CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • Crédito sobrando para programa ABC

    Mais do que uma meta, a chamada agricultura de baixo carbono é uma das ferramentas para que se cumpra o compromisso assumido pelo Brasil de reduzir as emissões dos gases de efeito estufa na produção até 2020. Para se chegar a esse resultado, o país elaborou o Plano Agricultura de Baixo Carbono, com uma série de ações.
    Parte desse pacote, lançado na safra 2010/2011, é a liberação de crédito. De lá para cá, o governo vem aumentando o volume de recursos destinados a estimular a adoção de tecnologias que garantam uma produção mais sustentável.
    Mas o crédito farto não tem se traduzido, na mesma proporção, em ações concretas. Levantamento feito pelo Observatório ABC que será divulgado em detalhes hoje mostra que só 53%, ou seja, metade dos R$ 4,5 bilhões liberados pelo governo no ano-safra 2013/2014 haviam sido utilizados.
    – O ano safra ainda não foi finalizado, mas, em uma projeção otimista, a contratação deve chegar no máximo a R$ 2,6 bilhões – afirma Angelo Gurgel, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e coordenador do Observatório ABC, iniciativa que monitora a adoção do Plano ABC no país.
    O valor é inferior à quantia emprestada em todo o ciclo anterior, R$ 2,99 bilhões. O Ministério da Agricultura contrapõe que, apesar da soma ser menor, o número de contratos fechados é proporcionalmente maior do que na safra 2012/2013.
    Para Gurgel, entre as razões que ajudam a explicar a baixa procura está o juro, considerado pouco atrativo na comparação com outros financiamentos existentes, principalmente os voltados ao médio produtor. No ano passado, as linhas do ABC tinham taxa de 5% e as do Pronamp, 4,5%.
    Além disso, os projetos são mais complexos e de resultados a longo prazo. Outra avaliação é de que falta treinamento. A meta é habilitar 19,44 mil técnicos e 935 mil produtores até 2020. Das 19,55 mil pessoas preparadas de 2011 a 2013, só 30% são produtores.
    – A gente ainda não colocou o sistema ABC de forma estruturada no currículo dos cursos técnicos – completa Gurgel.
    Com base nos dados consolidados até o momento, Rio Grande do Sul e Paraná devem ficar de fora da lista dos cinco maiores tomadores de crédito das linhas ABC, posição a ser ocupada por Estados do Centro-Oeste e do Sudeste.

  • NOVO TAMANHO PARA O PLANO

    O município de Canguçu, no sul do Estado, foi escolhido para o anúncio do Plano Safra Estadual. Deve receber o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, e o governador do Estado, Tarso Genro, na cerimônia marcada para a manhã de hoje. Também são esperados os secretários da Agricultura, Claudio Fioreze, e do Desenvolvimento Rural, Elton Scapini.
    Haverá novidades em relação ao plano anterior, e o governo afirma que o valor liberado será superior aos R$ 2,6 bilhões do ano passado. Isso para dar conta de 66 medidas.
    Rossetto aproveita para dar a dimensão gaúcha do Plano Safra federal da agricultura familiar.

  • PÃO DA COR DO MATE

    A ideia era unir receitas de família, inovação e uma cultura com forte presença no Vale do Taquari. É essa a origem de um produto diferente que o Moinho Sangalli, de Encantado, deve lançar até o final deste ano. A Farimate é uma mistura de farinha de trigo com erva-mate e foi apresentada recentemente no Uruguai.
    – A erva-mate tem produção aqui na região e contém vitaminas, minerais, polifenóis e flavonoides, que ajudam no combate a várias doenças. Além disso, é comum receitas que colocam a erva-mate em diferentes produtos, como pães e biscoitos – explica Tatiana Sangalli, coordenadora de marketing e uma das proprietárias do moinho.
    Apesar de ainda não estar nas prateleiras, o produto já foi apresentado no 6º Congresso Sul-Americano de Erva-Mate, no Uruguai. Quem passou por lá teve a chance de degustar o Alfajor do Cinquentenário e o Bolo Ilopolitano, feitos com a mistura. As receitas fazem parte do livro 365 dias com Erva-Mate, com alimentos à base de um dos principais símbolos da tradição gaúcha.
    Produtores e mecânicos têm a chance de aprender a domar as novas tecnologias do campo com a ajuda de cursos oferecidos pelo Senar-RS e pelo Senai. Informações em www.senar-rs.com.br e www.senairs.org.br.

  • O CAMPEÃO ESTÁ ENTRE NÓS?

    Já se sabe que o campeão do Desafio Nacional de Máxima Produtividade de soja da safra 2013/2014 é da Região Sul.
    Mas o suspense sobre qual o Estado do vencedor será mantido até o dia 24 do próximo mês, quando os vencedores recebem a premiação em uma cerimônia no Ministério da Agricultura.
    O primeiro colocado obteve rendimento de 117, 33 sacas de soja por hectare em área de sequeiro, ou seja, sem irrigação. O volume é 134% maior do que a média nacional, de 50 sacas por hectare. O segredo para o resultado são tecnologias e métodos inovadores usados pelo agricultor e pelo consultor técnico no plantio da soja, que serão compartilhados em fóruns.
    A competição é organizada pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb). No ano passado, o vencedor havia produzido 110 sacas de soja por hectare.
    Colaboraram Joana Colussi e Thiago Copetti

Fonte: Zero Hora

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