CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • ONDA FRIA QUE VEM DO VERÃO AMERICANO

    O cultivo da safra de verão nos Estados Unidos vem mexendo com o mercado internacional de grãos. Nos últimos dias, a soja negociada na Bolsa de Chicago tem registrado baixas no valor pago pelo bushel medida equivalente a 27,2 quilos. Ontem, contratos com vencimento em julho ficaram abaixo dos US$ 14. Os que tinham vencimento em setembro fecharam abaixo de US$ 13 (veja as cotações na página 20).
    A explicação imediata é o impacto do relatório divulgado um dia antes – na segunda-feira – pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês).
    O documento aponta a evolução do plantio de soja, que alcançava 92% do total da área a ser cultivada com o grão. Mais do que isso, indica que 73% das lavouras estão em condições boas ou excelentes, acima da média registrada no ano passado em igual período: 64%. Na prática, isso indica que há possibilidade de uma safra cheia em terras americanas.
    A estimativa é de que sejam produzidas 98,93 milhões de toneladas de soja. Uma colheita farta no maior produtor mundial do grão sem dúvida afeta as expectativas de produção – e os preços – em todo o mundo.
    Por ora, não há motivo para grandes sobressaltos. Apesar da redução, os valores de Chicago, referência para o mercado mundial, ainda estão longe de serem considerados ruins. É o que avalia Farias Toigo, da Capital Corretora:
    – Mesmo com o recuo, os preços ainda são bons.
    Esses patamares vêm sendo mantidos devido ao cenário atual, com estoques mundiais do grão em baixa. Até o início da próxima colheita nos EUA, muita água ainda precisa rolar, literalmente. O clima do verão americano terá papel importante também aqui.
    OS 45 casos de diarreia suína epidêmica registrados recentemente na Colômbia fizeram a Associação Brasileira de Proteína Animal reforçar a necessidade do controle especial da vigilância sanitária.
    O Brasil exporta carne suína para mais de 70 países e se mantém imune à doença. Nos EUA, a epidemia levou à morte mais de 6 milhões de animais em um ano.

    ARGENTINOS DE OLHO NO ESTADO

    A seleção argentina entra em campo na Capital só na próxima semana, mas nossos vizinhos já estão de olho no Rio Grande do Sul. Uma equipe do Canal Encuentro, do Ministério da Educação da Argentina, veio em busca do segredo do cooperativismo gaúcho para manter os jovens nas propriedades rurais.
    No documentário(foto), um dos exemplos retratados é o da Languiru. A cooperativa com sede em Teutônia reduziu em cinco anos a idade média dos associados desde 2009. Hoje, 30% dos que são ativos têm até 40 anos.
    – É o resultado de ações práticas. No momento que os jovens estão mais preparados, ficam mais nas propriedades – afirma Dirceu Bayer, presidente da Languiru.
    As ações a que se refere são cursos, como o que ocorre uma vez por mês, com foco na viabilidade economico-financeira das propriedades. Preparados, os jovens se sentem mais seguros, entende Bayer. Para o presidente da cooperativa, a boa remuneração, a automação e o crédito com recursos subsidiados são fatores que também ajudam a explicar a opção dos jovens pelo campo.
    A Ecocitrus, em Montenegro, e a Coopan, em Nova Santa Rita, também foram visitadas pela equipe argentina.

  • PEDIDOS CONFERIDOS DE PERTO

    Em uma espécie de censo para conferir informações declaradas ao fazer o pedido de seguro rural, 12 técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) começaram nesta semana um trabalho a campo. Até o dia 11 de julho, irão percorrer propriedades em todo o Estado.
    Cada grupo de dois técnicos verifica um a um os locais das 346 apólices solicitadas no terceiro quadrimestre de 2013. Os pedidos de subvenção feitos neste período no Rio Grande do Sul somam R$ 2,14 milhões para arroz, milho, soja, trigo, ameixa, caqui, maçã, pêssego, tomate, uva e pecuária.
    Além de preencher um formulário, a equipe também pode fazer fotos e medir dimensões da propriedade.
    Os relatórios são enviados ao Ministério da Agricultura, que faz a análise dos dados, explica Ernesto Irgang, assistente da superintendência da Conab no Estado.

  • BRIGA PARA CONSEGUIR REGISTRO

    Integrantes de Centrais de Abastecimento (Ceasa) do país vão novamente a Brasília em busca da implementação de regras consideradas fundamentais para a produção. O encontro no Ministério da Agricultura será no dia 25, e terá representantes da Anvisa. Em discussão, a necessidade de colocar em prática instrução normativa de 2010 sobre uso de agrotóxico em pequenas culturas.
    A regra prevê agrupar registros de defensivos por famílias de culturas – como alface, chicória, agrião. Na prática, isso não ocorre.
    – Não discutimos limites, isso tem de ser respeitado. Mas há produtos que sequer têm registro – diz Evandro Finkler, presidente da Associação dos Produtores da Ceasa-RS, o que representa grande parte dos problemas apontados nos relatórios de resíduos em alimentos.
    Ainda falta incluir dois meses para que se tenha o panorama completo do crédito liberado por meio do Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014, mas até abril o valor acessado pela chamada agricultura empresarial chegava a
    R$ 128,67 bilhões,
    valor 37,8% maior do que igual período da safra anterior. É provável que se chegue ou até mesmo se supere o valor anunciado, de R$ 136 bilhões.

Fonte Zero Hora

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