CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 
  • PACIÊNCIA MILENAR PARA CONVENCER O JAPÃO

    Considerado mercado premium, o Japão segue resistindo ao levante de embargo imposto à carne bovina brasileira, após a comunicação de caso atípico de encefalopatia espongiforme bovina (popularmente conhecida como mal da vaca louca) em 2012. Quase três anos depois, o governo federal segue batalhando para que o mercado seja retomado.
    A expectativa de que isso possa ocorrer ganhou força, ontem, em Tóquio, durante visita da ministra da Agricultura, Kátia Abreu. Na ocasião, foi anunciada a vinda ao Brasil de uma missão de técnicos japoneses. O grupo irá inspecionar laboratórios, frigoríficos e propriedades.
    – Sabemos da preocupação do Ministério da Saúde. Por isso, queremos, com muita compreensão, que o governo japonês conheça de fato o sistema brasileiro de defesa, porque temos certeza que eliminarão suas preocupações – afirmou a ministra, estimando que, até agosto, as barreiras para a exportação desse produto possam ser superadas.
    Os ministérios da Agricultura e da Saúde do Japão receberam ontem documentos de análise de risco que estavam pendentes. Foi a penúltima das sete etapas a serem cumpridas para a liberação da venda de carne bovina termoprocessada – o produto in natura nunca entrou no mercado do país asiático, e a briga por esse espaço virá mais adiante, ainda neste ano, segundo o ministério.
    Vale lembrar que os japoneses costumam usar a vacinação contra a febre aftosa como limitador de negócios. No caso da carne suína, só os catarinenses conseguiram furar o bloqueio, porque são livres da doença sem vacinação.
    Simultaneamente à missão, uma consulta pública sobre o tema será aberta no Japão. Tudo parte do ritual a ser cumprido para que se consiga a reabertura do mercado.
    Assim como o Brasil, outros países se submetem às rigorosas exigências japonesas porque sabem da importância desse comprador, que busca produtos com qualidade diferenciada, tendo remuneração à altura.
    – A abertura de qualquer mercado é sempre importante – pondera José Roberto Pires Weber, presidente da Associação Brasileira de Angus.
    Vencer a barreira japonesa é uma espécie de atestado de qualidade, capaz de abrir muitas outras portas ao produto brasileiro. Paciência e persistência são as chaves para dobrar os argumentos japoneses.

  • AINDA PARADO

    Por enquanto, o setor de máquinas e implementos agrícolas segue empacado em resultados negativos. Números divulgados ontem pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que as vendas acumulam queda de 25,1% de janeiro a junho, com 24,7 mil unidades comercializadas.
    Em relação a maio, houve leve recuperação, com aumento de 6,9% nas vendas, com as 4,4 mil unidades vendidas. Realidade que não foi suficiente, no entanto, para reverter a curva negativa do ano.
    – Esse leve aumento sobre maio se deve ao crédito represado que foi liberado. No segundo semestre, se chegaramos ao mesmo resultado de 2014, será excelente – avalia Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers).
    Para o dirigente, a projeção, no entanto, é de que o ano encerre com recuo nos negócios de 30%. E não é apenas a indústria que saiu perdendo com isso. O mercado retraído provocou, como efeito cascata, demissões. A redução do número de vagas até agora foi de 19,6%, na comparação com o primeiro semestre do ano passado. Novos cortes nos quadros de funcionários não estão descartados para o segundo semestre.

  • NO RADAR

    A EMATER deve definir nos próximos dias novas ações que ajudem a reforçar o orçamento do ano que, com os cortes determinados pelo governo estadual, ficará em R$ 146 milhões.
    As contratações de crédito do Plano Safra 2014/2015 chegaram em maio a
    89,4%
    do total programado, que era R$ 156 bilhões. A partir do dia 1º de julho, o calendário já virou a página, e começam a contar as operações do ciclo 2015/2016, que terá R$ 187,7 bilhões.

  • SÓ SOBROU O BRINCO

    Problema que vem se multiplicando nas propriedades gaúchas, o abigeato deixou novas marcas neste final de semana. Dessa vez, ladrões atacaram a Cabanha Solé, em Cerrito, no sul do Estado.
    Os criminosos carnearam Solé 843 Mexicano, vaca da raça angus que estava prenhe, e levaram só os cortes nobres de carne. Os restos e o brinco de identificação (no detalhe da foto) foram deixados na propriedade.
    – Era uma matriz pura, de excelente pedigree. Parece ação de profissional. É preciso ter fiscalização dos abates – enfatiza Ismael Solé, um dos proprietários da cabanha, que no mês passado teve outros quatro animais, ovelhas, carneadas em ação semelhante.
    Postado no Facebook da cabanha, o desafo de Ismael, com fotos que mostram o resultado da ação dos ladrões, tinha até a tarde de ontem mais de 15 mil visualizações. Na propriedade de Cerrito, a Solé tem 250 matrizes da raça angus para a produção de genética.
    – Viemos acompanhando outros relatos nas redes sociais – completa o proprietário.

  • MAIS RECURSOS

    Ampliar a fatia de participação do governo federal na liberação de recursos para assistência técnica e extensão rural. Essa é uma das ações prioritárias, segundo documento elaborado a partir de seminário realizado ontem na Capital pela frente parlamentar da Câmara. Hoje, o governo federal contribui com 7,5 % dos recursos e os Estados, com 80%.
    – O objetivo é chegar a 35% – afirma o presidente da frente, deputado federal Zé Silva (SD-MG).
    Outras duas propostas consideradas importantes são a indicação de um nome do sistema Emater para a diretoria da Anater e a mudança na forma do repasse de recursos devido à burocracia do processo de convênios.
    Aliás, o recém-indicado presidente da Anater, Paulo Guilherme Cabral esteve presente no evento.

  • ENERGIA AJUSTADA

    A Comissão de Agricultura da Assembleia colocará potência máxima na proposta que prevê parceria para melhorar a qualidade da energia no campo. O projeto prevê investimentos de R$ 1,6 bilhão, divididos entre governo federal (50%), concessionárias (30%), produtores (15%) e Estado (5%). A ideia é resolver problemas como o relatado ontem por produtor de Araricá. Para seguir adiante com a agroindústria familiar, precisa trocar a rede monofásica para a trifásica. Para isso, teria de desembolsar R$ 19 mil.
    – Temos de achar recursos para produtores que estão nesta situação. Esse é um tema que será revertido com força política – argumenta o deputado Adolfo Brito (PP), presidente da comissão, que avaliará as propostas apresentadas ontem em seminário realizado sobre o tema.

    Fonte: Zero Hora

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