CAMPO ABERTO – Futuro do tabaco nas de conferência da OMS

Futuro do tabaco nas de conferência da OMS

Maior exportador mundial de tabaco, o Brasil participa a partir de hoje da Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP8), em Genebra, na Suíça. O encontro, realizado a cada dois anos, discute medidas para reduzir o tabagismo dentro do tratado liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Durante seis dias, comissões interministeriais dos 170 países signatários, ONGs e OMS discutirão estratégias para conter o consumo de cigarro.

Mesmo sem poder participar das discussões, indústrias e representantes de produtores de tabaco estarão em Genebra acompanhando as resoluções do evento – provavelmente do lado de fora.

– O que nos preocupa é justamente isso, pessoas que não conhecem a realidade do produtor de tabaco decidindo o futuro deles. A nossa expectativa é pelo menos poder assistir aos debates – diz o vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado (Fetag), Nestor Bonfanti, que integra a comitiva brasileira de produtores.

Hoje, primeiro dia do evento, será decidido quais plenárias serão abertas a ouvintes, categoria que os representantes de produtores poderão se inscrever. Nas últimas edições, porém, a decisão tem sido por limitar a participação do público. Neste ano, a comitiva brasileira não terá a presença de deputados, já que a data da conferência coincidiu com as eleições no Brasil.

Embora não tenham peso de lei, as recomendações vêm servindo de base para a redução do tabagismo nos últimos anos, especialmente no Brasil. Medidas como proibir o cigarro em ambientes fechados e banir a propaganda em pontos de venda fizeram o consumo cair gradativamente no país – em níveis superiores à media mundial.

A preocupação dos produtores é justificada pelo impacto econômico e social do tabaco para a agricultura familiar. No Rio Grande do Sul, onde está concentrada 50% da produção do país, cerca de 65 mil propriedades ainda têm na atividade a principal fonte de renda.

– O que buscamos é uma segurança ao produtor, que vem diversificando, e que ele deixe de ser criminalizado por plantar tabaco – resume Bonfanti.

Custo fácil a

suínos e aves

Já está disponível a produtores de suínos e frangos de corte a segunda versão do aplicativo Custo Fácil, desenvolvido pela Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia (SC). Com a ferramenta, disponível para smartphones com sistema Android e iOS, é possível organizar dados e gerar informações necessárias para estimar custo de produção, rentabilidade e fluxo de caixa dos integrados de indústrias.

– Muitos produtores não têm essas informações detalhadas, dificultando a gestão das granjas – alerta Ari Jarbas Sandi, analista da Embrapa Suínos e Aves.

O economista explica que as informações são enviadas à Embrapa, construindo base de dados inédita no Brasil sobre integração na suinocultura e na avicultura. Os usuários cadastrados podem inclusive acessar o sistema e comparar seus resultados, acrescenta Sandi.

Cerca de 1,7 mil alunos concluirão até sexta-feira o Programa Alfa, curso de alfabetização de adultos do meio rural promovido pelo Senar-RS. Há 19 anos, a iniciativa combina metodologias para ensinar o trabalhador a ler e escrever, formando até hoje mais de 30 mil alunos no Rio grande do sul.

no radar

COMEÇA HOJE a 1ª semana digital do agronegócio, evento online e gratuito, promovida pelo Sebrae-RS. As palestras mostrarão tendências, oportunidades e desafios para startups, além de abordar a sucessão familiar, gestão de mulheres no campo e o impacto do setor na economia gaúcha. As inscrições são pelo link goo.gl/wya43g.

COMPASSO

PERFEITO

Após cinco safras de descompasso entre produção e mercado, o Rio Grande do Sul está prestes a ter a combinação perfeita para o trigo: tempo favorável e mercado valorizado. A cotação do cereal está em torno de R$ 42, em média 20% acima do preço mínimo da cultura.

– Se nada ocorrer daqui para frente, teremos uma safra com boa produtividade e remuneração – comemora Hamilton Jardim, presidente da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Estado.

A valorização é resultado da redução da safra no Paraná, maior produtor nacional, e do encarecimento da importação de trigo argentino – em razão da variação cambial.

– Todos os olhos, principalmente os dos moinhos, estão voltados à safra gaúcha – diz Jardim.

A colheita do cereal no Estado foi aberta oficialmente na sexta-feira, durante a 1ª Fenatrigo Tec, em Cruz Alta, no Noroeste (foto acima).

– Conseguimos aliar esse bom momento da safra com um evento técnico, dentro da universidade, voltado exclusivamente para a tecnologia dos cultivos de inverno – destacou Cristian Zachow, presidente da Fenatrigo.

Com mais de 50% das lavouras em fase de enchimento de grãos, a safra terá o auge da colheita a partir do começo de novembro. A estimativa é de uma produção total de 1,8 milhão de toneladas – quase 50% superior ao resultado do ano passado.

Videira mais antiga do mundo na Serra

Mudas da videira mais antiga do mundo foram plantadas em Bento Gonçalves, na Serra. Maribor, na Eslovênia, é o lar da árvore original, que data de 500 anos atrás e é reconhecida pela Unesco como patrimônio da humanidade. As tratativas para doação das mudas da videira começaram em 2015.

Um muda foi plantada na Dal Pizzol – às portas do Vinhedo do Mundo, coleção com mais de 400 variedades de uvas de 30 países.

– O vinho é um produto cultural carregado de emoções e que faz parte da história do homem há milênios – afirmou o diretor da cantina, Rinaldo Dal Pizzol.

Outra muda foi plantada no Parque de Eventos de Bento Gonçalves, onde ocorreu semana passada a Wine South America.

joana.colussi@zerohora.com.br

JOANA COLUSSI

Fonte : Zero Hora