CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein CONDIÇÃO DIFERENCIADA DO ESTADO FICA EM 2015

Se o Rio Grande do Sul deve ter um PIB menos ruim do que o brasileiro em 2015 graças ao crescimento do setor agropecuário em patamares superiores aos nacionais, o mesmo não deve se repetir neste ano. Os números finais da geração de riquezas do Estado ainda não saíram. Projeções feitas pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul) indicam que o avanço do setor primário pode chegar a 9,4%. Bem acima do 1,8% registrado no país, segundo dados do IBGE com a ressalva de que a estimativa da entidade usou a metodologia antiga, e o instituto traz a nova.

– Não se pode esperar PIBs positivos para a agropecuária em 2016 – diz Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul.

A diferença favorável que os gaúchos acumularam no ano passado no segmento reflete crescimento da produção maior do que o brasileiro. O Estado colheu safra de grãos histórica – 32,49 milhões de toneladas, segundo dados do IBGE.

Para o ciclo atual, a previsão é de que não se alcance sequer o mesmo resultado. Um impacto forte virá do arroz, importante produto da pauta de exportação do RS, com projeção de redução na colheita estimada, até o momento, em 15%.

Aliás, o clima terá papel de vilão também no cenário nacional, em que a agropecuária dificilmente crescerá em 2016.

A projeção da Farsul para o ano é de queda de 5,37% no PIB agropecuário do Estado. A soja tem chance de recuperar um pouco essa perspectiva negativa:

– Poderá haver uma surpresa vinda da soja. O PIB pode não ficar tão ruim.

É que lá no início do ciclo, em 2015, o cenário de chuva em excesso e dificuldades para o plantio trazia uma perspectiva nada animadora. Agora, o momento é outro. O grão vem tendo, de forma geral, bom desenvolvimento, com perdas pontuais. Poderá fazer vingar uma nova safra cheia e, conforme algumas previsões, brotar um novo recorde no RS.

Da mesma forma, o milho, cultura que encolheu em área, mas cresceu em produtividade, será um alento. Ainda assim, a lavoura, por melhor que seja, não será a salvação para a economia.

MAIS ENERGIA À PRODUÇÃO
Falta só a caneta da presidente Dilma Rousseff para confirmar a ampliação do percentual de biodiesel no óleo diesel. O avanço aprovado ontem pela Câmara prevê a troca dos atuais 7% para 8% até um ano depois da edição da lei, chegando a 10% até 36 meses após a entrada em vigor.

Mais do que isso, abre espaço para que se dê um salto maior, para 15%, desde que se tenha o aval do Conselho Nacional de Política Energética.

– Ainda precisa passar pela sanção presidencial, claro, mas é um dia histórico. Demonstra que esse é um setor estratégico para o Brasil e que o país está comprometido com a produção de energia limpa – avalia Erasmo Carlos Battistella, presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio).

O efeito do novo percentual aparecerá no volume da produção brasileira anual, que pode passar dos 4 bilhões de litros para 7 bilhões de litros. Capacidade industrial e matéria-prima existem, afirma Battistella. A ociosidade, entre 35% e 40%, também deve ser reduzida.

NO RADAR
O RIO GRANDE DO SUL abre oficialmente hoje a colheita de oliva em propridade da empresa Tecnoplanta que fica na divisa dos municípios de Sentinela do Sul e Barra do Ribeiro. O volume de produção é estimado em 89,34 mil quilos de olivas e 11,14 mil litros de azeite.

INCENTIVO ORGÂNICO

Ao criar um Plano Estadual de Agroecologia e de Produção Orgânica, o Estado compila uma série de ações já desenvolvidas para serem itensificadas no período de 2016 a 2019. Ajudar o agricultor a colocar o produto na vitrine de vendas e dar assitência técnica estão entre os objetivos.

– O plano quer dar visibilidade a essas ações – reforça Dionatan Tavares, diretor de agricultura familiar e agroindústrias da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo (SDR).

O Rio Grande do Sul tem hoje mais de 10 mil hectares e 1,2 mil famílias envolvidas na produção que, comprovadamente, não utiliza agrotóxicos, conforme cadastro do Ministério da Agricultura.

Pelo plano, lançado ontem no Piratini, 8.387 projetos produtivos e de apoio à comercialização deverão ser financiados e 38,34 mil famílias receberão assitência técnica, entre outras iniciativas. Os recursos a serem utilizados são de orçamentos e linhas já existentes. As propostas reunidas foram definidas a partir de um grupo de 40 entidades.

– Nas ações de apoio à comercialização estão a participação em feiras e o espaço criado dentro da Ceasa – cita Tarcisio Minetto, secretário da SDR.

Outro dado interessante: no período de execução do plano, 3.676 amostras de alimentos e de água serão monitoradas para verificação da presença de agrotóxicos em análises feitas por meio de parceria entre as secretarias da Agricultura e da Saúde.

LAVOURAS DE INVERNO E O MILHO DA SAFRINHA DEVERÃO FICAR COM FATIA DE R$ 158 MILHÕES PARA SEGURO RURAL NA SAFRA 2016/2017, SEGUNDO O MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.

CLIMA RUIM PARA O TRIGO
As condições adversas de tempo ampliaram as variações de produtividade do trigo no Rio Grande do Sul, aponta o ensaio de cultivares, inciativa desenvolvida pela Fundação Pró-Sementes e pelo Sistema Farsul (veja ao lado).

As melhores médias de rendimentos foram nas Missões: São Luiz Gonzaga teve a maior produtividade – 6.266 quilos por hectare. Kassiana Kehl, gerente de pesquisa da Fundação Pró-Sementes, explica que, na região, foi possível implantar as lavouras em condições melhores. No Norte, “ocorreram problemas desde a instalação dos campos”.

– Houve muito mais variação entre os locais e o perído de semeadura do que em anos anteriores – completa Kassiana.

RESULTADOS A CAMPO
– O ensaio de cultivares de trigo foi feito em 1.674 parcelas (com cinco metros quadrados cada), em dois diferentes momentos de plantio.

– A pesquisa contempla sete locais: Cachoeira do Sul, Cruz Alta, Passo Fundo, Santo Augusto, São Gabriel e Vacaria.

– Foram avaliadas 44 cultivares das empresas Biotrigo, Coodetec, CCGL/Bayer, Embrapa, OR Sementes e Limagrain.

– Em São Luiz Gonzaga, a variação entre o maior e o menor rendimento foi de 1.594 quilos. A escolha da cultivar de maior produtividade representaria diferença de receita de R$ 851,20 por hectare.

Fonte : Zero Hora

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