CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • SOJA PUXOU QUEDA NAS EXPORTAÇÕES DO ESTADO

    Principal produto da pauta das exportações agrícolas do Rio Grande do Sul, a soja ajudou a puxar para baixo o resultado do setor no ano passado. As vendas externas somaram US$ 11 bilhões, redução de 5,7%, segundo a Fundação de Economia e Estatística (FEE).
    Apesar da produção recorde do grão, de 16,19 milhões de toneladas, o complexo soja teve volume embarcado menor – como mostravam já na semana passada os dados do porto de Rio Grande: foram 12,3 milhões de toneladas, ante 13,6 milhões de toneladas em 2015, recuo de 9,5%. A receita também encolheu, de US$ 5,3 bilhões para US$ 4,8 bilhões (-9,4%).
    Pesquisador do núcleo de estudos do agronegócio da FEE, Sérgio Leusin Júnior aponta três razões que ajudam a explicar a diminuição dos embarques da oleaginosa no ano passado:
    – a “memória de preços”. No primeiro semestre, o grão alcançou o maior valor nominal, R$ 100 a saca, o que gerou grande expectativa;
    – Concorrência vinda da safra americana. Os Estados Unidos tiveram ritmo acelerado de vendas no mercado internacional;
    –A questão cambial;
    Trocando em miúdos: além da competição vinda do produto dos Estados Unidos, o produtor acabou segurando o grão, na expectativa por uma eventual melhora de preços.
    É por isso que, apesar da colheita farta, as exportações acabaram encolhendo. Embora menores, as vendas do complexo soja seguiram sendo as mais importantes.
    Na lista dos produtos com quedas, o trigo ficou com a segunda posição.
    – Quando a safra é boa, o trigo fica – complementa Leusin Júnior.
    Agora, o mercado tem sido o principal problema do cereal, justamente quando a safra alcançou produtividade recorde.
    Para este ano, a projeção é de que as exportações gaúchas do agronegócio tenham crescimento. Mesmo com estoques e a perspectiva de nova safra cheia, por ora, não se trabalha com a hipótese de redução.
    – O apetite chinês não reduziu. É provável que a gente não tenha sobressaltos – afirma o pesquisador.
    Entre os destaques positivos das exportações em 2016, com os três maiores crescimentos, estão a venda de produtos florestais, fumo e animais vivos.

  • O FUTURO JÁ COMEÇOU

    Foi pensando no futuro da cooperativa que, apesar da crise econômica no país, a Santa Clara tirou do papel o projeto de construir uma nova unidade no município de Casca, no norte do Estado. E as obras estão começando. Serão 22 mil metros quadrados de área construída (acima, o croqui de como ficará a planta).
    A terraplenagem está quase concluída, e a construtora contratada já está no local para começar a tocar a parte das instalações do projeto, conta Alexandre Guerra, diretor administrativo e financeiro da Santa Clara.
    – Tomamos a decisão de construir a unidade para atender uma demanda extra. Precisávamos ter um crescimento e entendemos que era o momento ideal. Quando passar a crise, estaremos com a planta pronta – avalia o dirigente, também presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat-RS).
    O investimento de R$ 115 milhões, dos quais R$ 70 milhões financiados pelo BRDE, permitirá erguer uma indústria que começa operando com 300 mil litros por dia, mas com capacidade instalada para processar 600 mil litros/dia. Olhando um pouco mais para a frente, há condições de se chegar a 1 milhão de litros de leite por dia.
    Da esteira de produção sairão produtos como leite UHT, achocolatados, creme de leite UHT e bebidas lácteas. O início das operações está previsto para o segundo trimestre do próximo ano. Ao todo, serão geradas 145 vagas diretas de emprego.
    – Quem quer ser competitivo, precisa ter indústria com tecnologia que gere escala – completa Guerra.

