CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein Brasil disposto a brigar na OMC

 

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    Cansado de esperar por uma definição do governo da Indonésia, o Brasil decidiu dar um passo adiante na briga pela abertura desse mercado junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Amanhã, autoridades devem protocolar na entidade o pedido formal para a abertura de um painel (mediação para disputa) pelas restrições impostas à entrada do frango brasileiro.
    – Tivemos de vencer uma dura batalha para convencer o governo federal a abrir esse painel. Mas já estamos tentando negociar com a Indonésia há mais de seis anos – argumenta Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
    Foi a associação que contratou um escritório de advocacia para cuidar do caso. A decisão de ir para uma disputa na esfera da OMC veio depois de muita insistência – e pouca explicação do por que os indonésios seguem restringindo o acesso ao produto do Brasil. Desde 2008, seis missões foram organizadas rumo ao país asiático, que tem 250 milhões de habitantes e um grande potencial de crescimento – hoje, o consumo per capita de frango é muito baixo, menos de quatro quilos por habitante por ano, enquanto no Brasil é de 42,78 quilos per capita.
    – A Indonésia não apresenta justificativa coerente para não abrir seu mercado. Não tem acordo sanitário com o Brasil e nem justificativa para isso – complementa Turra.
    A fase preliminar, de consulta à OMC, se arrastou por dois anos. Uma vez aberto o painel, a expectativa da ABPA é de que haja definição dentro de um ano.
    O contencioso do algodão, um dos casos mais emblemáticos na luta por condições iguais de comércio no cenário mundial, teve início em 2002 e se arrastou por anos.
    O Brasil recorreu à organização para reclamar dos subsídios do governo americano aos produtores e recebeu aval, em 2009, para retaliar os EUA. Em 2014, os dois países costuraram um acordo.
    Ao recorrer à OMC, a indústria de aves, agora, coloca pressão máxima para tentar abrir, nem que seja à força, a porta do mercado indonésio.

  • ACORDO FECHADO, EMPREGO MANTIDO

    Para frear novas demissões, a John Deere de Horizontina deve aderir ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), lançado pelo governo federal neste ano. Em assembleia realizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos, 76% dos presentes deram o aval para que a medida fosse adotada. Com isso, a jornada de trabalho será reduzida em 30% – os salários também, com 15% dessa redução compensada pelo governo. A contrapartida é a garantia de que, no período definido para o programa – e mais um terço após o término –, os funcionários não podem ser demitidos.
    No caso da unidade da multinacional, que fabrica colheitadeiras, o PPE deve vigorar de 1º de dezembro deste ano até abril de 2016, podendo ser prorrogado.
    – O programa se estende a todas as áreas de produção, da gerência à linha de montagem – explica Irineu Schoninger, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Horizontina.
    Se ver os rendimentos mensais encolher está longe de ser uma situação ideal, a garantia da manutenção das vagas vem como um alento neste momento difícil encarado pela indústria de máquinas e implementos. A queda nas vendas no país se consolidou em 29,8% nos primeiros nove meses deste ano.
    – Nosso setor parou muito em 2015. Acho que irão surgir mais empresas aderindo ao programa. No dissídio coletivo da categoria, já se fez uma aproximação com os sindicatos nesse sentido – afirma Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers).
    No ano passado, após acordo feito via Tribunal Regional do Trabalho, 167 pessoas foram desligadas na unidade de Horizontina. Por meio da assessoria de imprensa, a John Deere informou que a adesão ao progama foi feita a partir de acordo com o sindicato e que a iniciativa tem como objetivo preservar os postos de trabalho na fábrica de colheitadeiras. A marca tem ainda outra planta, de tratores, em Montenegro.
    Conforme o Ministério do Trabalho, duas empresas, de outros setores, já aderiram ao PPE no Rio Grande do Sul. O pedido formal da John Deere ainda não chegou à pasta.

  • Pedido de ajuda à porta

    Depois de encontro com os superintendentes no Estado do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura, parlamentares gaúchos percorrem hoje gabinetes em Brasília para reforçar o pedido de ajuda aos produtores com perdas devidas ao mau tempo.
    Entre as solicitações, está a de criação de linha de crédito especial para reparar prejuízos e garantir renda. Outra demanda é a prorrogação do vencimento das parcelas de financiamento.
    Chuva em excesso, granizo e geada atingiram em cheio a produção gaúcha. Entre as culturas mais afetadas estão trigo, com redução no volume de pelo menos 40%, hortigranjeiros e tabaco – segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Brasil), o balanço indica 20,9 mil propriedades atingidas.
    – A estimativa é de que esse número cresça, para algo entre 23 mil e 25 mil propriedades – afirma Adolfo Brito (PP), presidente da Comissão da Agricultura da Assembleia, que esteve reunido com produtores na sexta-feira e ontem com os superintendentes.

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    Termina na sexta-feira, dia 30, o prazo para as inscrições na 13ª edição do Programa Agrinho, realizado pelo Senar-RS. O prêmio reconhece
    os melhores trabalhos de alunos nas categorias desenho, texto e experiência pedagógica, e de professores na categoria experiência pedagógica. Informações em senar-rs.com.br.

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    A quantidade de embalagens vazias de agrotóxicos encaminhadas para destino ambientalmente correto cresceu 9% no Rio Grande do Sul nos primeiros nove meses do ano, somando
    3,95 mil
    toneladas, segundo dados do Sistema Campo Limpo.
    O avanço foi maior do que no Brasil, onde a alta no período foi de 6%, com 36,92 mil toneladas.

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    Campanha como contraponto
    Uma campanha de comunicação para reafirmar o rigor nos procedimentos e no seguimento das normas internacionais de segurança alimentar deverá ser feita pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
    Hoje, a entidade reúne time de especialistas para fazer um contraponto às informações divulgadas pela Organização Mundial de Saúde sobre consumo de carne processada e o risco de câncer (leia mais na páginas 26 e 27).
    A impressão que ficou ontem, diante da divulgação da notícia, é de que não tinha caído a ficha para a indústria.
    As manifestações formais sobre o assunto por parte do setor demoraram a chegar, enquanto o assunto era um dos mais comentados nas redes sociais.
    Depois de muito lutar para derrubar o mito de que carne de frango tem hormônio, a indústria brasileira de carnes precisará lidar agora com o impacto do estudo.

  • Fonte : Zero Hora

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