CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • RODAR FORA DE CASAPARA FREAR QUEDA

    É nas vendas para países vizinhos e da América Latina que a indústria de máquinas agrícolas do Rio Grande do Sul deposita as esperanças de voltar a fazer bons negócios em 2016. Projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é de que os negócios com o mercado externo cresçam 7%, enquanto internamente fiquem em 2%, praticamente sem sair do lugar.
    O simples fato de não andar para trás pode ser encarado como positivo no cenário atual. Números consolidados de 2015 mostram que o tombo no setor foi grande: redução de 34,5% nas vendas, de 32,8% na produção e de 27,2% nos embarques. No Estado, o recuo na comercialização fechou em 33%. Como resultado, milhares de postos de trabalho ficaram pelo caminho. E ainda que os prognósticos sejam menos duros para este ano, novos cortes não estão descartados.
    – A indústria, principalmente a do RS, se voltará à exportação – afirma Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers).
    E a maior expectativa vem das possibilidades de retomar os laços perdidos com os hermanos. A mudança de governo na Argentina se transformou em combustível para que as máquinas agrícolas feitas no Brasil rodem no país vizinho, que respondeu no passado por fatia de 20% das vendas externas do Estado.
    – Sem as taxas de exportação (no trigo e no milho), o agricultor argentino terá mais dinheiro para investir – opina Bier, para quem um percentual de 10% até o final do ano seria “excelente negócio”.
    Luiz Moan, presidente da Anfavea, aposta nesse efeito positivo e acrescenta acordos de comércio fechados com México, Uruguai e Argentina como possibilidades de aumentar as exportações. Mas diante da desvalorização da moeda argentina, que segue corroendo o poder de compra dos hermanos, há a hipótese – não tão improvável – de que o efeito da reabertura não ocorra tão rápido.
    Outros destinos estão no radar. Colômbia, Peru e Paraguai também podem ampliar as compras. Claro que a cadeira brasileira não ficou livre enquanto as empresas voltaram as atenções ao mercado doméstico. É preciso recuperar o espaço perdido.
    Dentro do casa, a preocupação vem das linhas de financiamento. As mudanças no Finame Agrícola, atrelado às Taxas de Juro de Longo Prazo preocupam porque, apesar do Moderfrota seguir com percentual fixa, o dinheiro costuma sair a conta-gotas.

  • PESOU A DOSE

    Combinados, os aumentos nas alíquotas de IPI, que passou para 25%, e de ICMS, elevada para 20%, estão tirando o sono dos donos de agroindústrias familiares do Estado que produzem cachaça artesanal. A preocupação é que as novas taxas inviabilizem a atividade.
    Diretor de Cachaça da Associação dos Produtores de Cana de Açúcar e Derivados do RS (Aprodecana), Evandro Weber faz a matemática do problema. Só a diferença do IPI assusta. Antes, o custo em uma garrafa de R$ 50 era R$ 2,90. Agora, é R$ 12,50.
    – Já estamos em crise, as pessoas gastam menos. Quem comprava um produto de R$ 50 vai adquirir um de R$ 40, de R$ 30. O maior problema é o impacto sobre o produto de valor agregado – lamenta Weber, proprietário da Weber Haus.
    Ele cancelou os planos de expansão para a unidade em Ivoti. Com custo maior para a indústria, inevitavelmente o preço do produto final ficará mais amargo. Só o repasse médio da alta de imposto será de 35%. Há ainda os custos. A projeção é de que nas prateleiras, a garrafa fique entre 50% e 60% mais cara.
    – A cachaça é a bebida do Brasil. Merece um tratamento diferenciado porque representa nosso país no mundo – entende Weber.
    Vinhos também tiveram aumento de IPI. A Aprodecana e o Instituto Brasileiro de Cachaça têm buscado alternativas para a questão com parlamentares no Estado e em Brasília. A solicitação é para que o IPI seja reduzido de 25% para 17%. Há ainda uma mobilização para que o Estado desenvolva programa de incentino para o setor. O assunto, tratado em reunião realizada no final de dezembro com o deputado Elton Weber (PSB), deverá ser retomado após o fim do recesso parlamentar.

  • SOBRA DE UM LADO, FALTA DE OUTRO

    É no sul do Brasil que está a aposta de fôlego para a safra de soja do Brasil. Apesar da chuva em excesso, que pode prejudicar produtividade e trazer doenças, o desenvolvimento das lavouras no Estado é bom, segundo a Emater.
    No Centro-Oeste e Norte, a seca preocupa. A consultoria INTL FCStone reduziu a projeção da colheita nacional para 97,8 milhões de toneladas. Mato Grosso e Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí, e Bahia) são os mais impactados.
    – No Matopiba, o estresse hídrico é mais preocupante porque o nível normal de precipitações nesta época já é mais baixo do que em outras áreas produtoras – alerta Natália Orlovicin, coordenadora de inteligência de mercado da INTL FCStone.

  • ESBOÇO ATÉ FEVEREIRO

    O secretário da Agricultura, Ernani Polo, deu prazo até a primeira quinzena de fevereiro para que os técnicos da pasta apresentem um esboço da regulamentação da Lei do Leite. Ontem, foi publicada a sanção no Diário Oficial e abriu-se a contagem de 90 dias para que as regras saiam.
    Com a minuta em mãos, a ideia é reunir entidades ligadas ao setor para dar início aos debates e fazer eventuais ajustes.
    O Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat-RS) afirma que irá reunir a equipe técnica da entidade ainda neste mês para ver como pode auxiliar na regulametação.
    – É preciso definir nesses 90 dias como será realizado o cadastro dos transportadores e quais as prerrogativas para os treinamentos – afirma Alexandre Guerra, presidente do Sindilat.

  • Fonte: Zero Hora

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