CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • Por que ainda vale brigar pelo trigo

    A decisão de isentar já está tomada, mas enquanto não sai no Diário Oficial da União, a percepção é de que ainda dá para brigar pela manutenção da Tarifa Externa Comum (TEC) para trigo de fora do Mercosul.
    Conforme o Ministério do Desenvolvimento, a medida para derrubar a alíquota de 10% foi aprovada em consulta eletrônica extraordinária feita ao conselho de ministros da Câmara de Comércio Exterior. Agora é uma questão de publicação.
    A Federação da Agricultura do Estado angaria apoio na tentativa de barrar a isenção. O mais recente veio da Federação das Associações Rurais do Mercosul. Moinhos gaúchos também são contrários à supressão da TEC.
    A pressão para eliminar a tarifa, facilitando a entrada de produto de países de fora do Mercosul, vem de outras partes do país. É o caso do Nordeste. Com demanda entre 1 milhão e 1,3 milhão de toneladas para atender, as indústrias de lá afirmam que a logística torna financeiramente inviável comprar o produto do Rio Grande do Sul.
    Pois a conta das escolhas que estão sendo feitas neste momento poderá vir mais tarde. Com o argumento de conter a inflação – tese inclusive já rebatida com números que mostram queda no trigo e alta no preço do pão –, o governo manda uma mensagem suscetível a interpretações. E o resultado pode ser um desestímulo ao cultivo.
    – Precisamos definir se queremos ou não fortalecer a produção nacional – diz Tarcisio Minetto, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS).
    Em passagem recente pela Capital, Seneri Paludo, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, garantiu que o aumento de área é uma meta, dentro do projeto de tornar o Brasil autossuficiente em trigo. Hoje, ainda precisamos importar entre 6 milhões e 7 milhões de toneladas para dar conta do mercado interno.
    E a definição de Brasília segue como balizador para a decisão a ser tomada aqui sobre redução da alíquota de ICMS nas vendas gaúchas interestaduais.

  • OS CICLOS DO ARROZ GAÚCHO

    O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) dá início amanhã a um ciclo de palestras para apresentar os resultados da safra 2013/2014. Nos encontros, a previsão meteorológica para o próximo ciclo também estará em pauta. Confira abaixo datas e municípios dos seminários.
    Foram prorrogadas até o dia 30 deste mês as inscrições para o Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica (Ecoforte). Parceria da Fundação Banco do Brasil e BNDES, a iniciativa irá liberar R$ 25 milhões para 30 projetos. Detalhes em www.fbb.org.br.

  • ROTEIROS NA VITRINE DO MUNDO

    Eles aprenderam frases em inglês e se organizaram para receber estrangeiros durante a Copa do Mundo. Produtores familiares incluídos no Programa Talentos do Brasil estão tendo a oportunidade de mostrar seus produtos e serviços para turistas de diversos cantos do mundo.
    No Rio Grande do Sul, quatro roteiros turísticos em áreas rurais de Porto Alegre e de locais da Serra são percorridos pelos visitantes. Em Gramado (foto), os roteiros de agroturismo tiveram procura 15% maior, quase integralmente de estrangeiros, segundo a prefeitura.
    – A qualificação para o mercado é um legado que ficará para depois da Copa – ressalta Vitor Koch, presidente do Sebrae.
    Ao todo, 23 roteiros turísticos em cidades brasileiras foram preparados para ser alternativa aos visitantes que vierem ao país. Os circuitos fazem parte de parceria entre o Sebrae e os ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Turismo.

  • FÁBRICA DE VESPAS NO ESTADO

    Isso mesmo. A partir de agosto, o Estado terá uma biofábrica funcionando em Montenegro para produção de vespas Trichogramma spp, usadas no controle biológico de lagartas que atacam lavouras. A linha “industrial” está sendo instalada em sala do centro de treinamento administrado pela Emater, com um custo estimado de R$ 100 mil.
    O órgão firmou parceria com a Embrapa Milho e Sorgo para fazer a produção andar. Com o resultado, será possível fazer o controle de pragas em uma área estimada entre 8 mil e 10 mil hectares.
    – Neste momento, a biofábrica tem finalidade muito mais pedagógica do que comercial – afirma Gervásio Paulus, diretor técnico da Emater.
    Entre os alvos do controle estão as lagartas do cartucho e da espiga do milho e até a temida Helicoverpa armigera.
    Um detalhe curioso: na última safra de verão, o projeto de controle biológico já vinha sendo realizado por Emater e Embrapa.
    A abrangência não foi maior porque as cartelas, com ovos da vespa (foto abaixo), vinham pelos Correios. Com a greve, demoraram para chegar e não puderam ser usadas no campo.
    Colaborou Joana Colussi

 

Fonte: Zero Hora

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