CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • ANVISA PRECISARÁ EXPLICAR VAZAMENTO

    Talvez o problema tenha até passado despercebido, mas o fato é que indústrias de defensivos agrícolas com atuação no Brasil estão em busca de respostas sobre a divulgação de dados sigilosos da composição de produtos. Hoje, representantes da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), entidade que reúne 13 marcas, vão até a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pedir explicações.
    Na semana passada, conforme revelou reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 11 produtos de nove empresas tiveram dados protegidos por sigilo industrial acessíveis ao público. As informações estavam com a Anvisa e foram incluídas em um banco de dados público, o Agrofit.
    – A grande dúvida neste momento é: isso aconteceu por acaso, sem querer, ou foi um ato deliberado contra a Anvisa e o Ministério da Agricultura. Essa é uma questão que pediremos que seja investigada – diz Eduardo Daher, diretor-executivo da Andef.
    A entidade emitiu nota na qual reforça ser o Brasil signatário de resolução internacional de proteção de patentes. Segundo Daher, tão logo foi comunicado o problema, o governo agiu. Mas não se sabe quanto tempo a informação ficou em domínio público. Em nota, o Ministério da Agricultura afirmou que abrirá sindicância interna para apurar a divulgação das informações no Agrofit, abrigado no site da pasta.
    A fórmula de um produto é considerada o item mais sagrado da propriedade industrial. O risco da divulgação é de que possa facilitar a pirataria de produtos químicos utilizados na produção agrícola.
    O governo federal pode ser acionado na Justiça, mas esta é uma decisão individual das empresas – Bayer, Monsanto, Basf, Syngenta, Du Pont, Sumitono, UPL, Isk Biosciences e Sipcam Nichino são as que tiveram produtos expostos. Até um contencioso poderia ser aberto na Organização Mundial do Comércio (OMC), se comprovada a intenção de beneficiar a indústria local.

  • A MAIOR FATIA DO BOLO

    O ramo agropecuário continua respondendo pelo maior volume de faturamento do sistema de cooperativas do Rio Grande do Sul. Balanço da Ocergs/Sescoop-RS mostra que, da receita total de R$ 31,2 bilhões obtida em 2014, R$ 19,8 bilhões vieram desse segmento.
    O crescimento em relação ao ano anterior diminuiu um pouco o ritmo (veja gráfico acima), refletindo, na avaliação do presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro), Paulo Pires, na queda dos preços de produtos do setor, como soja e leite.
    – De forma geral, nos últimos anos, houve um processo de expansão muito grande das cooperativas não industrializadas. Acho que hoje estamos mais preparados para um ciclo de agroindustrialização – completa Pires, citando projetos em andamento, como a duplicação da CCGL, o frigorífico da Cotripal e o esmagamento de soja da Coopermil.
    Foi o avanço das agroindústrias que ajudou a manter o resultado agropecuário em alta. Outro destaque foram as cooperativas de crédito, que cresceram 29,37% no ano passado, faturando R$ 5 bilhões.
    – Se repetirmos os resultados dos últimos cinco anos, nos próximos cinco ampliaremos nossa participação no PIB do Estado de 11% para 20% – projeta Vergilio Perius, presidente do sistema Ocergs/Sescoop-RS.

  • NA FRENTE DO INÍCIO AO FIM

    Ao manter o equilíbrio em todas as provas, mais oito conjuntos garantiram vaga à final do Freio de Ouro. A décima classificatória da competição foi realizada no fim de semana em Santo Ângelo, na região das Missões.
    Nem mesmo um deslize na etapa Bayard-Sarmento tirou o pódio da égua Basca Rancagua (foto), da Cabanha Basca, de Uruguaiana. Líder desde o início das etapas funcionais, o animal comprovou o quanto a regularidade pesa na disputa e fechou com nota 19,060.
    Entre os machos, o primeiro lugar também ficou com quem saiu na ponta: Piraí 1630 do Senhor, da Parceria A Lo Largo, de Rio Pardo. O cavalo teve nota 20,152. Essa foi a última classificatória realizada no Estado antes da final, durante a Expointer. As últimas duas etapas serão em Itú (SP) e Brasília (DF).

  • NO RADAR

    A MINISTRA DO MEIO AMBIENTE, Izabella Teixeira, cancelou a participação em audiência pública que ocorreria amanhã, na Câmara Federal, para tratar de pagamento por serviços ambientais e do Cadastro Ambiental Rural. O cano irritou o deputado Heitor Schuch (PSB), que propôs o debate.

  • A produção brasileira de milho para o ciclo 2014/2015 deverá fechar com volume 10,9% maior, de 85,57 milhões de toneladas, segundo a mais recente projeção feita pela Safras & Mercado. O volume também cresceu em relação ao relatório anterior, que previa 82,32 milhões de toneladas.

  • O ritmo das exportações de mel em 2014 fez o Brasil subir da 14ª para a 8ª posição no ranking dos maiores exportadores mundiais. Em receita, o avanço foi de 82% na comparação com o ano anterior, segundo dados da Abemel.

  • Caso a caso no arroz

    Com 28% da demanda de crédito para a produção de arroz no Estado, o Sicredi ainda avalia a possibilidade de prorrogar o vencimento das parcelas de custeio da safra passada.
    – Neste momento, temos atendido caso a caso – afirma Gerson Seefeld, diretor-executivo do Sicredi RS/SC.
    Até o momento, os pedidos para renegociação representam apenas 10% do total financiado, segundo o banco.
    Para a safra 2015/2016, o Sicredi RS/SC irá liberar crédito 21,51% maior do que no ciclo anterior, somando R$ 5,65 bilhões. O foco principal segue na agricultura familiar, que deverá responder por 100 mil dos 140 mil contratos estimados para o Rio Grande do Sul. Os recursos estarão liberados a partir do dia 13.
    A perspectiva é manter o ritmo de contratação do ciclo passado, mesmo com o reajuste das taxas de juro.
    – Dentro da alta de custos, o aumento da taxa do crédito talvez seja a menor fatia. O preço dos insumos impacta muito mais no custo por hectare – pondera Seefeld.

    Fonte: Zero Hora

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