CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • AS ESCOLHAS DA AGRICULTURA

    Logo após a cerimônia de posse, o secretário da Agricultura, Ernani Polo, anunciou os nomes que irão integrar as diretorias de órgãos vinculados à pasta. No Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a escolha é definitiva. Na Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), na Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) e no Parque Assis Brasil assumem comandantes interinos, por tempo indeterminado na verdade, até uma decisão definitiva (veja nota abaixo).
    Os escolhidos para o Irga saíram de uma lista de nomes elaborada pelo conselho deliberativo do órgão, formado por entidades ligadas à produtores do Estado.
    – Queríamos uma diretoria técnica e aceita por produtores e indústria – afirma Henrique Dornelles, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz).
    O Irga terá na presidência o engenheiro agrônomo Guinter Frantz, que por 24 anos atuou na Granja Quatro Irmãos. Na diretoria administrativa, ficará Renato Rocha, produtor que durante nove anos esteve à frente da Federarroz.
    Na diretoria técnica, foi escalado Maurício Fischer, que presidiu a entidade no final do governo Germano Rigotto (PMDB) e durante a gestão de Yeda Crusius (PSDB). Para a área comercial, o indicado é Tiago Barata, engenheiro agrônomo de formação, consultor e analista da área de arroz.
    Frantz afirma que o primeiro passo é buscar alinhamento com o governador, com o secretário e com os produtores. A pesquisa é outro ponto que está no radar do presidente.
    – Temos de continuar as pesquisas de soja em área de várzea também em anos chuvosos – afirmou.
    Os novos diretores prometem ainda incluir o Irga novamente nas negociações referentes às planilhas de custos de produção. Na abertura oficial da colheita de arroz, no início do próximo mês, em Tapes, a Federarroz deve apresentar os números de pesquisa encomendada a uma consultoria privada.
    Os valores usados como referência para a definição do preço mínimo são elaborados pela Companhia Nacional de Abastecimentos (Conab) e têm sido alvo de questionamento porque apresentariam dados defasados em relação à realidade.

  • TÔNICA DA ÁGUA

    Em uma tarde de calor intenso, o uso da água para irrigação foi a tônica dos discursos de transmissão de cargo da Secretaria da Agricultura. A cerimônia foi no pátio, onde é realizada a feira de produtores rurais. Participaram representantes de entidades, políticos e familiares do novo secretário, Ernani Polo (foto), que vieram de Santo Augusto para a posse.
    – Que tu sejas abençoado por Deus e por São Pedro. Com exceção de 2012, tivemos três grandes safras – disse o ex-titular da pasta, Claudio Fioreze, que ressaltou o programa Mais Água, Mais Renda como uma das “grandes marcas do governo Tarso Genro”.
    Polo falou na necessidade de maior celeridade nas questões de licenciamento:
    – Temos de evitar a perda de empreendedores.
    Afirmou que buscará, ao lado de secretários de outros Estados, a ampliação dos recursos do Plano Safra destinados à irrigação com a nova ministra da Agricultura, Kátia Abreu. A ideia é que incluam, além de equipamentos, outros itens para a implementação do sistema, como a rede de energia elétrica.
    Outras prioridades listadas: sanidade do rebanho, fortalecimento das agroindústrias e o programa de gestão do solo e de microbacias.

  • NA MEDIDA DO SETOR

    A importância de manter a secretaria dedicada aos agricultores familiares e às cooperativas foi enfatizada em mais de uma ocasião durante a cerimônia de transmissão de cargo da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo. A pasta será comandada pelo economista Tarcísio Minetto (foto), que atua no setor há mais de 30 anos e era superintendente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado.
    – É uma área estratégica. O Rio Grande do Sul é feito de muitas pequenas e médias propriedades rurais – disse Beto Albuquerque, presidente do PSB no Estado.
    – Não há desenvolvimento econômico e social sem entidades da agricultura familiar. Vamos preservar o que está funcionando bem e aperfeiçoar o que for necessário – pontuou Minetto.
    A assistência técnica deve continuar como importante demanda. Segundo o coordenador da área de agricultura da Famurs, Mário Nascimento, há necessidade de cerca de 400 técnicos para atuar nos escritórios municipais da Emater, vinculada à secretaria. Elton Scapini, que representou o ex-secretário Ivar Pavan, destacou o R$ 1,4 bi executado na primeira gestão da pasta, criada pelo PT, as melhorias feitas na Ceasa e a recuperação da filantropia da Emater – válida até 2017.

  • NO RADAR

    A Secretaria de Obras entregou laudo preliminar sobre a situação do Parque de Exposições Assis Brasil. O valor do prejuízo, no entanto, ainda não foi mensurado. Na segunda-feira, um engenheiro deve retornar ao parque. O local sofreu estragos consideráveis após chuva e vento forte registrados no final de dezembro.
    OS INTERINOS

    Enquanto a decisão final não sai, são eles que irão responder por entidades importantes para o agronegócio:
    Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro): assume a presidência o engenheiro agrônomo Carlos Alberto Oliveira de Oliveira, que é pesquisador e funcionário da instituição
    Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa): quem comanda temporariamente é o engenheiro agrônomo Luis Carlos Hackbart de Oliveira, que foi diretor-técnico da estatal de 2007-2010
    Parque Assis Brasil: Marcio Müller, que era o diretor de eventos, atuará interinamente como diretor

  • BATIDO MARTELO NA EMATER

    Indicado pelo PMDB, Clair Kuhn (foto), 44 anos, será o novo presidente da Emater. Natural de Espumoso e filho de pequenos produtores, Kuhn construiu a trajetória política em Quinze de Novembro, na região do Alto Jacuí, onde foi vereador por três mandatos e prefeito reeleito. Foi candidato a deputado estadual e é atualmente um dos vice-presidentes estaduais do partido.
    Kuhn pretende estreitar a relação das prefeituras com a entidade que presta serviço de extensão rural gratuita a 250 mil famílias no Estado.
    – A prefeitura consegue ter uma visão local do todo. Queremos estabelecer uma linha conjunta de trabalho para fortalecer o desenvolvimento econômico e social da agricultura – define Kuhn, que tem formação em Educação Física.
    Como presidente da Emater, diz que quer ter uma gestão de “muito pé na estrada”. A indicação será submetida ao conselho da entidade, o que deve ocorrer após o dia 20.
    Colaborou Joana Colussi

Fonte: Zero Hora

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