CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • DECISÃO QUE MEXE COM A COTRIJUI

    Uma decisão da Junta Comercial do Estado pode trazer impacto ao processo de liquidação voluntária adotado pela Cotrijui no ano passado. Conforme publicado no Diário Oficial de 22 de dezembro, o órgão determinou o cancelamento do arquivamento da ata da assembleia extraordinária da cooperativa, na qual foi aprovada a liquidação. Em outras palavras, revogou a ata.
    – Com isso, todos os efeitos que a assembleia produziu deixam de valer – afirma o advogado Fernando Pellenz, que representa um dos credores da cooperativa.
    Com o argumento de que houve irregularidades “da convocação à assembleia em si”, Pellenz fez a notificação à Junta Comercial. A partir daí, foi aberto procedimento administrativo, que teve esse desfecho.
    Uma das principais cooperativas do Estado, a Cotrijui tem dívida estimada em mais de R$ 1 bilhão. Em setembro de 2014, aprovou a liquidação voluntária em assembleia contestada por parte dos associados.
    Foi a partir da decisão pela liquidação – que está para as cooperativas como a recuperação judicial está para as empresas – que a Cotrijui conseguiu suspender execuções de cobrança que colocavam em risco seu patrimônio, como o leilão de duas unidades – parte da sede, em Ijuí, e a de Chiapetta – que chegaram a ter a data marcada.
    Se os efeitos da assembleia forem anulados, os credores poderiam voltar a questionar na Justiça a execução de cobranças. Um cenário que complica a vida da cooperativa, com 19 mil associados. Advogado da Cotrijui, Claudio Lamachia, entende, no entanto, que a decisão da junta “em nada afeta a liquidação judicial e, por consequência, a suspensão das ações contra a cooperativa”.
    – A lei das cooperativas impõe como uma das obrigações do liquidante arquivar a ata na junta comercial, mas não vincula isso à validade da liquidação. O requisito formal para a suspensão das ações é a publicação da ata no Diário Oficial, e isso foi feito – completa Lamachia.

  • SEMENTE DE NOVO NEGÓCIO

    Agora é oficial. A multinacional Bayer manifestou formalmente seu interesse pelo negócio de sementes da cooperativa gaúcha CCGL, de Cruz Alta. A empresa protocolou a intenção de compra no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
    Em outras palavras, só aguarda o sinal verde da entidade para concretizar o negócio.
    Em período de “silêncio”, a empresa emitiu uma nota na qual afirma que “tanto a Bayer CropScience quanto a CCGL aguardarão também a conclusão do processo para se pronunciar sobre o assunto”.
    Com foco na pesquisa de novas tecnologias, a unidade de sementes faz parte da CCGL Tec, um dos três braços da Cooperativa Central Gaúcha Ltda. Há ainda a CCGL Log, focada na logística de transportes da produção, que inclui o terminal de grãos Tremasa/Tergrasa, no porto de Rio Grande, e a CCGL Lac, de lácteos.
    Aliás, a unidade de lácteos está em obras para duplicação da capacidade de processamento, de 1 milhão de litros para 2,2 milhões de litros por dia.

  • NO RADAR

    FAMURS e IGL se reúnem amanhã para formatar as perguntas do questionário que será conduzido pelos conselhos agropecuários municipais. O objetivo é traçar perfil socioeconômico dos produtores de leite do Estado, incluindo volumes entregues. A ação foi definida por grupo de trabalho que trata da crise do setor.

  • A frota de aviões agrícolas segue crescendo no país. Levantamento do portal Agronautas mostra que, em dezembro, havia
    2.007
    aeronaves no país, crescimento de 4,26% em relação a dezembro de 2013. O RS é o segundo Estado em quantidade de aparelhos (420), atrás do MT, que tem 467 unidades.

  • NO CLIMA DA FERRUGEM

    Ao mesmo tempo em que beneficiam o desenvolvimento das lavouras, as atuais condições meteorológicas também trazem um alerta aos produtores de soja do Estado. A umidade elevada e as altas temperaturas favorecem o aparecimento de um antigo inimigo: a ferrugem asiática.
    O fungo causa a queda de folhas da planta, comprometendo a formação do grão.
    – O clima é fantástico para a cultura e para as doenças ao mesmo tempo – compara Carlos Forcelini, professor da UPF.
    A ferrugem costuma ser detectada no mês de janeiro. Neste ano, no entanto, a primavera chuvosa e quente antecipou o registro de casos para dezembro.
    Dados do Consórcio Antiferrugem mostram 36 ocorrências no Rio Grande do Sul. Só atrás do Paraná, com 50.
    Forcelini avalia que os números não refletem a realidade, porque nem todos agricultores comunicam as ocorrências. A orientação é manejo adequado para controlar o problema:
    – A aplicação de fungicidas, para quem ainda não fez, é urgente .
    Para quem iniciou, é importante observar os intervalos seguros. Também é preciso aplicar com qualidade, já que a soja está mais desenvolvida no atual ciclo.

  • MUY AMIGOS

    Dados das exportações do agronegócio do Estado em 2014 revelam que a parceria do Mercosul funciona mais para um lado do que do outro. No ranking dos principais destinos dos produtos gaúchos, o bloco fica muito atrás de outros parceiros comerciais.
    Do total embarcado no ano passado pelo Estado, 34,97% foi para a China. Em segundo, veio a União Europeia, com 17,21%. Os EUA representaram 4,21%. E só então vem o Mercosul, com 3,66%.
    Por outro lado, as importações feitas pelo Rio Grande do Sul do bloco somaram 55,66%.
    – Somos grandes parceiros deles, mas eles não compram da gente – pondera Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul.
    Os números da entidade ajudam a reforçar a tese de que o Brasil precisa ter acordos bilaterais.

Fonte: Zero Hora

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