CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein | COBERTOR DO SEGURO RURAL CONTINUA SENDO CURTO

 

  • COBERTOR DO SEGURO RURAL CONTINUA SENDO CURTO

    Em um ano em que o El Niño segue mostrando sua força, com impactos em diferentes culturas, o seguro rural ficou ainda mais em evidência. A preocupação foi aumentada com a falta de dinheiro para a subvenção do governo federal que é a parte paga pelos cofres públicos para cobrir o custo do mecanismo. Segundo Elmar Konrad, presidente da Comissão de Crédito Rural da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), somente 3% dos produtores gaúchos conseguiram ser atendidos neste ano.
    É por isso que os valores apresentados ontem pelo Ministério da Agricultura dentro do Plano Trienal do Seguro Rural (de 2016 a 2018) frustraram expectativas. O dirigente da Farsul entende que seriam necessários pelo menos R$ 700 milhões ao ano para garantir a subvenção.
    Pela nova resolução, devem ser liberados R$ 400 milhões no primeiro ano, R$ 425 milhões no segundo e R$ 455 milhões no terceiro. Quantias inferiores às que vinham sendo liberadas até então pelo governo federal – em relação ao anunciado no Plano Safra deste ano, por exemplo, a redução da cifra é de 40%.
    Ainda assim, o secretário de Política Agrícola, André Nassar, avalia:
    – De acordo com nossos estudos, o nível médio de apoio vai ficar ao redor de 45% sobre o valor do prêmio. Com isso, esperamos atender por volta de 100 mil apólices, apesar do recuo no valor orçamentário do programa para 2016.
    Não é a mesma visão dos produtores que, neste ano, vivem uma complicada situação por conta do empurra-empurra do orçamento. É que R$ 300 milhões dos R$ 694 milhões anunciados em 2014 acabaram ficando “em haver”. Jogado para 2015, o valor a ser pago acabou encurtando o cobertor deste ano. E agora as entidades buscam uma solução para evitar que os produtores tenham de arcar com a parte que cabia ao governo.
    – Sem recursos, ele tem duas opções: ou desiste do seguro, o que não é recomendável em ano de El Niño, ou paga a parcela – explica Konrad.
    A falta de dinheiro neste ano tem pautado reuniões e sugestões foram feitas ao Ministério da Fazenda. Hoje, o titular da pasta, Joaquim Levy, foi convidado a dar explicações para a Frente Parlamentar da Agropecuária. Os deputados querem saber por que o governo não cumpriu uma das principais promessas ao setor, de não faltar recursos para a subvenção do seguro rural.

  • EMBARQUE INÉDITO

    Cinco mil bovinos foram embarcados via porto de Rio Grande rumo à Venezuela. O despacho de gado em pé é o primeiro realizado a partir do Estado pela Minerva Foods. A empresa, que tradicionalmente utiliza o Pará para essas operações, quer ampliar o leque de opções. No ano passado, realizou carregamento a partir do Uruguai.
    Guilherme Dias, gerente comercial de exportação de bovinos vivos, explica que a novidade faz parte da estratégia da companhia.
    A venda do chamado gado em pé, no entanto, suscita críticas por parte da indústria – o assunto, por exemplo, foi discutido na reunião com o governo do Estado que tratou da permanência das operações do frigorífico Marfrig em Alegrete.
    – Acho um crítica normal. Cada setor tenta impor seu ponto de vista. Somos a segunda maior exportadora de carne bovina do Brasil e a segunda maior da América Latina. Mas também acreditamos nesse nicho de venda do gado vivo – afirma Dias.
    Os animais exportados por Rio Grande são levados ao país de destino em um navio curral. Fiscais federais agropecuários acompanham o passo a passo da operação, iniciada domingo e que se estendeu por quase 40 horas.
    – Verificamos as condições de bem-estar animal. As baias, a ração, o dessalinizador de água – explica o fiscal André Vargas de Oliveira.

  • GRÃOS CONTADOS

    Ano vai, ano vem, o problema de abastecimento de milho no Estado volta à tona, um reflexo do descompassa entre produção e consumo – a cada nova safra, a cultura perde mais espaço para a soja. É o caso das indústrias de aves e de suínos – o grão é ingrediente de 70% da ração animal.
    – Temos de buscar estratégias diferentes para estimular a produção de milho, porque senão corremos o risco de muitas empresas irem embora do Estado – avalia José Eduardo dos Santos, diretor-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).
    Obrigado a buscar o grão em outros Estados, o Rio Grande do Sul acaba tendo de arcar com o custo do frete, que encarece o produto. O valor de mercado está entre R$ 8 e R$ 10 mais caro do que em igual período do ano passado.
    – Está iniciando um momento em que aumenta a necessidade e talvez se tenha de trazer milho de fora. Muitas empresas estão se planejando e antecipando essa compra. A partir da segunda quinzena de dezembro começamos a ter dificuldade de contratação – pondera Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado.
    Neste ano, a colheita do grão no Rio Grande do Sul deverá iniciar um pouco depois do habitual pelo ritmo diferente do ciclo devido ao excesso de chuva.

  • PÕE O MEL NA RODA

    Se tivesse de dar hoje um parecer do projeto de lei sobre a profissionalização da apicultura no Brasil, o deputado Heitor Schuch (PSB) seria contrário à ideia apresentada pelo colega Danrlei de Deus Hinterholtz (PSD). O texto está causando polêmica no setor por condicionar a habilitação do produtor de mel à formação específica, como publicado ontem pela coluna.
    – A chance de parecer favorável seria zero. Tem de mudar muita coisa no projeto. Como apicultor, o Danreli é um ótimo goleiro – diz Schuch.
    Antes de dar seu veredito, no entanto, ele quer ouvir produtores sobre o tema. Uma audiência pública no Rio Grande do Sul foi aprovada – a data ainda não está definida, mas deve ser em fevereiro de 2016, considerando a agenda apertada até o final do ano e o período de recesso do Congresso. Piauí e Santa Catarina também terão debates sobre a questão. A meta é estar com o parecer pronto até março.

 

Fonte: Zero Hora

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