CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein CONVERSAR É BOM, SÓ NÃO PAGA A CONTA

 
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    Há boa vontade do Ministério da Agricultura em abrir espaço para debater o problema da ausência de recursos para a subvenção do seguro rural contratado em 2015. Ainda nesta semana, o ministro interino, André Nassar, quer ouvir as seguradoras do país para tentar obter um panorama mais apurado das operações feitas na área da fruticultura, em especial na cultura da uva. O problema é que só a conversa não quita as faturas que produtores estão recebendo para pagar.
    O Rio Grande do Sul é parte diretamente interessada. Afetada pela combinação desastrosa de granizo, geada e chuva em excesso, a uva terá colheita até 50% menor. Mais do que nunca, o dinheiro do seguro rural se faz necessário. No cobertor curto das cifras, faltaram recursos para o pagamento da subvenção que é feita pelo governo. Resultado: a conta está ficando toda com o produtor.
    Em 6 de novembro do ano passado, o ministério emitiu comunicado informando que as operações de seguro estavam encerradas a partir da data e que a pasta não mais autorizaria contratação com subvenção federal.
    Uma sugestão para resolver a equação foi feita por entidades do Estado que se reuniram na semana passada com o ministro interino: utilizar a verba prevista para 2016 para cobrir a diferença que ficou.
    A medida precisa de lei para se tornar viável na prática, mas isso não é impossível e foi feito anteriormente. No ano de 2014, ficaram em haver R$ 300 milhões referentes ao pagamento da subvenção.
    Para que os recursos de 2015 pudessem ser empregados para pagar esse valor, foi aprovada medida provisória, depois convertida em lei aprovada pelo Congresso e sancionada pela presidente.
    A quantia destinada à subvenção em 2016 foi enriquecida por meio de emenda incluída na lei orçamentária anual e somará R$ 741 milhões.
    – Se foi feito no ano passado, quando não houve perdas, dá para fazer agora – pondera Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS).
    Se a solução não vier, entidades prometem fazer barulho na Festa da Uva, que começa no próximo mês.

  • NO RADAR

    O CADE abriu processo administrativo para apurar a suspeita de cartel na produção e distribuição de farinha de trigo no norte e nordeste do país. Na lista dos investigados, estão 53 pessoas físicas, empresas, associações e cooperativas.

  • REFORÇO CANINO NA VIGILÂNCIA

    O faro apurado do labrador Romeu está a serviço do Ministério da Agricultura para impedir que itens proibidos de origem animal e vegetal entrem no país. O cão foi treinado para atuar no Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) e está em experiência no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitscheck, em Brasília.
    – A chegada do cão veio em momento oportuno para garantir seu treinamento em tempo hábil para atuar nos Jogos Olímpicos, quando haverá grande afluxo de turistas do Exterior. São países com as mais diversas situações sanitárias e fitossanitárias, o que aumentará o risco de introdução no país de pragas de vegetais e doenças de animais – afirma Diana Côrtes, fiscal federal agropecuária responsável pelo projeto-piloto de cães do ministério.
    A também labradora Jazz está sendo treinada para começar a atuar em breve. Anualmente, o Vigiagro apreende 15 toneladas de produtos agropecuários nos aeroportos do país.

  • CARTEIRA PREPARADA

    Na mesma batida do mercado, o Sicredi do Rio Grande do Sul obteve nos financiamentos de custeio a maior demanda no ano passado – 82% do total. O valor liberado para as linhas de investimento – leia-se aquisição de máquinas e estruturas de armazenagem – teve recuo de 39% na comparação do primeiro semestre do Plano Safra 2014/2015 com os primeiros seis meses do ciclo atual, o 2015-2016 (veja gráfico).
    – Houve de fato uma redução na parte de investimentos. Depois de anos de expansão, com renovação da frota, é natural o agricultor estar mais focado na atividade em si – afirma Gerson Seefeld, diretor-executivo da Central Sicredi Sul.
    Para as próximas duas feiras do calendário agrícola, a Expodireto e a Expoagro Afubra, o banco já está preparando a carteira. Em Não-Me-Toque, o volume colocado à disposição deve ser o mesmo do ano passado: R$ 200 milhões. Seefeld lembra que esse não é, no entanto, um valor-limite. A liberação acompanhará a procura. E sobre as exposições do setor, avalia:
    – As pessoas estão olhando mais, usando a feira para ver as novas tecnologias disponíveis e, em cima disso, tomar uma decisão em um segundo momento.

  • RODANDO EM OUTRO RITMO

    Há pouco mais de dois anos no mercado brasileiro, a novata sul-coreana LS Tractor andou na contramão do setor de máquinas agrícolas e fechou 2015 com crescimento de 10% em unidades vendidas. Com participação de mercado estimada em 7,5% no segmento de tratores de 40 a 105 cavalos, a marca ainda vê terreno para avançar. Sem revelar a quantidade de tratores negociados, Andre Rorato, diretor comercial da marca, atribui o resultado do ano passado ao custo-benefício dos equipamentos:
    – Estamos crescendo em nichos como o café e a pecuária.
    A empresa, com fábrica em Garuva, Santa Catarina, tem no Rio Grande do Sul o maior faturamento nominal. Em segundo lugar, vem Minas Gerais. Com a estratégia do barter (troca de grãos por máquinas) consolidada no café, a sul-coroeana avalia a possibilidade de ampliar o leque de produtos que podem ser utilizados no negócio.

  • 13,146 milhões de toneladas foi o volume da produção de frango brasileira em 2015. A quantidade é 3,58% maior do que no ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal, e consolida o país como segundo maior produtor mundial.

  • Fonte : Zero Hora

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