CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • FUNDOLEITE E IGL AINDA SEM FUTURO DEFINIDO

    O fundo criado em 2013 para promover ações de desenvolvimento da produção de leite no Rio Grande do Sul pode estar com os dias contados. Na mais recente reunião do conselho deliberativo que o administra, foi sugerida mudança no Fundoleite. Mas na prática, isso depende de negociação. Como o fundo foi implementado por meio de lei, para deixar de existir precisa da aprovação de nova lei.
    Secretário da Agricultura em exercício, André Petry da Silva diz que o objetivo do titular da pasta, Ernani Polo (em férias), “é harmonizar a cadeia produtiva do leite”. Uma nova reunião do conselho deverá ser feita quando ele retornar. Há duas alternativas: uma é extinguir o Fundoleite. A outra, acabar com a iniciativa e apresentar novo modelo.
    Por enquanto, as empresas seguem depositando a contribuição, que é determinada por lei – o fundo é composto por pagamentos de partes iguais feitos pelas indústrias (R$ 0,0004 por litro de leite) e pelo governo do Estado.
    Integrante do conselho deliberativo, o Sistema da Organização das Cooperativas do Estado (Ocergs) deverá se reunir nesta semana para decidir se adota posição a favor ou contra a extinção do fundo.
    – As cooperativas seguem pagando a contribuição – reforça o presidente do Sistema Ocergs/Sescoop, Vergilio Perius.
    O conselho também não atendeu ao pedido do Instituto Gaúcho do Leite (IGL) para a retomada do convênio que permitia o repasse dos recursos à entidade, que é privada e utilizava o dinheiro para desenvolver seus projetos.
    – A renovação do contrato foi solicitada, mas o conselho entendeu que deveria manter a suspensão – acrescenta o secretário em exercício da Agricultura.
    O cancelamento ocorreu em julho, logo após etapa da Leite Compen$ado em que o secretário da diretoria do IGL, Marcelo Roesler, foi preso.
    O coordenador das câmaras setoriais da Secretaria da Agricultura, Rodrigo Rizzo, afirma, contudo, que a descontinuação se deve à rejeição da prestação de contas.
    Sem os recursos do fundo, a existência do IGL fica comprometida. A entidade, diz o presidente, Gilberto Piccinini, “tem vários programas e projetos em andamento”:
    – Se o convênio não for retomado, temos de repensar o processo. Acho que é um retrocesso, mas enfim…
    A diretoria do IGL se reúne na próxima semana para decidir o que será feito. A lei que implementou o Fundoleite foi aprovada por unanimidade na Assembleia, após longa queda de braço. Pelo jeito, os embates dentro do setor, que emperraram o início dos trabalhos, se mantêm.

    _____

    CONTRA O TEMPO
    Será preciso correr contra o tempo para conseguir escoar a produção de trigo do Rio Grande do Sul, antes que milho e soja passem a ter preferência nas negociações. Ontem, em reunião realizada na Federação da Agricultura do Estado (Farsul), foi preparado documento com quatro pedidos que serão encaminhados ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e ao secretário de Política Agrícola, Neri Geller.
    – São 700 mil toneladas que precisam ser negociadas até o final de fevereiro – observa Hamilton Jardim, presidente da Comissão de Trigo da Farsul.
    A conta foi feita a partir da safra. Das 2,47 milhões de toneladas produzidas, 1,2 milhão serão consumidas pelos moinhos gaúchos. Outras 300 mil toneladas, absorvidas pela indústria de aves e suínos. Igual volume foi negociado nos quatro leilões realizados.
    O que será solicitado ao governo:
    1) Manutenção dos leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) e Prêmio Para Escoamento do Produto (PEP), com valor sugerido de R$ 266 a tonelada – na semana passada, o preço de abertura foi de R$ 208 a tonelada. A quantia sugerida permite que cooperativas e cerealistas paguem no Interior o preço mínimo, R$ 38,65 a saca.
    2) Mudança nos critérios adotados. Atualmente, as taxas de armazenagem e transporte cobradas estão inviabilizando a participação de cooperativas. A solicitação é para que se obedeça à tabela da Política de Garantia de Preços Mínimos.
    3) Autorização e liberação de recursos para aquisição de trigo por parte do governo federal – conforme as entidades do setor, os estoques do Rio Grande do Sul estão zerados.
    4) Imediata prorrogação das primeiras parcelas de custeio da cultivo, que começam a vencer no dia 20 deste mês.

    _____
    AS VISITAS ÀS GRANJAS DE PRODUÇÃO DE AVES E ESTRUTURAS ONDE EXISTEM ANIMAIS VIVOS ESTÃO SUSPENSAS POR 30 DIAS, SEGUNDO A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROTEÍNA ANIMAL. É UMA MEDIDA DE PREVENÇÃO, PARA MANTER A INFLUENZA AVIÁRIA LONGE DO BRASIL, LIVRE DA DOENÇA. NO MUNDO, JÁ FORAM REGISTRADOS FOCOS EM 33 PAÍSES.

  • HORA DE PREPARAR A VITRINE

    Já é tempo de Expodireto-Cotrijal em Não-Me-Toque. Aos poucos, o trabalho de manutenção do parque onde é realizada a feira – neste ano, de 6 a 9 de março – vai ganhando forma.
    Vice-presidente da Cotrijal, Ênio Schroeder diz que o número de expositores deverá ser semelhante ao de 2016, quando somou 554 empresas.
    Em 2016, o cenário de instabilidade política e econômica pesou sobre os negócios, que tiveram redução de 28%, ficando em R$ 1,58 bilhão. Agora, a perspectiva é outra, diz Schroeder:
    – Os sinais são muito positivos. Existe uma expectativa grande de recuperação.
    Os organizadores esperam ainda poder contar, pela primeira vez, com a participação de um presidente da República. O convite formal será enviado a Michel Temer, que em 2014 esteve na feira como presidente em exercício.

  • NO RADAR

    A MINUTA que sugere a criação do Departamento de Diagnóstico e Pesquisas Agropecuárias da Secretaria da Agricultura está sob análise da subchefia jurídica da Casa Civil. O departamento absorveria funções e funcionários da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), extinta por projeto de lei do governo Sartori.

  • ZEZÉ NA LINHA

    E segue o baile da repercussão em torno do samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense. Ontem, mais uma entidade, a Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócio também se manifestou. Em nota, afirmou que é “contrária às inverdades e generalizações trazidas pela referida escola de samba e se põe à disposição para o esclarecimento e o debate de temas relevantes sobre o agronegócio”.
    Com o tema Xingu, o Clamor que Vem da Floresta, a escola colocou o agricultor na posição de vilão.
    No Estado, o presidente do Sindicato Rural de São Gabriel, Tarso Teixeira, recebeu ontem a ligação do cantor Zezé di Camargo. Citado em artigo do dirigente sobre a polêmica em torno do enredo da escola, o cantor disse que não autorizou a inclusão do nome como um dos puxadores convidados do samba e, que, por também ser produtor, não irá se envolver na polêmica.

    _____
    Começa amanhã, em Bagé, a 9ª Agrovino. Contará com a 190 ovinos, 8,5% a mais do que em 2016. Na quinta, inicia-se a 39ª Exposição-feira de Ovinos de Verão, em Santana do Livramento.

  • Fonte: Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *