ABERTURA DA COLHEITA. SÃO AS VARIEDADES BRS A701CL E BRS PAMPA CL, DESENVOLVIDAS PARA O SISTEMA CLEARFIELD.

  • SEM TEMPO FECHADO

    Popularizada pelo clipe da dancinha do Imperador, em 2014, a gaúcha Stara prepara novidades para a Expodireto-Cotrijal deste ano. Por enquanto, o diretor-presidente da empresa, Gilson Trennepohl, prefere fazer mistério. Mas garante que tem produto e ação de marketing na jogada.
    – Aqui é a nossa casa. Guardamos tudo para apresentar em Não-Me-Toque – diz, em relação ao peso da feira no quesito lançamentos.
    O empresário afirma que passou “aquela nuvem preta do ano passado”. Sobre as expectativas para a Expodireto, Trennepohl diz que há relação direta com as linhas de crédito disponíveis:
    – Os negócios são fechados o ano inteiro. A feira serve como oportunidade para impulsionar.
    Timidamente, já estamos voltando a contratar. O que tem de bom é que parou de cair.
    Claudio Bier
    Presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado, sobre postos de trabalho no setor

  • SEM URGÊNCIA, GOVERNADOR

    Até a votação, o choro é livre e a tentativa é válida. A bancada do PP na Assembleia pediu ao governador José Ivo Sartori a retirada da urgência do projeto de lei 214, que trata da redução dos créditos presumidos.
    – Isso abre a possibilidade de ser melhor discutido – pondera o deputado Sérgio Turra (PP).
    Ele acrescenta que, só na avicultura, 2,3 mil empregos seriam perdidos e R$ 16 milhões deixariam de ser investidos com o corte nos benefícios fiscais. Segundo o governo, a sugestão está sendo avaliada.

    Fonte : Zero Hora

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