CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein COM BANDEIRAS DISTINTAS EM BRASÍLIA

 
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    Enquanto a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mobiliza produtores rurais de todo o país para manifestação pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff no próximo domingo, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu que é presidente licenciada da entidade , segue no sentido oposto.
    Em sua conta no Twitter, a ruralista comentou o placar da votação do relatório na comissão da Câmara. “Tivemos ontem 42% dos votos na comissão contra o impeachment. Ótimo resultado, pois no plenário são necessários 33%. Mas teremos mais que isto”, escreveu. O apoio incondicional à Dilma, a despeito da saída do PMDB do governo, deve lhe custar a expulsão – a solicitação já foi encaminhada – do partido.
    Na convocação para a manifestação de domingo, a CNA justifica que “a desestabilização da economia, provocando inflação, desemprego e perda de renda, além da violência no campo, com invasões de propriedades, são fatores que exigem da sociedade brasileira um posicionamento firme pela saída da presidente”. Na semana passada, a entidade manifestou-se publicamente a favor do impeachment. O vice-presidente da CNA José Mário Schreiner defende um trabalho de convencimento dos deputados indecisos para a votação do domingo.
    Integrante da confederação, a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) fará concentração a favor do impeachment em Porto Alegre, no Parcão. Um grupo de dirigentes irá para Brasília, para fazer contato com parlamentares. Não será enviada nenhuma delegação de produtores. O presidente, Carlos Sperotto, explica a razão:
    – Estamos em plena safra, os produtores estão colhendo.
    Hoje, a CNA também reúne na Brasília entidades do agronegócio para discutir o cenário de crise. Presidente da Associação Brasileira de Angus, José Roberto Pires Weber é um dos que estará presente. A entidade não manifestou posição pública sobre a questão do impeachment. Uma consulta interna aos associados foi aberta.
    – Recebi três respostas diferentes. Vamos ver como será o debate de hoje – diz Weber.

  • UMA COMBINAÇÃO HARMÔNICA

    Tem dado certo a mistura que combina a produção de leite com a de noz-pecã em Anta Gorda, no Vale do Taquari. Os dois produtos estarão em evidência na 6ª edição do FestLeite, que começa no dia 28 e vai até o dia 1º de maio.
    O rebanho de leite, que soma 12 mil cabeças e envolve cerca de 400 produtores, vem crescendo.
    A produção de noz-pecã soma 120 toneladas ao ano. E tem muito espaço para crescer.
    – Oitenta por cento do que se consome no país é importado. Pela proporção de mudas plantadas, estima-se crescimento de 50% ao ano da produção – avalia Leandro Pitol, presidente da FestLeite e proprietário de empresa do município que produz mudas de nogueira, industrializa e vende noz-pecã.
    A feira é bianual e em 2014 teve cerca de 40 mil visitantes. A produção gastronômica para o evento já está a todo vapor.

  • O INSTITUTO GAÚCHO DO LEITE PROTOCOLOU ONTEM PEDIDO PARA QUE A SECRETARIA DA AGRICULTURA INSCREVA NO CADIN AS INDÚSTRIAS DO SETOR QUE ESTÃO EM DÉBITO COM O RECOLHIMENTO DO VALOR A SER PAGO POR LITRO PARA O FUNDO ESTADUAL DO LEITE.

  • R$ 512,9 bilhões é o valor bruto da produção agropecuária estimado para 2016, conforme dados de março apurados pelo Ministério da Agricultura. A quantia representa recuo de 0,1% na comparação com o levantamento feito em março de 2015.

  • NO RADAR

    A PROPOSTA do Ministério da Agricultura para isenção de PIS/Cofins na importação de milho não vingou. A notícia é um banho de água fria para a indústria de aves e suínos, que havia solicitado a medida. No RS, o governo pode dar ainda hoje resposta ao pedido para adiamento da cobrança do ICMS na compra do grão da Argentina.

  • SUPERINTENDENTE AINDA NO POSTO

    Apesar da iminente saída, por conta do apoio de parlamentares do PTB ao impeachment da presidente, o superintendente do Ministério da Agricultura no Estado, Luciano Maronezi, segue trabalhando normalmente. O dirigente foi uma indicação do partido. Ele afirma que ainda não recebeu nenhum comunicado.
    Assim que a exoneração sair, a delegacia regional da Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa) deve reapresentar a lista tríplice com nomes de funcionários de carreira para assumirem a posição.
    O pedido para que um técnico ocupe a função era antigo e havia sido atendido no ano passado, com a nomeação do fiscal Roberto Schroeder. Mas ele foi exonerado em fevereiro deste ano, sem esclarecimento por parte do ministério. Para seu cargo foi apontado Maronezi que, embora tenha formação na área, não é funcionário de carreira. A indicação política levou a uma mobilização dos fiscais federais, que promoveram paralisação e apitaço.

  • MENOS CABEÇAS

    Está batido o martelo. Diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo Estado, a distribuição gratuita de doses da vacina contra a febre aftosa ficará restrita a produtores com até 10 animais, enquadrados nos programas da agricultura familiar Pronaf e PecFam. Concedido a pecuaristas com cem exemplares, o benefício havia sido reduzido no ano passado para quem tinha até 30 cabeças.
    A Secretaria da Agricultura vinha negociando a possibilidade de manter o parâmetro atual – o Rio Grande do Sul é o único Estado que concede gratuitamente as doses.
    – Fizemos uma tentativa. Mas não haverá prejuízo. O importante é a conscientização do produtor – diz o secretário Ernani Polo, acrescentando que o grande desafio é o de ações para fortalecer o sistema de defesa sanitária.
    As 900 mil doses existentes contemplarão 38% dos pecuaristas, segundo a Agricultura.
    Comunicada da decisão, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS) tem uma interpretação diferente.
    – Não concordamos com essa nova redução. O governo acabou de ganhar a liminar da dívida com a União e, mesmo assim, continua cortando programas da agricultura – diz Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS.

  • Fonte : Zero Hora

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