    PRODUTORES DA CEASA PASSARÃO A SER ORIENTADOS POR UM PROFISSIONAL DA EMATER SOBRE O USO ADEQUADO DE AGROTÓXICOS. A DECISÃO FOI TOMADA DURANTE REUNIÃO COM A SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO RURAL. DURANTE UM MÊS, TODAS AS TERÇAS E QUINTAS-FEIRAS, UM ENGENHEIRO AGRÔNOMO ESTARÁ NO PAVILHÃO DE VENDAS.

  • CARNAVAL ANTECIPADO

    A Imperatriz Leopoldinense antecipou os comentários sobre o carnaval do Rio neste ano. A escola gerou uma polêmica que parece não ter fim junto ao agronegócio. O setor se ressentiu da forma como o produtor foi apresentado no enredo Xingu, o Clamor que Vem da Floresta. Dois pontos têm despertado a ira do segmento: um trecho da música, que fala sobre o monstro que rouba terras, devora matas e seca os rios, e a ala 15, batizada de Os Fazendeiros e seus Agrotóxicos.
    Ontem, cresceu a lista de entidades com notas de repúdio ao samba. O Conselho Nacional de Secretários de Estado da Agricultura (Conseagri) emitiu documento no qual afirma que a escola “desferiu ataque inaceitável contra os produtores rurais brasileiros, generalizando de forma inexplicável a prática do uso indiscriminado de defensivos agrícolas”. A entidade, que representa os titulares da pasta dos Estados brasileiros – incluindo o do Rio Grande do Sul –, diz esperar retratação. A Associação Brasileira de Angus, a de Proteína Animal e os organizadores da Agrishow engrossaram o coro das reclamações.

  • NO RADAR

    O ANO DE 2016 fechou com recorde no número de registros de agroquímicos. Foram 277 novos produtos, segundo dados do Ministério da Agricultura a média histórica anual é de 140. Houve ainda alta de 65% de novos produtos de controle biológico foram 38, ante 23 em 2015.
    ANDRÉ BESSOW
    Superintendente do Incra no RS
    Formado em Direito e filho de produtor rural, o novo superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária aposta na capacidade de diálogo para comandar o órgão. Confira trechos de entrevista a ZH:
    Qual a demanda por assentamento no Estado?
    Temos 2.463 famílias acampadas, aguardando o processo de assentamento. Essa seria nossa demanda reprimida.
    O que ainda impede a colocação dessas famílias?
    Temos certa dificuldade em conseguir novas áreas destinadas a assentamentos. Atualmente, temos três negociações. A mais avançada é em Vacaria. Tem em torno de 180 hectares e era da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Já passamos os valores, a Conab está de acordo com a proposta. Agora, estamos na fase final, na superintendência, do processo administrativo que envolve a compra dessa área, para remeter a Brasília. Acredito que neste ano seja remetido para encerramento da compra. Há ainda uma fazenda em Eldorado do Sul, de 400 hectares. É uma área classificada como improdutiva, já tem os laudos do Incra. Estamos juntando toda a documentação necessária para enviar a Brasília para fazer o decreto de compra. E temos dois locais de propriedade da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa). Um em Vitória das Missões, de 118 hectares, e outro em Cruz Alta, de 125 hectares. Esse é o processo que está mais no início dos três. Devem ser feitos vários laudos técnicos antes que a compra seja efetuada. Já temos dois prontos, mas estamos na dependência de um terceiro para dar andamento. Início de ano é um pouco mais complicado pela questão de orçamento, porque como tem deslocamentos, há um custo para isso. Recém estão nos passando os valores de orçamento.
    Quantas famílias poderiam ser assentadas nessas quatro áreas?
    Existe um cadastro de famílias pré-aprovado. Isso depende muito de como é a área em si. Em cada uma, varia muito o número de assentados. Não é um cálculo exato. Nem poderia passar esse número neste momento, porque se cria uma expectativa nas famílias que estão aguardando e isso depende de cada área. Se fizermos uma previsão agora, poderá acabar não se confirmando.

  • Fonte: Zero Hora

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