CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein BEM MAIS DO QUE ÁGUA

 
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    À primeira vista, pode parecer que a fraude detectada na 10ª etapa da Operação Leite Compen$ado, conduzida pelo Ministério Público Estadual, é menos nociva do que nas demais fases foi apenas a adição de água. Mas não é. Cada vez que se detecta no alimento algo que não deveria estar na sua composição, a confiança do consumidor é diluída. Inclusive com água. A fraude leva pelo caminho todo o trabalho sério desenvolvido pelo setor, da porteira da propriedade até a indústria. Aos olhos do público, são sempre os maus exemplos que marcam mais do que os bons.
    Há outro ingrediente preocupante nesta ação. Entre os investigados de agora, alguns já estiveram na mira do MP durante a 5ª etapa da Leite Compen$ado. E reincidiram. Apesar da fiscalização, apesar da investigação e apesar da denúncia apresentada pelo órgão.
    – São personagens do leite. Não adianta só a parte da repressão. É preciso fiscalização forte e presente e legislação rigorosa – entende o promotor Mauro Rockenbach.
    Ontem, nove amostras coletadas durante a operação foram enviadas para laboratório, sete das quais tiveram resultado positivo para adição de água, segundo o promotor.
    Neste momento, há uma nova tentativa de fazer o projeto de lei para regulamentação do setor andar. Aliás, o MP foi chamado, pela primeira vez, a dar sua avaliação sobre a minuta construída pela Secretaria da Agricultura – e que está na Casa Civil. Na sexta-feira, há encontro marcado com o deputado Gabriel Souza (PMDB), que está intermediando a negociação entre entidades do setor e a Secretaria da Agricultura. É que já existe uma proposta na Comissão de Consitutição e Justiça, apresentada por parlamentares (Transleite).
    A ideia, agora, é apresentar um projeto único, via Executivo, com regime de urgência. Ou seja, para ser votado dentro de um mês. Para isso, será necessário, primeiro, chegar a um entendimento comum, que poderá ser alcançado em reunião marcada para o próximo dia 29.
    É preciso torcer para que as regras cheguem o mais rápido possível. Porque os adulteradores seguem avaliando que o crime ainda está compensando.
    – Eles entendem que é lucrativo enfrentar os custos psicológicos, financeiroos e de repressão – completa Rockenbach.
    Quem segue perdendo são os consumidores, que ficam sem saber em quem poder confiar, e as pessoas sérias que trabalham no setor, atingidas em cheio pela propaganda negativa das adulterações.

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    O DONO DO CAMPINHO
    Nas quase duas décadas entre a primeira e a mais recente eleição de Carlos Rivaci Sperotto para o comando da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), o cenário da atividade foi submetido a transformações.
    Se no passado o produtor, assolado em dívidas, foi tachado de caloteiro, hoje o agronegócio é apontado como o pilar sólido de sustentação da economia gaúcha e brasileira.
    Ontem, no evento Tá Na Mesa, da Federasul, ele falou sobre gestão – no próximo ano, dará início ao sétimo mandato à frente da entidade.
    Mantendo a personalidade firme e o jeito mandão que lhe são peculiares, Sperotto aprendeu, nesse tempo, a aprimorar a tática da negociação. Confira trechos da entrevista.
    ENDIVIDAMENTO AGRÍCOLA
    Havia uma situação altamente preocupante, em que o setor estava super endividado. No momento que se trabalhou no Estado e no país, as coisas avançaram. Surgiu a CPMI do endividamento agrícola, para saber quanto do setor produtivo estava sendo transferido para o setor financeiro. Nosso sentimento era de querer pagar. Com a negociação, as taxas de juro saíram da indexação com índices cruéis. Produtores tinham dívida maior do que o patrimônio. Com a renegociação, o produtor passou a ter coragem de investir. Isso foi fundamental para a economia brasileira.
    DESAFIOS
    O primeiro desafio é não desmobilizar. Em 2006, fizemos um planejamento estratégico, que foi o norte, em todas as gestões que tivemos, e agora vamos fazer a avaliação e verificar o que foi ou não cumprido. Seguro é fundamental. Entendemos que tenha de haver um seguro de renda, similar ao que existe em países que concorrem conosco. E agora surge a necessidade, já estamos na busca de um seguro de venda. Muitas empresas cerealistas estão usando a prática de recuperação judicial e, com isso, o produtor que deposita grão fica à mercê do andamento desses processos.
    ESTILO DE GESTÃO
    Os momentos que vamos encontrar agora são bem diferentes daqueles que encontramos. Eram de provocação, tinha de ter criatividade, ações conjuntas, furar um bloqueio, que era aquele de o produtor esconder a situação. Hoje não. Com a experiência e o grupo unido, acredito que teremos condições de dar respostas às nossas missões.
    MST E AS INVASÕES
    Sempre confirmamos o direito à propriedade. As três invasões neste momento no Estado são muito ruins, prejudicam a economia. Até nos colocaríamos à disposição, via Senar, para ensinar uso de tecnologias aos assentados. Mas não admitimos deixar se formar manobras rurais. A sociedade tem repudiado todo e qualquer tipo de obstrução. Não estou encarando como um recrudescimento das invasões. A toda ação existe uma reação.

  • ASSIM NÃO FICA

    Com a missão de fazer o parecer sobre o Projeto de Lei 214, que reduz de 100% para 70% a apropriação de crédito presumido das indústrias, o deputado Elton Weber (PSB) tem posição formada: vai mexer no texto do Executivo.
    – Não dá para deixar os percentuais colocados no projeto original – sinaliza, sobre as mudanças a serem feitas.
    A decisão veio após rodadas de conversas com empresas de diferentes setores – da carne ao metalmecânico –, que veem no projeto do governo uma ameaça à competitividade gaúcha.
    Secretário-executivo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Carlos Paviani, se disse preocupado com eventuais prejuízos ao crescimento do setor que, entre 2007 e 2014, recebeu R$ 150 milhões em incentivos fiscais e teve aumento de R$ 500 milhões em arrecadação de ICMS.
    Ernani Cauduro, vice-presidente para o Rio Grande do Sul do Sistema Abimaq, afirma que o principal impacto seria sobre empresas de pequeno e médio porte.

  • SOB MAU TEMPO

    Durante o Tá Na Mesa, o prefeito de Rio Pardo, no Vale do Rio Pardo, Fernando Schwanke (PMDB), falou sobre os prejuízos registrados no município, da cidade ao campo, com a chuva em excesso e o granizo.
    As perdas no setor agrícola são estimadas em R$ 50 milhões.
    Só nas lavouras de tabaco, foram 4 mil ocorrências. Áreas com soja também foram afetadas.
    Ontem, o granizo atingiu em cheio municípios do Vale do Taquari.

  • Fonte : Zero Hora

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