CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • METAS COM E SEM TAMANHO DEFINIDO

    Existem, sem dúvida, ações importantes entre as metas a serem alcançadas neste ano pela Secretaria da Agricultura, dentro do programa implementado pelo governo estadual. Mas a exemplo do que já se viu na proposta de outras pastas, em alguns itens, não há número a ser perseguido.
    Entre os indicadores com métrica palpável, está o que prevê a expansão do programa Mais Água, Mais Renda. A opção, nesse caso, foi por resultado conservador.
    A ideia é chegar ao final do ano com mais 16 mil hectares de projetos implementados, sendo que até esta semana, a área somava 10,5 mil hectares. Desde a criação, em 2012, foram mais de 68 mil hectares. Ainda assim, a área total irrigada no Estado – descontadas as lavouras de arroz – representa 3% do total.
    Entre as propostas inéditas, está a criação do programa de gestão de solos e água em microbacias, cuja meta a ser executada em 2015 é a finalização do projeto. Para o secretário Ernani Polo, é uma ferramenta fundamental para melhoria da produtividade:
    – O Paraná, há mais de 30 anos, fez a gestão desses recursos e colheu, neste ano, 2,5 milhões de toneladas a mais de soja do que o Estado.
    Na meta de incentivo à adesão ao Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf-RS), a secretaria não arriscou o quanto quer ampliar, alegando que o avanço depende também da participação dos municípios.
    Hoje, apenas cinco dos 497 municípios gaúchos têm a certificação que permite a venda dos produtos fora do município de origem. Outros 211 manifestaram interesse e 54 encaminharam a documentação. Desses, 28 foram pré-auditados e no próximo dia 15, têm reunião marcada na secretaria.
    O número de técnicos que avaliam a documentação foi ampliado de seis para 10. Um dos grandes gargalos ao avanço estaria na estrutura precária de fiscalização dos municípios que, em contrapartida, cobram apoio financeiro. O prometido kit Susaf – veículos, GPS e computadores –, ainda depende da liberação de recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

  • SAFRA ABERTA

    Foi no Rio Grande do Sul que o Banco do Brasil fechou o primeiro contrato do Plano Safra 2015/2016. O produtor Armando Garcia de Garcia irá utilizar os recursos do financiamento para custeio da lavoura de soja.
    Responsável por 65% dos contratos agrícolas, o Banco do Brasil anunciou o volume de dinheiro disponível para o ciclo. No país, serão R$ 90,5 bilhões, 23% a mais do que o desembolsado na safra anterior. Há mais R$ 20 bilhões para empresas do agronegócio. No Rio Grande do Sul, a oferta cresceu 24,3%, chegando a R$ 11,1 bilhões.
    O maior volume será para linhas de custeio, R$ 8,4 bilhões. Para investimento, são R$ 2,6 bilhões. O gerente de mercado agronegócio, João Paulo Comerlato, entende que ainda há espaço para a tomada de recursos, apesar do reajustes das taxas.
    – Em contraste com a Selic, o juro do crédito agrícola continua negativo – afirma o superintendente estadual, Edson Bündchen.

  • ECO FORTE NA CAPITAL

    O recado foi dado em alto e bom som. Mais de 3 mil produtores literalmente pararam o centro de Porto Alegre, na manhã de ontem, durante a 21ª edição do Grito da Terra, organizada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS).
    Além da caminhada da sede da entidade, no bairro Floresta, até o Largo Glênio Peres, no Centro, os agricultores usaram outros recursos para chamar a atenção às reivindicações. Como o cerco ao prédio da Secretaria Estadual da Fazenda, simbolizando que o setor não quer apertos e, sim, parcerias.
    Outra estratégia teve como foco sensibilizar o público urbano para a questão de preços. Expostos, alimentos tinham placas (foto acima) indicando o que o consumidor paga e o que o produtor recebe.
    – Queremos mostrar que quem está pagando a conta da excessiva carga tributária são essas duas pontas – afirma o presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva.
    Um dos exemplos era o do pão, cujo preço pago pelo consumidor por quilo é de R$ 7. Um quilo de trigo rende ao produtor só R$ 0,41.
    À tarde, os manifestantes foram até o Palácio Piratini receber respostas à lista de reivindicações entregues em maio. O governador José Ivo Sartori foi até a praça falar com os agricultores. Seu discurso terminou com misto de aplausos e vaias.
    O governo confirmou medidas como a liberação de recursos para forrageiras de inverno e para o Troca-Troca de sementes. Uma das novidades foi a confirmação da ampliação do programa para distribuição gratuita de protetores solares para além dos 129 municípios do piloto.
    – A resposta aos pedidos não foi ruim, mas também não empolgou – afirma Joel.
    Presidente licenciado da Fetag, o deputado estadual Elton Weber (PSB) tem avaliação semelhante. Esperava mais avanços na pauta:
    – Vamos dar continuidade à negociação.

Fonte: Zero Hora

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